sexta-feira, março 31, 2006

Resultado de enquete

Quem será o campeão paulista deste ano?

Santos - 44,83% (13 votos)
São Paulo - 34,48% (10 votos)
Palmeiras - 20,69% (6 votos)

Total: 29 votos

quinta-feira, março 30, 2006

Fugindo da realidade

– O Ipatinga não quis vencer.
– Como assim? – foi o que eu respondi, morrendo de fome, enquanto esperava meu x-tudo.
– Ah, vai me dizer que não percebeu nada de estranho?
– Não... – o cara parecia bêbado e àquela hora da noite eu já estava sem paciência.
– Falo sério. Eles entraram fazendo corpo mole.
– Que nada. É impossível...
– Acho que já sei o que você está pensando sobre mim (não... ele não sabia). Essa história de matriz e filial já era, está ultrapassada. A parceria diminuiu de tamanho: ano passado eram 17 jogadores ligados ao Cruzeiro e mesmo assim o Tigre venceu. Os motivos são outros – falava em um tom meio áspero, seguro de si, como se estivesse falando com uma criança.
– Fala logo, então.
– Pensa comigo. Não seria interessante pro Ipatinga vencer o Cruzeiro, assim logo de cara.
– Por que não? É o bi do Mineiro que está em jogo.
– Olha, eles estão invictos este ano. São 22 jogos sem perder, apenas sete empates. Só nos últimos quatro jogos, a equipe marcou três gols em cada. Só no Botafogo foram seis gols, 3 a 0 e 3 a 1, acha pouco? Tudo isso chama muita atenção. O Kleber Leite, aquele do Flamengo, tava hoje no Mineirão, sabia?
– É. Ouvi falar.
– Então... Se mostrar serviço demais o Tigre fica sem ninguém. Imagina perder o Walter Minhoca, o Léo Medeiros, o Paulinho, o Ney Franco. Ia ficar tudo difícil demais. Você acha que o Itair Machado é bobo? Um ex-engraxate tem que ser muito esperto para chegar à presidência de um clube.

Neste ponto da conversa eu não falava mais nada só ouvia.

– Para mim foi tudo óbvio. O Camanducaia fez o primeiro gol e o Ipatinga ficou na dele. Meio na preguiça, cadenciando o jogo... tudo de propósito. O clube quer crescer. Se mostrar serviço demais agora, perde todo mundo e fica fraco na Copa do Brasil e na Série C do Brasileirão.
– Hum...

A esta altura eu já olhava pra cara daquele sujeito de forma diferente. Talvez ele não estivesse nem um pouco bêbado ou talvez ele estivesse completamente. O fato é que, aos poucos, eu começava a acreditar nele. Não sei se era o sono, mas aquilo tudo fazia sentido.

– Tô vendo pela sua cara que você não tinha pensado nisso. O Cruzeiro empatou, com o gol do Gil, e o Ipatinga nem fez questão de reagir. O segundo tempo foi meio morno, o momento mais emocionante foi o lançamento do tal foguete, com o brasileiro dentro, lá no Afeganistão.
– Afeganistão, não. Foi no Cazaquistão.
– Não importa. É tudo mentira.
– Como assim?
– Vai me dizer que você acredita nessa história de lançamento de foguete? Isso é tudo mentira, marketing. O homem nunca chegou a espaço nenhum, à lua, então, nem pensar. Você tem cada idéia, hein menino...

Ouvi aquilo e não acreditei. Ele tinha chegado longe demais (e eu também). Me despedi, peguei o sanduíche e fui pra casa, já era tarde. No caminho ainda vi alguns cruzeirenses meio chateados, meio cabisbaixos. Alguns falavam da defesa do Fábio no finalzinho do jogo, outros diziam que no Vale do Aço as coisas seriam diferentes, comentários normais, mas naquele momento tudo me parecia meio estranho.

Depois dessa noite, confesso que meu senso de realidade ficou realmente abalado. Foi uma noite longa, longa demais. Teorias conspiratórias, o Ney Franco cantando e o Marcelo e a Lívia na transmissão da Globo, na mesma noite, foi coisa demais pra mim.

terça-feira, março 28, 2006

O enterro do futebol carioca

O século XXI está se mostrando trágico para os clubes cariocas. Fica até difícil de acreditar que, na década de 90, o Rio de Janeiro teve equipes de destaque, com grandes elencos e muitos títulos importantes. Atualmente, a única competição que os times grandes do Rio são capazes de ganhar é o Campeonato Carioca. Mas, será mesmo?

Eu costumava dizer essa frase com um certo ar de desânimo, mas, nessa época decadente, nem mais isso é possível afirmar. Na Taça Rio uma situação que ultrapassa os limites do vexame não chegou a me surpreender: nenhuma das quatro grandes equipes chegou a semifinal. Isso tudo é triste, muito triste.

O passado não foi assim. A década de 90 começou com o Vasco da Gama campeão. O título de 1989 foi o primeiro de muitos triunfos brasileiros que seriam conquistados por equipes cariocas nos anos que seguintes. Em 92, uma final carioca. O Flamengo enfrentou o Botafogo, no Maracanã, e se sagrou campeão mais uma vez. Apenas três anos depois, o Botafogo estava lá novamente e desta vez conquistou a taça, conseguindo seu primeiro título brasileiro (a final foi meio roubada, mas aquele time era bom). As equipes cariocas eram fortes e, em 97, o Vasco também deixou a sua marca: tricampeonato em grande estilo, com Edmundo infernal, marcando 29 gols na competição. Três anos depois, em 2000, Vasco de novo: tetracampeão com uma grande equipe. Tudo bem que a Copa João Havelange foi meio estranha, mas estava lá, mais uma vez, uma equipe carioca conquistando o último título brasileiro do século XX.

Muitos culpam a má administração dos clubes pelos resultados pífios dos últimos anos. E eles não estão errados. O que muitos esquecem de dizer é que os administradores dos clubes continuam praticamente os mesmos. Os resultados ruins dos últimos anos demonstram muito mais do que apenas a má administração das equipes. Eles mostram o que pode ser causado por anos de escolhas erradas, visão empresarial amadora e falta de planejamento. Escolhas equivocadas, como a contratação de Romário pelo Flamengo em 95, causam efeitos duradouros, deixam marcas e rombos financeiros que explicam muito bem os resultados atuais.

A presença nefasta de Eurico Miranda no Vasco é um exemplo claro da morte anunciada e lenta que vem atingindo o futebol carioca. A arrogância e incompetência do dirigente vascaíno não impediram os inesquecíveis anos que o clube teve, bem próximo ao ano do seu centenário. De 97 a 2000 os resultados apareceram, mas a postura do ditador cruzmaltino afastou os patrocinadores, deixou o clube sem credibilidade junto a qualquer investidor e mais, transformou o Vasco da Gama em um dos clubes mais odiados do Brasil. Ou o comando dos clubes cariocas passa por uma mudança urgente ou teremos muitos anos mais de resultados pífios e notícias tristes para os torcedores.

domingo, março 26, 2006

Resultado de enquete

Quem será o campeão mineiro deste ano?

Ipatinga - 75,00% (3 votos)
Cruzeiro - 25,00% (1 voto)
América - nenhum voto
Atlético - nenhum voto

Total: 4 votos

sábado, março 25, 2006

O domingão das certezas e dos palpites

Para quem gosta de futebol, amanhã será um grande dia. Com os estaduais entrando na reta final, este domingo terá ares de decisão em diversos estados do Brasil.

No Paraná, serão disputadas as primeiras partidas das semifinais, Coritiba contra Adap e Rio Branco contra Paraná. As coisas por lá caminham para uma final da capital, entre Coritiba e Paraná.

Em Ilhéus, será jogado o primeira jogo da final do primeiro turno do Campeonato Baiano, entre Colo Colo e Vitória. Não se surpreendam se o time praiano levar a melhor.

Em São Paulo, o Santos colocou uma mão na taça após vencer o Juventus por 2 a 1. Mas corintianos e palmeirenses disputarão, amanhã, um campeonato à parte. E o Palmeiras chega com mais gás para vencer o duelo.

No Rio, acontecerão as semifinais dos “pequenos”. América contra Americano, Cabofriense contra Madureira. A julgar pelas campanhas destas equipes desde a Taça Guanabara, América e Cabofriense são favoritos. Mas contra o time de Caixa-D’água, todo cuidado é pouco.

E, por fim, saberemos quais times farão a final do empolgante Campeonato Mineiro. Na semifinal entre Ipatinga e América, o Tigre tem tudo para chegar a sua segunda decisão consecutiva. Joga em casa, onde não perde a mais de um ano. E tem jogado um futebol de encher os olhos. Ainda assim, se classifica mesmo perdendo por um gol de diferença. Favorito absoluto. Difícil é explicar que trata-se da opinião de um analista e não do palpite de um torcedor.

Na outra partida, Cruzeiro e Atlético fazem aquele que, provavelmente, será o último clássico mineiro do ano. Pesa para o lado celeste a vantagem do empate e o fato de ter um elenco ligeiramente superior. Mas o Galo tem Ramon e a motivação que só quem está há meia década sem levantar um troféu pode entender. Palpite? Cravo um triplo, sem titubear.

domingo, março 19, 2006

Artilharia pesada

“Se a Copa começasse hoje, o Brasil correria sério risco de repetir os feitos nada honrosos de Argentina e França em 2002”. A frase, quase apocalíptica, foi dita por nosso amigo Enderson e resume a desconfiança que apareceu no torcedor brasileiro às vésperas do mundial.

Em pouquíssimo tempo, coisa de um mês, o favoritismo brasileiro passou a contar com ressalvas. Nosso goleiro começou a colecionar falhas e seu reserva imediato ainda está se recuperando de contusão, assim como nosso lateral-direito. Para piorar, boa parte do nosso elenco atua em um certo clube espanhol que parece estar em queda livre. Claro que clube e seleção são coisas distintas, mas o fato de o Real Madrid não conseguir ganhar de ninguém deixa todo mundo com a pulga atrás da orelha.

Mas, apesar dos problemas, não é com Dida, Marcos, Cafu, Cicinho, Roberto Carlos, Júlio Baptista e Robinho que estamos preocupados. Nossos centroavantes, Ronaldo e Adriano, é que são responsáveis pelos novos cabelos brancos dos torcedores brasileiros. Num intervalo de três dias, cada um perdeu um pênalti. Até aí, nada de anormal, pois, como diriam alguns, “só perde pênalti quem bate”. Porém, as penalidades desperdiçadas são sintomas que apontam para uma doença mais grave: nossos homens-gol estão em má-fase.

Adriano não tem feito tantos gols como no ano passado, quando encantou o mundo marcando tentos belos e importantes, tanto pela seleção quanto pela Inter de Milão. E Ronaldo, como todos sabem, vem recebendo o desprezo da torcida madrilena, que o acusa de estar gordo e o quer longe do Santiago Bernabéu.

Há boas chances de o inferno astral dos atletas brasileiros terem fim até junho, quando a disputa começa. Caso contrário, caberá a Parreira discernir sobre o que será melhor para a seleção. Se nosso comandante ignorar o fato de que nome não joga bola, o Brasil pode – até – perder a Copa.

quinta-feira, março 16, 2006

Resultado de enquete

Qual seleção é a maior favorita para conquistar a Copa?

Brasil - 38,89% (7 votos)
Inglaterra - 22,22% (4 votos)
Itália - 16,67% (3 votos)
Holanda - 11,11% (2 votos)
México - 5,56% (1 voto)
Outra - 5,56% (1 voto)
Alemanha - nenhum voto
Argentina - nenhum voto
Espanha - nenhum voto
França - nenhum voto
Portugal - nenhum voto
República Tcheca - nenhum voto

Total: 18 votos

domingo, março 12, 2006

Tabela da Copa 2006

Leitores do Montinho,

é com imenso prazer que apresentamos a vocês a Tabela da Copa 2006 em Excel. Com ela, você terá todas as informações sobre os jogos, poderá fazer projeções e acompanhará de forma privilegiada a Copa que se aproxima. E o melhor: é tudo automático! É só preencher o placar dos jogos e ela fará todo o resto.

Para baixar a tabela, clique aqui ou no link na coluna à esquerda.

sábado, março 11, 2006

De olho onde ninguém vê

Toda vez que a Liga dos Campeões da Europa chega às fases de mata-mata, a especulação da imprensa esportiva mundial sempre tem um gostinho de deja vu. O favoritismo sempre pende para o lado de Barcelona, Real Madrid, Milan, Inter, Juventus e, mais recentemente, Chelsea ou outro time que venha bem na Liga Inglesa. Este ano, os galácticos e os blues obviamente deixaram a lista de favoritos no momento em que foram eliminados da competição. Mas será que os clubes que não fazem parte desta seleta lista estão realmente fadados a fazer papel secundário na maior competição de clubes da Europa?

Quem gosta de futebol e nunca viu o Villarreal atuar deve fazê-lo imediatamente, sob pena de perder o fino futebol praticado pela turma de Sorín, Riquelme, Marcos Senna e cia. O Submarino Amarelo está invicto na competição.

Outro time que aos poucos vem galgando os degraus sem muito alarde é o Benfica. Somente agora, que o clube eliminou o atual campeão Liverpool vencendo os dois jogos, é que os olhos do velho continente se abriram para notar a presença dos encarnados.

Por coincidência, os dois clubes menos badalados das quartas-de-final da Copa dos Campeões saíram da mesma chave da primeira fase. Villarreal e Benfica despacharam Manchester United e Lille no Grupo D.

Outro clube que não leva o status de favorito é o Lyon. Atual tetracampeão francês, o time passeou no Grupo F, o mesmo do Real Madrid. Ganhou cinco partidas e empatou somente uma, justamente contra o Real, no Santiago Bernabéu. Nas oitavas, o Lyon venceu as duas partidas contra o PSV.

Agora, o Villarreal espera o segundo jogo entre Inter de Milão e Ajax para saber seu adversário nas quartas. O Benfica reeditará, contra o Barça, a final da Copa dos Campeões de 1961, vencida pelos portugueses. E o Lyon enfrentará o poderoso Milan.

Os europeus já deveriam estar vacinados. As vitórias de Liverpool e Porto, nas duas últimas edições, foram consideradas surpreendente para alguns. Mas não para todos. Barcelona, Juventus e Milan ainda podem ser considerados favoritos. Porém, a palavra “surpresa” foi eliminada ainda na primeira fase do torneio, juntamente com Thun, Anderlecht e outras babas.

quarta-feira, março 08, 2006

Orgulho e preconceito

O que há em comum entre os recentes casos de racismo no futebol? O que une jogadores e torcedores, tanto europeus quanto sulamericanos, que praticam o estúpido crime da discriminação racial?

Na maioria dos casos, o covarde ato vem à tona quando a pretensa superioridade branca se vê ameaçada. No mais recente deles, que envolveu o zagueiro Antônio Carlos, do Juventude, e o meia Jeovânio, do Grêmio, tudo começou quando o beque evitou um drible desconcertante do meia gremista com uma falta passível de expulsão. Confirmado o cartão vermelho, Antônio Carlos ofendeu Jeovânio. E passou dos limites.

Após o jogo, Antônio Carlos tentou se defender atribuindo os insultos ao calor da partida. Disse também, em sua defesa, que tem vários amigos negros. Mas, para um racista, o difícil não é ter companheiros negros. Duro mesmo é ver um negro questionando, com talento, a sua autoridade de xerife da grande área. Ou seja, as demonstrações de racismo ocorrem quando a “ordem natural” das coisas é subvertida. É por isso que nenhum dos argumentos de Antônio Carlos o isenta de culpa.

Lembremos de outros casos que ocorreram há menos de um ano. Não seriam os insultos do argentino Leandro Desábato uma manifestação de inveja do maior sucesso do então são-paulino Grafite? E o que estariam os torcedores do Zaragoza pensando quando ofenderam Eto’o, do Barcelona? Não deve incomodá-los o fato de o camaronês ter vencimentos maiores do que toda a folha salarial de seu time? Isso sem contar os próprios torcedores do Juventude, que, num jogo entre o time alviverde e o Inter de Porto Alegre, válido pelo Brasileirão do ano passado, imitavam macacos toda vez que o meia colorado Tinga tocava na bola.

O que são as cores do modesto Quilmes de Desábato colocadas lado a lado com as do tricolor paulista? O que falar do Zaragoza para compará-lo ao Barça? E, com o perdão dos torcedores do Juventude, como comparar o time caxiense ao Inter, de Tinga, e ao Grêmio, de Jeovânio? É ser superado por um negro que os racistas não suportam.

Já tem gente querendo que Antônio Carlos seja banido do futebol. Outros, mais comedidos, defendem que um ou dois anos de suspensão seria a punição mais justa, o que no caso de Antônio Carlos, 37 anos, seria quase uma aposentadoria forçada. Em todo caso, é preciso avisar ao zagueiro que já passou da hora de parar. Parar com o preconceito.