O que eu também não entendo
Esta nossa imprensa esportiva brasileira (ou melhor, boa parte dela) é meio louca. Durante anos, capitaneada por Juca Kfouri, fez pressão e bradou pela moralização do futebol. E faz dois ou três anos que as conquistas vêm se sucedendo. Estatuto do torcedor, campeonato por pontos corridos, enxugamento do número de equipes, dentre outros trunfos, apontam que nosso futebol está no caminho certo.
Ontem, no programa “Bem, Amigos!”, de Galvão Bueno (ele de novo), na SporTV, um dos convidados foi Ricardo Teixeira, presidente da CBF. E, como era de se esperar, Teixeira foi bombardeado por perguntas de jornalistas. O curioso é que a maioria dessas perguntas colocava em cheque a atual fórmula do Brasileirão.
A meta da CBF é rebaixar quatro clubes e subir dois até chegar ao número de 20 clubes. Sérgio Noronha questionou se este número não seria baixo. Na Itália e na Espanha, onde se jogam os dois maiores campeonatos do mundo, este é exatamente o número de equipes na primeira divisão. O argumento de Noronha era que o Brasil era um país mais extenso e com mais clubes “grandes”. Mas ignorou o fato que quanto menos clubes na divisão de elite, mais forte será a segunda divisão.
É fato que a segunda divisão nacional está cada vez mais forte. E tende a ficar ainda mais competitiva quando receber os quatro desafortunados que caírem neste ano. Ricardo Teixeira disse que, se fosse apenas por sua vontade, a primeira divisão contaria com apenas 16 clubes. Mas (isso ele não disse) há pressão dos clubes tradicionais. Talvez 16 clubes seja pouco mesmo, mas é algo para se pensar. De qualquer forma, se o formato de 20 equipes vingar, a Segundona contará com vários clubes que já foram campeões nacionais, o que inevitavelmente tornará ambas divisões mais interessantes.
Eis então que surge Rembrandt Júnior, questionando se “a fórmula de turno único classificando oito para uma fase final não seria mais emocionante?”. Lógico que playoffs são mais emocionantes do que pontos corridos. Quanto a isso não há dúvidas. O que está em questão é o que é mais justo. Seria um time colecionar pontos durante todo o ano e ficar de fora da disputa pelo título por apenas uma partida mal-jogada ou, pior, por uma apitada errada? Para os que fazem questão de emoções agudas existe a Copa do Brasil.
Por fim, Ricardo Teixeira revelou que pretende proibir os clubes de vender jogadores ao exterior durante o progresso do campeonato, medida que seria adotada já no ano que vem. Vejo com simpatia a iniciativa, mas terá que ser discutida e colocada em prática para ver se ajudará de fato ou se contribuirá para que nossos craques saiam ainda mais cedo dos nossos gramados.
Esta medida, aliás, já havia sido sugerida por um jornalista da ESPN Brasil, que agora me foge à memória, apenas um dia antes de ser anunciada por Teixeira. De qualquer forma, já ficou claro qual é a “boa parte da imprensa” a que eu me referia no início do texto.


















