segunda-feira, outubro 31, 2005

Gratas surpresas

Que o Brasileirão já perdeu a graça há tempos, não resta dúvidas. Não que o Corinthians não seja o melhor time da competição, mas as coisas, do jeito que foram, deixaram um gosto amargo na boca do torcedor. Agora, resta torcer para que Goiás e Inter ofereçam alguma resistência e, principalmente, que os rebaixados não movam seus pauzinhos para melar a competição. Acho que estou pedindo demais, né?

O mais interessante é perceber que, se por aqui as coisas andam insossas, nos gramados europeus as surpresas agradáveis estão dando o ar da graça rodada após rodada.

Na organizadíssima Premier League inglesa, o Chelsea saltou à frente e já conta com certa folga. O que chama atenção são as equipes que vêm logo após os blues. Nada de Arsenal ou Manchester United. A sensação Wigan, que disputa a primeira divisão pela primeira vez na história, ocupa a vice-liderança, seguido por Tottenham, Manchester City, Bolton e Charlton.

Em Portugal, quem tem incomodado o trio Porto-Benfica-Sporting é a equipe do Braga. Com apenas nove rodadas disputadas pelo campeonato lusitano, o time já abriu cinco pontos de vantagem sobre o vice-líder Porto. O Benfica é o quarto colocado e o Sporting, atual campeão, ocupa a modesta oitava colocação.

Na Itália e na França, as coisas andam quase em ordem. O Lyon abre caminho para conquistar o penta em terras francesas enquanto Milan e Juventus dão ares de que duelarão pelo scudetto, como já se tornou habitual. A novidade está logo abaixo. Fiorentina e Saint-Etienne, equipes que já foram poderosíssimas e que ultimamente andavam em baixa, ocupam o terceiro posto em seus campeonatos.

Mas nenhuma surpresa é maior que a aprontada pelo Campeonato Espanhol. Todos sabem que o primeiro lugar da tabela é lugar cativo de Barcelona ou Real Madrid. Vez ou outra, eles deixam algum espaço para Valência ou La Coruña. Mas o reinado do Osasuna era algo impensado até este ano. De quebra, temos o Getafe em quarto lugar.

Claro que ainda é cedo e muito provavelmente a ordem natural será restabelecida na maioria dos casos, com o decorrer da temporada. Porém, com tanta lama debaixo dos nossos pés, não deixa de ser um alento olhar por sobre o oceano e avistar gratas surpresas do lado de lá.

domingo, outubro 30, 2005

Baile de debutantes

Prepare seu terno e sua gravata mais colorida, porque a próxima Copa do Mundo será como uma festinha de 15 anos: cheia de debutantes. Das 27 equipes já classificadas para o Mundial da Alemanha, cinco farão sua estréia em Copas. Do confronto entre Bahrein e Trinidad & Tobago sairá outro novato. E, dependendo dos resultados, o número de estreantes em Copas do Mundo pode chegar a oito.

Pode parecer pouco, mas se levarmos em conta que na última Copa tivemos apenas quatro estreantes, veremos que 25% de debutantes é um número razoável. Em 98, na primeira Copa com 32 seleções, o número também foi de quatro seleções novatas.

O principal responsável por essa nova ordem do futebol mundial é, sem dúvida, o continente africano. Das cinco vagas africanas, apenas uma foi preenchida por uma seleção “veterana”. Trata-se da Tunísia, que irá ao seu quarto Mundial. As novidades atendem pelos nomes de Togo, Angola, Gana e Costa do Marfim.

O melhor desta história toda é que várias destas seleções chegam em condições de desempenhar um bom papel no ano que vem. A Ucrânia, primeira seleção a conseguir vaga nas eliminatórias européias, disputará sua primeira Copa do Mundo como país independente com o peso de candidata ao título. Candidata que corre por fora, é bem verdade, mas já é uma grande responsabilidade.

Tchecos e eslovacos, que juntos já formaram uma nação boa de bola, estão na repescagem e também podem dar trabalho, caso se classifiquem. As próprias seleções africanas têm potencial para ir longe no Mundial da Alemanha. Togo é uma total incógnita. Mas Costa do Marfim e Gana já têm alguma tradição em competições das categorias de base e em Copas da África.

Porém, a menina dos olhos do continente deve ser a seleção de Angola. Após deixar os nigerianos de fora, os angolanos fizeram muita festa e estão loucos para enfrentarem o Brasil no ano que vem. E olha que, em Angola, o futebol perde para o basquete em popularidade – ou ao menos perdia, até a inédita conquista. Eu aposto minhas fichas em uma boa campanha da seleção rubro-negra. É que, vocês sabem, falar português no mundo da bola é uma baita credencial.

domingo, outubro 16, 2005

Resultado de enquete

Quem será o campeão da Série B em 2005?

Grêmio - 4 votos (26,67%)
Náutico - 4 votos (26,67%)
Ninguém. O STJD vai cancelar a Série B - 3 votos (20,00%)
Avaí - 1 voto (6,67%)
Guarani - 1 voto (6,67%)
Portuguesa - 1 voto (6,67%)
Santa Cruz - 1 voto (6,67%)
Marília - nenhum voto
Santo André - nenhum voto

Total: 15 votos

sexta-feira, outubro 07, 2005

Campeão com asterisco

Máfia do apito, partidas canceladas, equipes chorando em todas as divisões. O desgosto com o futebol brasileiro tem sido tão grande ultimamente que falta até vontade de falar sobre o assunto. Mas não podemos nos dar a esse luxo.

De qualquer maneira, uma coisa é certa: qualquer que seja o campeão nacional deste ano, seu mérito será eternamente contestado, o que é péssimo para a reputação de qualquer competição.

E se o Corinthians for vencedor com pontos ganhos em partidas que tiveram de ser novamente disputadas? E se Tevez se machucar gravemente numa das polêmicas partidas, deixando o próprio Corinthians fora da briga? Com que legitimidade o campeão deste ano levantará a taça?

E, assim, poderíamos imaginar uma série de cenários. O concreto é que o campeonato desse ano, graças ao senhor Edílson Pereira de Carvalho, já não tem a menor graça. Como levar a sério uma competição em que engravatados aparecem muito mais que atletas?

Ainda assim, é louvável o empenho de alguns em buscar a solução mais justa para minimizar os efeitos de uma situação irremediável. O comentarista Paulo Vinícius Coelho, da ESPN Brasil, propôs, com certa dose de ironia, uma opção: anular todo o Brasileirão. “Assim, prejudicando a todos, também seríamos justos”.

Apesar de exagerada, a hipótese pode vir a acontecer, se os clubes insistirem em bater cabeça sobre o assunto. E, já que é para chutar o balde, sugiro algo até mais apocalíptico: os clubes poderiam fechar as portas, nossos jogadores iriam todos ganhar em Euro, jogando num campeonato mais sério e melhor organizado. E às quartas e domingos teríamos Espanholão e Italianão na Globo. Claro que é uma brincadeira. Mas em tempos tão conturbados, não podemos deixar de considerar nenhuma possibilidade.

terça-feira, outubro 04, 2005

Especialistas da bola

A Copa de 94, nos Estados Unidos, foi marcante por vários aspectos. Um deles foi a presença de uma camisa 11, baixinho, “marrento”, meio preguiçoso, que jogava no ataque do Brasil. Lembro-me de não gostar do tal Romário, reclamar que ele não participava do jogo e, “sό” porque fazia os gols, levava toda a fama pelas vitórias. Na semifinal ele não jogou nada, ficou sumido o jogo todo, mas, de repente, no finalzinho, subiu e, diante de uma defesa de gigantes suecos, marcou um gol de cabeça que me deixou rouco por três dias. Depois entendi que aquele cara não precisava ser completo como eu queria. Ele fazia gols e isso bastava. Romário foi o maior especialista em finalizações que eu vi jogar. Tanto que, mesmo quarentão, ainda faz seus golzinhos.

E quem são os especialistas da bola do momento? Nem todos são tão bons quanto Romário e muitos deles fazem muito menos do que deveriam. Mas, vamos lá:

Passe/Cruzamento: David Beckham - Os cruzamentos deste inglês são realmente perfeitos, parece que ele coloca a bola na área do adversário com a mão – vale lembrar, que com ele cruzando até o Raul faz gol. E além de tudo, ele não erra um passe.

Por outro lado, o cara não dá um chute pro gol (a não ser em cobranças de falta ou aqueles colocadinhos, em que os goleiros adoram pular pra fazer pose). Outro ponto negativo é que na marcação ele é uma negação.

Finalização: Adriano - Já vi muita gente questionar a qualidade técnica do Adriano, mas para finalizar ele realmente é incomparável. Chuta forte, colocado, com efeito e sempre com muita precisão. No cabeceio, então, o “Imperador” arrebenta. Mas, quando tenta driblar, é muito ruim, totalmente desengonçado (Garrincha deve se remoer no túmulo).

Chute: Roberto Carlos - O lateral da Seleção chuta forte e com muito efeito – um primor – e faz os goleiros adversários morrerem de medo. Por outro lado, cruza mal (quantos gols você lembra de cruzamentos dele?) e marca pior ainda (o Zidane agradece até hoje pelo título da Franca em 98).

Faltas: Rogério Ceni - Eu tenho que admitir, o goleiro do São Paulo é o melhor batedor de faltas do momento. Ele consegue chutar forte e muito bem colocado, conhece bem os pontos fracos dos goleiros. Mas embaixo do travessão (os são-paulinos e o Morato que me desculpem) ele deixa a desejar, parece meio desligado nos jogos, toma uns gols sem explicação, a bola parece “quente” na mão dele (se eu tivesse um bebê, nunca deixaria ele segurar).

Drible: Denílson - Certa vez um técnico dele, ainda no Bétis, justificou a sua ida para o banco com três palavras: “falta de objetividade”. Ele realmente dribla muito, tanto que foi o primeiro a dar as famosas pedalas, antes do Robinho. No entanto, o cara cruza mal, passa mal e chuta pior ainda. Sem falar que seus dribles quase nunca resultam em gol.

Velocidade: Cafu - Quem nunca ouviu falar na saúde do Cafu? Afinal ele corre “como um menino”, não é mesmo? Os preparadores físicos o adoram (bem que ele podia trocar o futebol pelo atletismo) e tenho que admitir que levantou a taça do penta com classe. Mas o cara apóia pouco, cruza muito mal e marca pior ainda. Vocês viram o Cicinho por aí?

Nada: Michel Salgado - Não. Ele não é uma versão espanhola do Michael Phelps. Ele joga futebol e joga no time mais “caro” do mundo. O Salgado não tem qualidades (mas dizem que ele é um bom marido e um pai dedicado). Não sabe apoiar, não acerta um passe, cruza muito mal e ainda por cima é violento e desleal na marcação. No Vasco eu não o deixaria nem no banco – e olha que temos Wagner Diniz e Claudemir.

Resultado de enquete

O que deve ser feito com relação ao escândalo da arbitragem?

As partidas sob suspeita devem ser disputadas novamente - 11 votos (100,00%)

sábado, outubro 01, 2005

Reedições

Muitos podem não saber, mas esta Máfia do Apito com a qual estamos lidando não é pioneira na discutível arte de forjar placares. Nos anos 80, árbitros, jogadores e dirigentes participaram de um esquema para arranjar resultados da loteria esportiva. Em 97, Corinthians e Atlético Paranaense compraram juízes por intermédio de Ivens Mendes, o Armando Marques da época.

Ou seja, este esquema não passa de uma reedição. Assim como a partida Brasil x Turquia, disputada quarta pelo Mundial sub-17, nos fez reviver um outro confronto entre os dois países, válido pelas semi-finais da última Copa do Mundo.

Se há três anos atrás a partida foi decidida com um gol de Ronaldo, com o bico da chuteira, o jogo de ontem teve sete gols anotados e, por alguns instantes, fez lembrar a partida entre Milan e Liverpool, pela final da última Liga dos Campeões da UEFA.

O Brasil, que abriu três gols de vantagem no primeiro tempo, viu a Turquia empatar na primeira meia hora da etapa complementar. E o fantasma da equipe milanesa – que era muito mais time que o Liverpool, mas perdeu a taça – passou a rondar o estádio Mansiche.

Com a partida empatada em três gols, quem se sairia melhor? O Brasil de Celsinho – que vira e mexe é comparado a Ronaldinho Gaúcho, um pouco pelo estilo de jogo, mas muito mais pela semelhança física – ou a Turquia do goleiro Babacan? O time turco jogava com um a menos e tinha um goleiro babaca e atabalhoado, mas a lembrança das Olimpíadas de Sidney, quando o Brasil caiu nas quartas-de-final jogando com vantagem numérica diante de Camarões, também veio à mente de muitos.

Mas, no frigir dos ovos, quem resolveu foi Anderson, que por conta das trancinhas postiças que esqueceu no Brasil teve que jogar com uma cabeleira à la Roque Júnior. Já nos acréscimos, o meia gremista passou na base da força por dois zagueiros – há quem diga que houve falta no lance – e deu um toque açucarado para Igor definir a favor do Brasil.