segunda-feira, setembro 26, 2005

Resultado de enquete

Qual brasileiro tem mais chances de ser o artilheiro da Liga dos Campeões da UEFA?

Adriano (Inter) - 12 votos (46,15%)
Robinho (Real Madrid) - 4 votos (15,38%)
Fred (Lyon) - 3 votos (11,54%)
Rivaldo (Olimpiacos) - 3 votos (11,54%)
Diego (Porto) - 1 voto (3,85%)
Ricardo Oliveira (Bétis) - 1 voto (3,85%)
Ronaldinho (Barcelona) - 1 voto (3,85%)
Outro - 1 voto (3,85%)

Total: 26 votos

sábado, setembro 24, 2005

A força da massa

Muitos atleticanos se orgulham mais dela do que do próprio time. Os cruzeirenses, por outro lado, torcem o nariz e dizem que ela não é maior que a “China Azul”. O fato é que, nesses tempos difíceis, a mística da massa atleticana tem se tornado assunto recorrente.

O Atlético tem uma das maiores e mais apaixonadas torcidas do Brasil e não restam dúvidas sobre este fato. Esteja bem ou mal, o Galo tem, ano após ano, uma das maiores médias de público do Campeonato Brasileiro. O que vai além de números é o que essa torcida faz por seu time, algo que beira o sobrenatural.

A última grande equipe a vestir a camisa alvinegra foi o time vice-campeão de 99, que, por muito pouco, não levantou a taça. No ano seguinte, o Atlético foi campeão mineiro e, a partir daí, não venceu mais um campeonato sequer. Pior que isso só as freqüentes visitas à zona de rebaixamento do Brasileirão, algo que vem se tornando hábito há muitos anos, com raríssimas exceções.

Apesar disso, o Galo sempre consegue se salvar no final da temporada, fazendo a camisa pesar a seu favor nas rodadas finais. E quem é que faz a camisa ficar tão temida? A massa, que empurra o time, sobretudo nos momentos difíceis.

Portanto, não é coincidência o Galo perder para o inconstante Botafogo num fim-de-semana e, alguns dias depois, vencer fácil a forte equipe do Santos. Não sou dos que acha que a torcida é fundamental para levar o time à vitória, mas desta vez fui obrigado a dar o braço a torcer: o diferencial entre estes dois jogos foi a massa.

Ontem, contra o Corinthians, o Galo conseguiu um bom empate. “Bom”, se considerarmos que o time jogava fora dos seus domínios e enfrentava uma das melhores equipes do campeonato. Porém, se o jogo fosse no Mineirão, certamente lotado, tenho certeza de que os cinco minutos finais, após o gol atleticano, seriam de pressão pura e o Galo teria fortes chances de virar a partida.

Sem a sua imensa torcida, o time poderia estar hoje em situação semelhante à do América. No engatinhar do futebol em Belo Horizonte, o Cruzeiro nem existia e Atlético e América eram os times que dividiam a hegemonia do futebol mineiro. O América, inclusive, levava uma vantagem sobre o rival: tinha um patrimônio muito maior. Mas nunca conseguiu ter tantos torcedores fiéis como o Atlético.

O tempo passou e uma nova ordem do futebol veio à tona. Hoje, o América vive a dura realidade de ser presa fácil até na Série C e o Galo, apesar de todos os pesares, é um dos poucos times que nunca foi rebaixado no Brasil. A quem creditar esse mérito? Não vejo ninguém mais merecedor do que a massa atleticana.

quinta-feira, setembro 22, 2005

Festa no Mineirão. Um exemplo a ser seguido.

Ataque

Dia 10 e 11 de setembro. O Estádio Governador Magalhães Pinto, também conhecido como Mineirão, é palco de um grande evento de música. Segundo estimativa da organização do Pop Rock, em cada dia, cerca de 35 mil pessoas assistiram a sete horas de shows. Ao todo, foram 20 bandas e quatro DJs. Moro perto do estádio e, pelo jeito que meu apartamento tremia, percebi que o público estava realmente animado.

Contra-ataque

Dia 18 de setembro. Depois de se transformar em casa de festas, o Mineirão, meio de ressaca, volta ao seu ofício natural. Atlético e Santos fazem a partida, que termina em 3 a 0. Tudo corre bem até que, no fim do jogo, um buraco é encontrado no meio do campo. Por sorte, nenhum jogador se machucou. O Casagrande, inclusive, se mostrou muito feliz por Ricardinho não ter quebrado uma perna.

Mas o que será que aconteceu? Eu nunca vi um buraco aparecer assim: de repente, sem explicação. Será que existem minhocas gigantes no Mineirão? Ou seria este buraco parte de um plano sinistro para atacar a integridade física do Michael Schumacher? Olha que não seria má idéia...

Vamos tentar também

Eu realmente não tenho as respostas. Recorri a alguns amigos da imprensa especializada e soube que, no jogo do último domingo, 996 pessoas estavam, digamos, autorizadas de alguma forma a participar do espetáculo. Dentro deste número estavam policiais, profissionais da imprensa, funcionários da Ademg e dos clubes, dirigentes, o juiz e seus auxiliares, e a comissão técnica e os jogadores dos clubes. Esta é a média do Campeonato Brasileiro. Por isso, devido às minhas limitações no campo da matemática e também para tornar as equações mais compreensíveis, vamos arredondar o número para 1.000. Com isso, percebemos que, no Pop Rock, o gramado recebeu 35 vezes mais pessoas do que no último domingo.

Finalmente, proponho um teste aos amigos leitores: quantas pessoas você poderia receber em sua casa, digamos, em uma reunião de amigos? Você faz um churrasco, bebe uma cervejinha e chama uns quatro, cinco, dez amigos.

Multiplique este número por 35. Serão 350 pessoas. Peça para as pessoas pularem todas ao mesmo tempo, várias vezes, durante umas sete, oito horas. Execute o procedimento durante dois dias e, para dar mais veracidade, coloque uns CDs bacanas, tipo Pitty, Skank, Capital Inicial, Dead Fish, Detonautas, e, claro, encha a galera de “birita”.

Como será que vai estar o chão da sua casa depois disso? Ele resistirá intacto? Aparecerá algum buraco?

Mas espera aí. Estou ouvindo um barulho. “A Ademg informa: o buraco foi realizado pela organização do Pop Rock.” Hum ... elucidativo, não?

Tenho outra idéia. Chame as 350 pessoas e faça um buraco no meio da sua sala. Garanto que vai ser bem animado. Não se esqueça que depois da festa você tem que torcer para ninguém da sua família quebrar a perna.

Gostou da idéia? Pois é. Depois é só fazer como a Ademg: joga areia no buraco e está tudo resolvido. Quem sabe o Schumacher não te faz uma visitinha...

terça-feira, setembro 20, 2005

O primo do Montinho Artilheiro

Responda rápido: qual o jogador mais botineiro do futebol brasileiro? Você certamente deve ter pensado em algum volante cabeça-de-bagre ou em um zagueiro carniceiro. Mas o dano que ele pode causar na canela alheia certamente não se compara ao estrago que pode ocorrer quando um desavisado vem correndo a mil e enfia o pé num buraco de 30 centímetros de profundidade.

A situação um tanto impensada esteve perto de acontecer neste fim-de-semana no Mineirão, durante o jogo entre Atlético e Santos. A partida corria normalmente e o Galo já vencia por 3 a 0, quando Euller, que havia acabado de entrar na partida, percebeu a cratera no círculo central do gramado.

A Ademg, empresa que administra o estádio, prometeu averiguar como aquele buraco foi parar ali e, pior, como ninguém o descobriu antes do atacante atleticano. E já se apressou em dizer que a depressão nada tem a ver com o Pop Rock, que aconteceu no estádio nos últimos dias 10 e 11. Sei...

O hábito de fazer grandes espetáculos musicais em estádios de futebol não é novo e deixa claro que, entre shows e jogos, será dada preferência ao que for mais lucrativo, ainda que o outro lado padeça. Sou um romântico que acredita que os estádios de futebol não poderiam ser usados para outros fins que não aquele para o qual foi projetado. Mas em tempos que pipocam as chamadas “arenas multi-uso”, o mínimo que os praticantes do futebol podem exigir é um gramado decente, sem buracos assassinos.

sábado, setembro 17, 2005

A primeira vez a gente nunca esquece

Dizem que o primeiro beijo a gente nunca esquece. A primeira transa também não. Mesmo que ocorra alguma tentativa deliberada de suprimir aqueles momentos, eles ficam, resistem. Afinal, foi o novo que se apresentou, algo que nunca foi experimentado e que, de repente, vira regra, necessidade da existência. É como a história da “virgenzinha” que depois da primeira vez não consegue mais parar...

Na minha opinião, outra estréia também inesquecível é a primeira ida ao estádio de futebol. Galvão e cia. que me desculpem, mas a televisão não traz 10% da emoção, não dá conta de traduzir a celebração, a magia que envolve uma ida ao estádio.

Eu era menino, tinha uns 9, 10 anos. O impressionante é que não tenho certeza da minha idade, mas lembro de detalhes do que aconteceu naquele dia. Rodrigo e Rafael tinham a mesma idade que eu e estavam entusiasmados com a possibilidade de ver o Flamengo pela primeira vez. Só falavam disso, o assunto havia virado a principal conversa na rua. Eu, como vascaíno, já estava cansado, não podia suportar a vinda do rival ao Espírito Santo. Mas, contraditoriamente, foi aí que a oportunidade se apresentou. Não era sempre que uma chance como esta surgia e eu não resisti.

O jogo não era do meu time, não era importante, não valia pontos ou título. Era um simples amistoso de pré-temporada. Mas aquele dia foi mágico, singular.

Ainda em casa, escolhi uma roupa simples. “Estádios são lugares onde as pessoas não se trajam com muitos excessos”, me diziam. Eu ainda não sabia que naquele lugar todos tinham a possibilidade de se sentirem iguais, mesmo que, no fundo, fossem extremamente diferentes. O trajeto foi tranqüilo, a confusão na entrada, perdoável. Eu estava atônito, mas, apesar disso, esperava, sem muito entusiasmo, aquilo que pra mim seria uma reedição do que via na TV.

O jogo começou. Desportiva e Flamengo, e eu, acreditem, no meio de milhares de rubro-negros. Ouvia os gritos e não conseguia fazer o mesmo. De qualquer forma, senti uma energia diferente. Nunca havia ouvido tantos xingamentos juntos. Parecia que ali as proibições de minha mãe não tinham força. Por que o juiz era tão mal-falado? Confesso que também xinguei o homem de preto e me senti muito bem. Apesar disso, ainda me via como um corpo estranho ali e torcia contra. Dissimulava, não sei se era convincente. Mas estava doido para ver um gol da Desportiva.

O jogo terminou em 2 a 1 para o time capixaba. Reconheço não lembrar a ordem exata dos gols, mas sei que vibrei, me contorci por dentro, extasiado, celebrando uma vitória que me pertencia. Um sujeito de óculos me disse: “Cara, você nem parece flamenguista.” Eu não disse nada. Apenas olhei para ele e tentei me fazer de ofendido. Naquele momento, em meio ao sentimento crescente de frustração que me rodeava, vi em que é baseada a rivalidade. Era muito bom ver o maior rival perder, ainda mais no meio deles.

Nunca esqueci daquele dia. Foi tão marcante quanto meu primeiro beijo, ainda inseguro, dado em uma rua escura de uma festa qualquer. Você que lê este texto, não se contente com os replays e mil ângulos da TV, com a narração “emocionada”, ou com a imagem da torcida que canta e vibra. Estas emoções à flor da pele só são vivenciadas na prática. Não se engane vá aos estádios, depois você me conta como foi.

sexta-feira, setembro 16, 2005

Nem tango, nem samba

Quando a Globo anunciou o jogo que transmitiria na última quarta-feira, entre Corinthians e River Plate, afirmou que a partida seria “mais um duelo entre as duas maiores forças do futebol sul-americano, Brasil e Argentina”. E eu fiquei a me perguntar se o River havia se tornado uma equipe brasileira.

O que tinha tudo para ser um grande clássico portenho ficou insosso e sem-graça com as ausências corintianas, entre elas Tévez e Mascherano. O Corinthians poupou o time titular e, como foram 11 argentinos do lado do River contra apenas Sebá pelo lado alvinegro, o empate sem gols foi até bom negócio para os alvinegros.

Ironias à parte, o jogo, como o placar denuncia, foi bem ruim. Com ambos os times jogando sem criatividade, ficou a impressão de que, se jogar com o time titular, o Corinthians pode se dar bem na segunda partida, a despeito de jogar fora de casa.

Durante toda a partida, o controle remoto me convidava para dar uma passadinha no outro jogo da noite, Fluminense e Banfield, à procura de melhor futebol. Não encontrei. O Banfield chegou ao Rio com o status de "São Caetano da Argentina", já que é o atual vice-campeão do Clausura, tendo, porém, relativamente pouca tradição. Entretanto, se comportou como o Azulão de hoje, que não é nem sombra da equipe do início da década. E se mostrou um time muito feio, a começar pelo distintivo do clube, passando pelo uniforme e culminando no futebol apresentado. O Fluminense também não esteve lá essas coisas, mas como tem muito mais time, venceu por 3 a 1, mesmo atuando com um a menos na maior parte do tempo.

Mas nada foi mais legal do que ver Cléber Machado reclamando do fato de o Corinthians jogar a Sul-americana com o time reserva. Como ninguém leva essa competição muito a sério, seria um choro em prol do Ibope? Simultaneamente, o Flu jogava com seu time titular, com transmissão da Record.

Um pouco mais cedo, o Cruzeiro entrou em campo, pela mesma Sul-americana, para jogar contra outro argentino, o Vélez Sarsfield. Também com o time reserva, mas atuando na Argentina, o time celeste perdeu por 2 a 0 e agora terá que reverter a desvantagem no Mineirão. Presumo que será muito difícil, já que o Cruzeiro está pior a cada dia. Já o Vélez me parece um bom time. Mas não posso dar certeza, porque não vi o jogo. Ainda bem!

Inter

No quarto confronto envolvendo clubes brasileiros e argentinos em dois dias, o Internacional foi o time que se saiu melhor nos jogos de ida das oitavas da Sul-americana. Ontem, o Colorado jogou com força máxima e venceu o Rosario Central, na Argentina, por 1 a 0. A equipe, agora, está em situação bem confortável, podendo até empatar no Beira-Rio. Moral da história: quem poupou, se deu mal. Mas as coisas ainda podem mudar de rumo nos jogos de volta.

terça-feira, setembro 13, 2005

O clube mais brasileiro...

O Corinthians se auto-proclama, em seu hino, o clube mais brasileiro que existe. Em uma época em que o time do Parque São Jorge tem três argentinos entre os 11 titulares, a letra do hino soa anacrônica e jocosa. Definitivamente, o alvinegro paulista está, ao menos atualmente, longe de ser o clube mais brasileiro.

Mas, antes que me chamem de retrógrado, me apresso em dizer que nada tenho contra a invasão portenha no Corinthians. Não entrando na questão político-econômica – que até merece algumas linhas, mas em algum texto posterior – e me atendo somente aos aspectos técnicos, a parceria com a MSI e a conseqüente “internacionalização” do Corinthians fez com que o clube voltasse a ser um dos mais fortes do país. Apesar de torná-lo um clube cada vez menos brasileiro.

Muitos entendidos do futebol vêm a contratação de estrangeiros por times brasileiros uma perda de tempo e de dinheiro, já que a adaptação é muitas vezes difícil, os salários são normalmente mais altos e, craque por craque, aqui temos aos montes. Não tiro a razão destes, mas alguns outros fatores devem ser levados em consideração.

Tomemos o exemplo do Cruzeiro, que tem em seu plantel o chileno Maldonado, um dos mais competentes e regulares volantes em atividade no mundo. Se fosse brasileiro, Maldonado já estaria na Europa há anos. Se fosse europeu, talvez nem soubesse que aqui em Belo Horizonte tem um tradicional clube chamado Cruzeiro.

E, se na Europa os clubes odeiam ceder seus jogadores para as seleções, por aqui a relação dos clubes com os selecionados nacionais é dúbia: se por um lado sempre há riscos quando um jogador é convocado, atuar por uma seleção sempre é uma boa vitrine e acaba valorizando o passe do atleta. Já que o Cruzeiro não tem cacife para ter um volante titular da Seleção Brasileira, o time celeste se vira bem com um que atua pela seleção chilena. Tanto que, atualmente, o passe de Maldonado deve valer alguma coisa que traga pelo menos sete zeros à direita.

Mas ter gringos no elenco não é privilégio apenas de cruzeirenses e corintianos. Atlético Mineiro, Atlético Paranaense, Internacional, Flamengo, Fluminense, Fortaleza, Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco também têm estrangeiros em seus elencos. Isso para ficar apenas entre os clubes da Série A. São nomes que vão desde o craque argentino Tevez, do Corinthians, até o jovem Aluspah Brewah, atacante nascido em Serra Leoa, que integra o elenco do Fortaleza.

...da Europa!

Que time brasileiro não se orgulharia de ter Caçapa, Cris, Juninho Pernambucano e Fred no plantel? Pode não ser uma seleção, mas um time com esses jogadores ganharia o Brasileirão com um pé nas costas. Pois este time existe, joga a um oceano de distância, é o atual tetracampeão francês e atende pelo nome de Lyon. Não por acaso, tem um dos mais fortes elencos da Liga dos Campeões da UEFA. E, com uma torcida como a que vemos na foto, poderia acrescentar em seu hino o verso “és, da Europa, o clube mais brasileiro”.

Resultado de enquete

Qual o melhor campeonato nacional do mundo?

Brasileiro - 19 votos (47,50%)
Espanhol - 7 votos (17,50%)
Inglês - 5 votos (12,50%)
Italiano - 4 votos (10,00%)
Argentino - 2 votos (5,00%)
Alemão - 1 votos (2,50%)
Outro - 2 votos (5,00%)


Total: 40 votos

domingo, setembro 11, 2005

Ladeira abaixo

A notícia chocou quem não estava acompanhando a Série B: Bahia e Vitória foram rebaixados e, se tudo correr normalmente, deverão disputar a Série C em 2006. Juntamente com o Criciúma, o Vitória conseguiu um “título” nada honroso: foi bi-rebaixado, indo do céu da Série A ao inferno da Série C em dois tempos e dando uma passadinha pelo purgatório apenas para fazer turismo.

O descenso do tricolor baiano se desenhou durante toda a temporada. Já o do Vitória foi, até certo ponto, surpreendente. Mas, das três equipes, os catarinenses foram os que tiveram a queda mais impressionante. Há pouco mais de um ano, o Criciúma chegou a liderar o Brasileirão por algum tempo. Este ano, selou sua ida para a Série C com várias rodadas de antecedência.

No entanto, a trajetória da primeira para a terceira divisão, sem escalas, não é inédita. O Gama, por exemplo, foi rebaixado para a Série B em 2002 e para a Série C no ano seguinte. Em 2004, porém, o time de Brasília conseguiu voltar à Segundona e, neste ano, conseguiu se firmar por lá.

Pior foi o Fluminense, que teve que cair duas vezes para efetivamente jogar a Segundona. Em 96, o time das Laranjeiras foi o penúltimo colocado no Brasileirão, ficando à frente somente do Bragantino. Os dois times mexeram os pauzinhos e, com argumentos suspeitíssimos, conseguiram se manter na 1ª Divisão. Em 97, porém, o tricolor carioca repetiu a péssima campanha e, aí, não teve desculpa.

Foram poucos os que duvidaram que o Flu seria campeão da Segundona com facilidade. Mas o time conseguiu se superar e cair para a Série C no ano seguinte. Em 1999, o time venceu a Terceira Divisão, título que alguns tricolores se orgulham, sabe-se lá o porquê. Em 2000, uma nova lambança jurídica catapultou o Fluminense novamente para a divisão de elite do nosso nacional.

Porém, os tempos são outros e os times baianos não deverão ter colher-de-chá na dura missão de tentar recuperar o espaço perdido. Quem abriu o precedente que moralizou as coisas foram Palmeiras e Botafogo, que, em 2003, jogaram a Segundona e subiram na bola. Algo que não costumava ser muito comum.

Agora, nos resta esperar para saber se os times da boa terra conseguirão colocar a Bahia novamente no mapa do futebol brasileiro. Infelizmente, parece que isto pode demandar bastante tempo.

terça-feira, setembro 06, 2005

Sopa de números

4-4-2 ou 3-5-2? A eterna discussão sobre qual é o melhor esquema tático voltou à pauta da imprensa mineira depois que Atlético e Cruzeiro adotaram o esquema de três zagueiros. Como o Atlético, que estava mal, passou a vencer, e o Cruzeiro, que estava cambaleante, entrou em queda livre, o exemplo das equipes mineiras não serviu para interpretações conclusivas.

A verdade é que não há como falar em melhor esquema sem conhecer os jogadores que irão atuar. Em equipes onde os laterais não são bons apoiadores, por exemplo, não há porque colocar um terceiro zagueiro, pois isto tornaria o time excessivamente defensivo. Pode parecer óbvio, mas tem muito treinador por aí que não sabe que um bom lateral não é necessariamente um bom ala. E vice-versa.

No caso dos times mineiros, mais do que a atuação dos laterais/alas, a preocupação era tentar fazer a defesa ficar mais sólida, já que em nenhuma das equipes o setor defensivo vinha inspirando confiança. E, desde que efetivou o 3-5-2, o Atlético venceu as três partidas que disputou, levando apenas um gol. Claro que parte do êxito deve ser creditada à fragilidade dos adversários e a outras mudanças além do esquema: técnico, alguns jogadores, astral... muita coisa mudou no Galo. Mas o esquema também tem sua cota de mérito. Contra a Ponte Preta, o gol da vitória foi marcado por Rubens Cardoso, o “novo” ala do Atlético.

Do lado azul, as coisas começaram bem: com três beques, o Cruzeiro venceu o Juventude, pela Sul-americana, e o São Caetano, pelo Brasileirão. Depois, vieram o empate contra o Flamengo e as derrotas para Internacional e Juventude. Contra o Inter, aliás, a derrota foi maíuscula: 4 a 1. Assim como no caso do rival, o esquema não é o único responsável pelos resultados. De qualquer forma, a moral da história é que, assim como tudo na vida, o que é bom para um, pode não ser tão bom para outro.

sexta-feira, setembro 02, 2005

Doni à romanesca

Agosto, o mês que nos deixou anteontem, é época de contratações internacionais. Momento de encher os escretes europeus de craques e deixar o Brasileirão um tanto mais carente. Fazer o quê? Se não posso manter nossos bons jogadores por aqui, chorarei no texto a seguir a tristeza de perdê-los.

O badalado Robinho chegou em Madri e, em menos de meia hora, deixou o mundo encantado. Sem querer ser chato, já vi muito perna-de-pau fazer jogadas de igual beleza. Até o Tuta, com todas suas limitações, fez um golaço no jogo de quarta. Até o próprio Robinho já fez jogadas muitos mais plásticas pelo Santos do que aquela pelo Real.

Tostão, um dos comentaristas mais sensatos do Brasil, forçou a amizade ao afirmar, em sua última coluna, que a jogada do moleque – no bom sentido, desta vez – foi uma das mais belas que seus olhos já viram. Ninguém nega que Robinho tenha um potencial enorme, mas aquele gol foi apenas 25% dele. Semelhante cota tiveram Beckham, Ronaldo e Raúl.

A ida de Fred para o Lyon foi a nona transferência mais cara da temporada européia. Interessante notar que Abramovic é mesmo riquíssimo, já que o Chelsea ocupa as duas primeiras posições do ranking, com as compras do ganês Michael Essien, ex-Lyon, e do inglês Shaun Wright-Phillips. Juntos, os dois custaram quase 70 milhões de euros aos cofres dos azuis.

Já os azuis de cá estão procurando um substituto para vestir a camisa que era de Fred. Fecharam com Araújo, ex-Goiás, que só vem em janeiro. Agora estão tentando trazer Marcel, ex-Coritiba. Mas a Acadêmica de Coimbra, atual equipe do atleta, tem feito jogo duro. De qualquer forma, são bons nomes, entre os centroavantes disponíveis no mercado.

Porém, a contratação mais pitoresca envolvendo brasileiros foi a do goleiro Doni, que deixou o Juventude para defender a Roma. Doni já jogou por grandes clubes brasileiros, mas certamente não faz parte de nenhuma lista dos melhores arqueiros nacionais.

No Corinthians, Doni foi titular, mas nunca convenceu a Fiel. No Cruzeiro, esquentou o banco por bastante tempo. No Juventude, se destacou tanto por belas defesas quanto por falhas que custaram alguns pontos ao time gaúcho. Ou seja, Doni é muito irregular. Pensando bem, ele é mesmo a cara da Roma dos últimos tempos.