terça-feira, maio 30, 2006

Aqui na terra tão jogando futebol

Os olhos do mundo esportivo estão voltados para os amistosos preparatórios para a Copa. E os brasileiros, querendo ou não, se vêem obrigados a acompanhar treinos monótonos e jogos desestimulantes. Domingo, a seleção ganhou de 13 a 1 dos sub-20 do Fluminense. Placar elástico, é verdade, mas o jogo(-treino) em si foi preguiçoso. Ah, se o Flu tivesse o Lenny...

Os comentaristas da ESPN Brasil diziam que a partida era importante para observarmos o padrão tático de Parreira. Eu só conseguia pensar em quem havia bancado a viagem intercontinental dos garotos de Xerém. Se era para a Seleção ganhar de 13, com essa facilidade, que fosse contra qualquer selecionado alpino.

Hoje teremos Brasil x Combinado de Lucerna. Outra goleada à vista. Enquanto o Brasil não arruma um adversário à altura, melhor falarmos do que está acontecendo por aqui.

  • O Atlético Mineiro demitiu o treinador Lori Sandri e já colocou Levir Culpi em seu lugar. Tudo bem que Lori não vinha agradando a torcida, mas Levir não é exatamente querido pelos atleticanos. Como diria um amigo, “com Levirce, o segundo lugar está garantido. E, como a meta do Galo é subir, ser vice está de bom tamanho”. Será que a torcida atleticana concorda?

  • Já está quase confirmado o retorno do meia Geovanni ao Cruzeiro. O jogador, que começou sua carreira no clube celeste, estava no Benfica. Com a contratação, o Cruzeiro deve desistir de Felipe.

  • Terminou no último domingo o Módulo II do Campeonato Mineiro. O campeão Rio Branco, de Andradas, e o vice Tupi, de Juiz de Fora, farão parte da elite do futebol mineiro em 2007.

  • Os paulistas também já conhecem os clubes que disputarão a divisão principal do campeonato estadual em 2007. São eles Grêmio Barueri, Sertãozinho, Guaratinguetá e Rio Claro. É impressionante como o bom futebol faz rodízio no interior paulista. O União São João, por exemplo, que há uma década atrás disputava a primeira divisão do Campeonato Brasileiro, já não consegue ficar entre os primeiros nem na Série A-2 do Paulista.

  • O Colo-Colo, de Ilhéus, venceu os dois turnos do Campeonato Baiano e se sagrou campeão, sem necessidade dos jogos finais. Estarão Bahia e Vitória trilhando o mesmo caminho do União São João? Quero crer que não.

sábado, maio 27, 2006

Era uma vez uma equipe amarela...

O início do campeonato estava muito próximo. As aulas de Educação Física ficaram mais sérias, com menos cara de pelada e mais cara de coletivo. O professor tinha chamado os capitães e definido as cores de cada equipe. O time do 2º ano B ficou com a cor amarela e era de longe a melhor equipe, tinha o melhor toque de bola, mais criatividade e alguns jogadores que davam show na quadra.

A competição foi marcada. Seriam mais quatorze dias de espera e uma grande festa, com toda a escola parando para assistir o jogo. O time estava animado e esbanjava confiança. Estava invicto nos jogos amistosos disputados e era considerado o grande favorito ao título. Era difícil conter o clima de oba-oba, os treinos eram grandes festas, com torcida e até batucada.

O campeonato interclasses finalmente tinha começado. O ginásio era bem pequeno e estava lotado. Os professores, as meninas, alguns funcionários, até mesmo alguns pais estavam lá. Na primeira partida, o Amarelo foi bem e ganhou com tranqüilidade do Vermelho. O jogo contra o Verde foi fácil, e eles se classificaram com 100% de aproveitamento depois de um jogo um pouco mais difícil contra o Branco.

A equipe amarela era pura pose. Invicta, confiante, rumo ao título. Os jogadores rejeitavam o rótulo de favoritos mais no fundo eles achavam que levantar o caneco era questão de tempo. Eles iam enfrentar o Azul, um time mais limitado, com alguns bons jogadores, mas sem o brilho da equipe amarela. O Azul tinha sido o segundo da chave C e tinha vencido apenas uma partida, contra a fraca equipe Cinza.

O jogo começou e, com menos de dois minutos, Lucas marcou o primeiro gol do time Azul. A equipe amarela estava estranha em campo e menos de cinco minutos depois o Azul fez o segundo gol, um frangaço, clássico, com a bola passando debaixo das pernas do goleiro. Os meias não criavam, os volantes não marcavam, os laterais não corriam, os zagueiros batiam cabeça, o goleiro tremia e os atacantes estavam isolados. O Amarelo estava totalmente perdido.

O Azul jogava fechado e defendia a vantagem de dois gols. O Amarelo ainda tentou reagir, mas o gol saiu tarde demais, no finalzinho do jogo. No fim do jogo, a decepção era enorme, a confiança na vitória era tanta que a ficha parecia não ter caído. O fato é que eles nem ficaram nervosos antes do jogo, entraram em campo calmos, relaxados. Relaxados demais.

Entrar em campo daquele jeito foi fatal e jogos eliminatórios são cruéis em alguns momentos. Sem chance de recuperação. Um dia ruim e pronto: todo o favoritismo vai pelos ares. E foi assim que o time Amarelo perdeu... O melhor que eu já vi jogar...

quarta-feira, maio 24, 2006

Tenho um pouco de verde, mas me falta o amarelo

Para quem tem alguns reais na reserva, a aquisição de bugigangas da Copa, oficiais ou não, deve estar sendo prazerosa. Camisas, figurinhas, DVDs, revistas. Isso sem contar os produtos menos, digamos, futebolísticos: já existem até picolés e chicletes em verde e amarelo, que fazem da atividade de mascar uma bizarra demonstração de patriotismo.

Confesso que às vezes vou na onda. O clima de Copa é mesmo contagiante. Na semana passada, comprei um pacote de sucrilhos, porque, além dos flocos de milho que adoro, ganharia de brinde um footbag nas cores do Brasil. Quem é da minha geração deve saber do que estou falando, ainda que seja apenas por causa do inesquecível game Jogos de Verão, do Master System.

Mas é preciso fazer escolhas. Apesar da água na boca, não comprei sequer um pacotinho de figurinhas. É que, vocês sabem, como em qualquer vício, um pacotinho puxa outro, que puxa outro, que acaba puxando a sua conta para o vermelho. Ou me dão alguma figurinha de presente ou ficarei sem a diversão autocolante.

Na tentativa de diversificar o cardápio à disposição do torcedor fanático e ansioso, o Diário da Tarde está lançando quatro DVDs com a preparação das seleções classificadas para o Mundial. Gols das partidas eliminatórias, perfis das maiores estrelas, o escambau. Boa idéia para sair da mesmice das histórias das Copas que a maioria já está cansada de saber. Ou tem raiva de quem sabe.

Mas não tenho grana para pagar pelos gols de Togo x Zâmbia ou Arábia Saudita x Uzbequistão. Ou ganho em alguma promoção ou ficarei sem saber como foi o gol de Zaccardo, o único da partida entre Itália e Eslovênia disputada em outubro.

Sejamos francos (suíços)

Nesse mar auriverde, é preciso separar o joio do trigo. Ontem, por exemplo, foi o primeiro dia de atividades da seleção brasileira em terras suíças. Algo que, a princípio, não mereceria mais do que uma notinha no pé de página dos grandes jornais, mas que vem ocupando bastante espaço nos cadernos esportivos. Rechear um caderno inteiro quando as atividades do mundo dos esportes andam escassas é mesmo tarefa hercúlea. O que dizer, então, sobre a tarefa de fazer soar os microfones da ESPN Brasil? Só podia dar nisso: overdose de Weggis.

A quem interessa saber se mulatas sambaram na inauguração do estádio suíço, que servirá de CT para os jogadores brasileiros? Pelo pouco que vi, a cidade, a estrutura que cerca os jogadores e tudo mais parece ser muito legal. Mas não me diz respeito. Os jornalistas que estão lá, cobrindo o dia-a-dia do escrete, devem estar adorando. Eu já estou enfadado. Quero que eles mudem as pautas. Ou me paguem uma passagem São Paulo-Zurique. E podem deixar por minha conta os trajetos de BH a São Paulo e de Zurique a Weggis.

terça-feira, maio 23, 2006

Resultado de enquete

Você torce mais por seu clube ou pela seleção?

Clube - 22 votos (66,67%)
Seleção - 11 votos (33,33%)


Total: 33 votos

sexta-feira, maio 19, 2006

Dissecando uma derrota

A dor é instantânea

O texto de hoje foi escrito sob a emoção do pós-jogo. Algo que pode ser fatal, como prega os padrões do bom jornalismo. Mas, sabem, a deadline do Montinho é rígida, coisa de quem chegou ao pódio do Cokering não por acaso e quer lá permanecer.

Porém, hoje o assunto é outro, bem mais funesto: a derrota do Ipatinga para o Flamengo. Se tivesse começado a escrever há uma hora atrás, este seria um texto chorão, sobretudo pelas chances desperdiçadas por Camanducaia e pelo pênalti não marcado em cima de Enrico. Mas, com o luto levemente aliviado, posso até dizer: a vitória flamenguista foi mere... não, já seria demais! É mais justo dizer que foi um jogo equilibrado, em que a sorte acabou sorrindo em vermelho e negro.

Os primeiros sintomas

Qual a semelhança entre Thierry Henry e Camanducaia? Ambos pressentiram que apenas uma dose de gols poderia não ser suficiente para a sobrevida de suas equipes e pediram paciência a seus companheiros. Da arquibancada, o que se viu foram demonstrações de fé e muitas orações. No fim, os dois provaram que seus prontuários estavam corretos e tiveram que dar a triste notícia.

Visitas de amigos

Desde o início de 2005, ser ipatinguense se tornou um belo cartão de visitas. Aqui em BH, ao me apresentar como natural do Vale do Aço, sou tratado como brasileiro em terras estrangeiras, o que nasceu na maternidade onde a bola rola mais redonda. Acredito que, neste ano, poderia estar em qualquer lugar do Brasil que o tratamento seria semelhante.

Infecção generalizada

Mas basta um toque no botão power para passar a me sentir argentino. É que as transmissões são feitas para os torcedores dos grandes times. Aos demais, que padeçam. Todos estão carecas de saber que sempre foi assim, mas sentir na própria pele é algo mais sintomático. Decerto, a Record foi pior enfermeira que Globo e sua SporTV, mas pelo menos aos paulistas conseguimos sobreviver. Meu instinto de torcedor me sugeria que talvez fosse melhor sucumbir ao Santos do que morrer nas praias cariocas. Seria mais épico. Mas esse meu instinto nada sabe de coisa alguma. Não sabe nem que o maior dos instintos é o de sobrevivência. Foi doce morrer no mar.

Ressurreição

Agora, é tempo de seleções. Torcida quadricolor, agora, só no fim de julho, quando tem início a Série C. Ano que vem teremos mais Copa do Brasil e vozes do além me sopram que uma nova campanha como essa é possível. Talvez até mais perfeitinha. Aos sobreviventes Flamengo e Vasco, meus gemidos de parabéns. Espero que sejam dois jogões, que verei com esses olhos que a terra há de comer.

quinta-feira, maio 18, 2006

Brasileiro não desiste nunca!

Quando cheguei, a sala do Centro Acadêmico já estava lotada. Sentei no chão e me acomodei como pude para ver a esperada final da Liga dos Campeões. Na TV, de sinal temperamental, Luciano do Valle e sua turma nos presenteavam com mais uma bela transmissão. Os clichês, como sempre, apareciam em abundância...

Arsenal na retranca, arriscando bons contra-ataques. Tudo dentro do esperado. Mas eis que Ronaldinho faz um lindo lançamento para Eto’o, que é derrubado pelo goleiro. Giuly ainda completou para o gol, mas o árbitro não validou o tento e marcou falta. Gritos e revolta no C.A. Apesar disso, muitos acharam que a expulsão do goleiro Lehmann deixaria o jogo mais fácil. Na cobrança, Ronaldinho mandou pra fora. Na prática, a retranca do Arsenal ficou bem mais forte.

“Time com um a menos joga melhor”

Defendendo com nove, às vezes com os dez, o Arsenal ainda achou um gol. Sol apareceu lá no alto e, com ajuda de Oleguer, é verdade, marcou o primeiro do jogo. Henry quis conter a euforia dos companheiros e nem comemorou muito, parecia ter lido as lições milanesas do passado.

Na volta para a segunda etapa, poucas mudanças. “Tihenry” continuava correndo muito, se livrando dos carrinhos de Rafa Marquez e dos aviõezinhos de Puyol. Ainda teve duas oportunidades claras para marcar.

A ressaca das convocações para a Copa do Mundo fazia eco no campo. O goleiro Valdez, que ficou de fora da seleção espanhola, se esforçava para fechar o gol do Barça. Giuly também parecia abatido por não participar do maior evento de futebol do mundo. Já Edmílson, convocado por Parreira, mostrou-se vítima de uma ressaca diferente e parecia querer justificar seus incríveis 16% de gordura corporal e dar uma força pro Ronaldo.

“Quem não faz, leva”

Thierry perdeu duas chances e já demonstrava cansaço. O Barça não estava nem um pouco morto e Eto’o, dessa vez, não refugou. Tocou para o meio e correu muito, para completar a jogada, segundos depois, com tranqüilidade. Com o empate, a tática inconsciente do Barcelona estava dando certo. Com o oponente cansado no ringue, as coisas pareciam mais fáceis. Bem, nem tanto.

Quando a chuva começou a cair, uma aura estranha já parecia estar em campo. Ronaldinho Showman Gaúcho ainda tentou algumas jogadas, mas faltava o elemento surpresa. E que surpresa! Larsson fez sua segunda assistência e eis que sai o gol da virada do Barcelona. O C.A explodiu. Gritos de comemoração e uma dúvida comum: quem fez o gol? “Acho que foi o Belletti”, disse um. Pois é, tinha sido ele mesmo.

Belletti estava incrédulo (eu também), mãos no rosto, chorando mesmo. E nesse momento a transmissão caiu... Na volta só consegui pensar em uma coisa: “o futebol é uma caixinha de surpresas”.

segunda-feira, maio 15, 2006

Talento Neto

No Guia dos Europeus da Placar, publicado em setembro último, havia uma página onde 12 pessoas – entre jornalistas, jogadores e ex-jogadores – davam suas opiniões sobre quais times venceriam os principais campeonatos nacionais, bem como a Liga dos Campeões. O texto de hoje mostrará que, tanto na vida quanto no futebol, ser vidente é tarefa das mais difíceis.

Só o Campeonato Espanhol derrubou a grande maioria dos apostadores. Oito dos 12 colocaram suas fichas no Real Madrid, enquanto apenas quatro apostaram no campeão Barcelona. As maiores barbadas saíram de Inglaterra, França e Alemanha: oito “palpiteiros” cravaram Chelsea, nove acreditaram no penta do Lyon e apenas dois duvidaram do Bayern de Munique.

Na Itália e em Portugal, os votos ficaram divididos. Milan e Porto receberam cinco votos, Inter e Benfica ficaram com quatro apostadores, enquanto apenas três confiaram em Juventus e Sporting. Ou seja, a Juve também passou uma rasteira em muitos entendidos de futebol, embora ainda possa perder o scudetto devido às suspeitas de fraude que estão vindo à tona.

Pela Liga dos Campeões, Chelsea e Milan eram favoritos para a equipe consultada por Placar: cada um obteve quatro votos. Os outros votos foram pulverizados, um para cada time. E o único que ainda pode “acertar no milhar” é o ex-volante Mauro Silva, que disse que o Barcelona venceria o torneio. No Arsenal, o outro finalista, ninguém apostou.

O campeão dos palpites até agora é o francês Alex Julliard, do jornal francês L’Equipe. Das sete previsões, ele acertou cinco. Seus únicos tiros n’água foram Manchester United campeão inglês e Lyon campeão da Liga. Caso o Barcelona confirme o seu favoritismo na próxima quarta-feira, Mauro Silva igualará Julliard no número de acertos.

Um detalhe curioso é que um dos “palpiteiros” foi Amoroso, à época jogador do São Paulo. Ele apostou que a Inter seria campeã italiana e, logo depois, se transferiu para o rival Milan. Amoroso teria um atenuante para o erro se fosse responsável por vitórias milanistas. Mas como a campeã foi a Juventus...

Mas ninguém se destacou tanto quanto Neto, comentarista da Band. Das sete previsões, Neto conseguiu errar todas: apostou em Real Madrid – para o Espanhol e para a Liga –, Milan, Arsenal, Schalke 04, PSG e Benfica. Tomara que ele se simpatize com a seleção Argentina na época da Copa.

domingo, maio 14, 2006

Com que roupa?

As cores de algumas seleções de futebol são tão tradicionais que às vezes nem nos damos conta do que leva a seleção holandesa, por exemplo, a vestir laranja, uma vez que a bandeira batava é azul, branca e vermelha. Como explicar, então, a mística da Squadra Azzurra, uma vez que o pendão italiano é verde, branco e vermelho?

Claro que há uma explicação. E, nos casos italiano e holandês, o motivo é semelhante. O azul da seleção italiana é a cor da Casa de Savóia, a família real que reinou na bota até a Segunda Guerra Mundial. O curioso é que o azul de Savóia é bem claro, celeste, mas em algumas ocasiões a tradição foi deixada de lado e os italianos já chegaram a jogar com um azul mais forte.

Na Holanda, o alaranjado das camisas homenageia a dinastia de Orange. A cor, inclusive, já fez parte da bandeira nacional, mas foi substituída pelo vermelho porque desbotava com facilidade. Nesta Copa, depois de muito tempo, o segundo uniforme holandês será branco, com detalhes vermelhos e azuis.

Há ainda o caso australiano, que joga de verde e amarelo, enquanto as cores da bandeira são azul, branco e vermelho. O uniforme auriverde segue as cores da Golden Wattle, flor-símbolo do país. O orgulho nacional australiano é verde e amarelo. As cores do Império Britânico normalmente são evitadas.


Interessante perceber que na Holanda, na Itália e na Austrália, não só o futebol, mas a maioria dos esportes segue as cores dos símbolos nacionais e não da bandeira. A seleção japonesa, por sua vez, também não segue as cores da bandeira, mas por um motivo distinto. Enquanto o pavilhão japonês representa o sol nascente, vermelho sobre um fundo branco, os atletas nipônicos jogam de azul simplesmente porque esta é a cor da Associação Japonesa de Futebol. No fim da década de 80, os japoneses experimentaram jogar com camisas brancas e calções vermelhos, mas a combinação foi abandonada por um motivo não menos pitoresco: o uniforme alvirrubro parecia trazer azar.

Os alemães também homenageavam a federação local: até pouco tempo, o segundo uniforme da seleção era verde. Na Copa de 2002, a tradição foi quebrada e a camisa reserva passou a ser preta. Para esse Mundial, o segundo uniforme passou a ser vermelho e branco. E tem gente gostando tanto da nova opção que deseja que esta se torne a principal. Esses alemães...

sábado, maio 13, 2006

Resultado de enquete

Qual time será o campeão da Copa do Brasil?

Vasco - 12 votos (42,86%)
Ipatinga - 11 votos (39,29%)
Flamengo - 4 votos (14,29%)
Fluminense - 1 voto (3,57%)

Total: 28 votos


sexta-feira, maio 12, 2006

A lista de Parreira

Apesar de ser quase impossível alguma novidade surpreendente a essa altura, a expectativa é grande para saber quem vai à Alemanha.

Parreira disse ontem, no lançamento de um livro de sua autoria, que a lista já está pronta. Teoricamente, então, uma boa atuação neste fim-de-semana não carimbará o passaporte de ninguém. Mas é bom também que ninguém descanse na última rodada que falta, apesar de nosso treinador ser avesso a mudanças de última hora.

Para o gol, Dida e Júlio César estão praticamente assegurados. A terceira vaga deve ficar com Marcos. Gomes e Rogério Ceni correm bem por fora.

Na zaga, apenas Lúcio está 100% na Copa. Juan e Roque Júnior, apesar de não serem unanimidades, também devem garantir a vaga. Edmílson, Luisão e Cris estão na briga pela quarta vaga, que pende para Edmílson devido a sua polivalência.

Na lateral-direita, Cafu e Cicinho são favas contadas. Quase ninguém mais espera Belletti ou Maicon na Copa. Pelo lado esquerdo, Roberto Carlos já é o dono da camisa 6. Gustavo Nery e Gilberto disputam a outra vaga, com vantagem para o corintiano. A hipótese de Parreira levar apenas Roberto Carlos para o setor também não está descartada. Assim, Zé Roberto poderia eventualmente ser escalado na lateral, abrindo mais uma vaga para outra posição.

É provável que Parreira leve para a Alemanha oito jogadores de meio-campo, entre volantes e meias ofensivos. Emerson, Juninho Pernambucano, Zé Roberto, Kaká e Ronaldinho Gaúcho podem se considerar convocados. Gilberto Silva e Ricardinho têm a confiança do treinador e dificilmente ficarão fora do Mundial. Renato e Júlio Baptista também não seriam surpresas. Alex, apesar de ser um nome querido pelos torcedores, deve mesmo ficar de fora.

Mas é o ataque que guarda o maior mistério do rol elaborado por Parreira. Com Ronaldo, Adriano e Robinho garantidos, sobra uma vaga. Nosso treinador arriscará suas fichas em Ricardo Oliveira, seu preferido, mas que retorna de contusão? Confiará no faro de artilheiro de Fred? Ou se renderá à boa fase de Nilmar? Quem viver verá.

quinta-feira, maio 11, 2006

Tanta coisa no menu

Faltando um mês para a Copa, assunto não haveria de faltar. Eu poderia tentar apontar os favoritos ou as possíveis surpresas. Poderia achar explicações para que esta ou aquela seleção possa decepcionar na Alemanha. Poderia garimpar, entre tantos craques, quais têm reais chances de ser o melhor do Mundial ou o artilheiro.

Com a lista de Parreira saindo na próxima segunda-feira, poderia tentar adivinhar quais jogadores teriam o passaporte carimbado e quais ficariam de fora. Teria como opção, também, analisar o plantel convocado pelos treinadores de Austrália, Equador, Inglaterra e Suécia, que não esperaram o prazo final e já divulgaram seus escolhidos.

Saindo um pouco do tema Copa do Mundo, poderia falar do passeio de ontem, em Eindhoven, pela final da Copa da UEFA: Sevilla 4 x 0 Middlesbrough, fora o baile. Ou falar sobre os brasileiros envolvidos na disputa: Rochemback do lado inglês; Adriano, Daniel Alves e Luís Fabiano, pelo time andaluz.

Sobre os jogos em terras sul-americanas, também teria assunto: São Paulo e Inter disputaram ontem – e perderam – suas partidas de ida das quartas-de-final da Libertadores. A Copa do Brasil também daria o que falar: empate entre Ipatinga e Flamengo e muita expectativa para o clássico entre Vasco e Fluminense.

Claro que outra pauta importante seriam as nossas novidades para a Copa, que estão estreando hoje. Até o fim do Mundial, teremos decoração comemorativa, além de pílulas com curiosidades, que serão publicadas a partir de amanhã.

Mas, como diz a letra da música de Raul Seixas, “é tanta coisa no menu, que em nem sei o que comer”. Isso é o futebol!

terça-feira, maio 09, 2006

Resultado de enquete

Quais serão os campeões da Liga dos Campeões e da Copa da UEFA?

Barcelona e Sevilla - 12 votos (60,00%)
Barcelona e Middlesbrough - 6 votos (30,00%)
Arsenal e Sevilla - 2 votos (10,00%)
Arsenal e Middlesbrough - nenhum voto

Total: 20 votos

segunda-feira, maio 08, 2006

Torcedores profissionais

Os jogos de futebol chegam ao fim e as entrevistas são sempre as mesmas. As declarações se repetem e trazem com elas elementos que parecem ensaiados. Aspas e mais aspas contendo as mesmas informações vão para os jornais, e o jornalismo esportivo se renova em um ciclo vicioso e viciado que mostra as mesmas perguntas acompanhadas das mesmas respostas. No meio da mesmice uma das palavras chaves é "profissionalismo". Os jogadores alegam que são profissionais em diversas situações e essas afirmações passam cada vez mais despercebidas.

O propagado profissionalismo é muitas vezes utilizado para se contrapor à paixão que permeia o futebol. Um profissional muda de empresa, se ele recebe uma proposta melhor de outra, certo? Bem, nem sempre. Mas a alegação dos atletas não é sem sentido. Eles têm que pensar na carreira, na família, neles mesmos. Mas fico pensando: como fica o torcedor nesta história toda?

O torcedor não é profissional. Não recebe e nem muda de clube se ele vai mal (pelo menos a maioria deles). As paixões por vezes até aumentam, quando a equipe do coração está mal. São sentimentos profundos que estão em jogo. Mas será mesmo que não existem torcedores profissionais? Olhei no dicionário, e estava lá: "profissional - relativo a profissão; quem faz uma coisa por ofício"; "profissão - atividade ou ocupação especializada, da qual se podem tirar os meios de subsistência".

Muitos torcedores estão bem próximos dessas definições, vinculados a empresas, que se dizem organizadas. Eles transformam o ato de torcer quase em um meio de ganhar a vida. As torcidas organizadas estão cheias desse tipo de torcedor e muitas vezes são comandadas por eles. A relação entre clube e torcida é muito diferente da relação entre clube e torcida organizada. É muito comum ver a liderança das grandes torcidas com uma opinião totalmente diferente da torcida propriamente dita.

Algumas funcionam como grandes gangues, onde a agressividade de muitas pessoas parece ganhar corpo. E isso não é só no Brasil. Barra Bravas, tifosi, hooligans: muitos nomes, os mesmos problemas. Na antiga Iugoslávia, as torcidas organizadas de times como o Estrela Vermelha, de Belgrado, por exemplo, se transformaram em eficientes milícias armadas. Grupos que produziram grandes estragos em nome do nacionalismo sérvio.

No Brasil, observamos batalhas campais entre torcedores de equipes rivais. Vimos também torcidas organizadas que apóiam dirigentes em troca de agrados e benefícios. Alguma coisa parece estar errada quando churrascos e passagens de ônibus valem mais do que o sucesso do time do coração.

Torcidas organizadas do mundo todo são, muitas vezes, redutos de sentimentos que a sociedade há muito tempo busca eliminar. Não é raro assistirmos a demonstrações de xenofobia, racismo, violência ou agressividade, que se manifestam com facilidade impressionante. Claro que não estou colocando todos os integrantes das organizadas no mesmo "saco", o que me impressiona é a quantidade de "laranjas podres" que se escondem nestes grupos.

As facções organizadas deveriam acabar? Não tenho essa resposta. Medidas preventivas, unindo iniciativas de segurança e educação, seriam muito bem-vindas. Muitos países já evoluíram bastante nesta direção. Como vimos na confusão do jogo do Corinthians, a maioria dos torcedores não agiu com violência. Apesar disso, foram muitas cenas lamentáveis. É triste. Desse jeito, a "torcida de verdade" fica cada vez mais distante dos estádios.

sábado, maio 06, 2006

Rebeldes sem causa

Antes de qualquer coisa, um aviso: este texto não pretende passar sermão em ninguém, nem no mais exaltado dos torcedores corintianos responsáveis pelo caos do Pacaembu. Não vou lembrar aos leitores de que os arruaceiros formam apenas uma pequena fração da imensa torcida alvinegra. Disso, já estamos cansados de saber. Nem vou cobrar de ninguém medidas enérgicas. Talvez faça isso outro dia.

Sabemos que, por mais eficientes que sejam as medidas de combate à violência, dentro ou fora dos estádios, ela só acabará quando houver um pouco de boa vontade e consciência por parte de quem a pratica. Boas idéias para conter a agressividade são sempre bem-vindas. Mas as medidas punitivas costumam não ser tão eficientes – já que os atos e seus autores costumam ser completamente inconseqüentes – e as medidas preventivas costumam demandar uma estrutura e dinheiro que não temos. Por mais que tentemos, a barbárie só irá cessar quando os próprios vândalos deixarem de ser espíritos de porco, o que, no caso dos corintianos, deveria ser algo desejado.

Por isso tudo é que as cenas do último jogo do Corinthians foram tão impressionantes. Atos violentos de revolta, apesar de nunca serem justificáveis, costumam ter uma motivação clara. Se o juiz chileno Carlos Chandía tivesse garfado flagrantemente o Timão, estaria tudo mais óbvio. Se o alvinegro paulista estivesse numa má fase de dar dó, talvez poderíamos entender melhor o que aconteceu. Mas não foi nem um caso, nem outro.

O futebol é assim mesmo. Mais: partidas eliminatórias são assim mesmo. Se nem sempre o melhor vence, imaginem então quantas vezes um confronto equilibrado acaba sendo decidido nos detalhes, como aconteceu na última quinta-feira. Por isso, toda a revolta dos torcedores corintianos acabou soando como a ira dos rebeldes sem causa. Por acaso eles julgam que os craques do primeiro tempo se tornaram pernas-de-pau no intervalo?

Fiquei curioso para saber o que teria acontecido se a polícia não conseguisse controlar com surpreendente destreza a situação. Claro, não estava sedento por sangue, muito antes o contrário. Mas daria meu reino para saber em quem os furiosos torcedores pretendiam descontar sua cólera. No, até então ídolo, Tevez? Nos argentinos do River, que nada fizeram além de jogar um futebol levemente superior à bola corintiana?

Não, eu não entendo. Aos nervosinhos, resta agora se acalmar e torcer – sem invasões, de preferência – para que o Corinthians garanta vaga para a Libertadores do ano que vem e recomece a escalada rumo ao sonhado título inédito, por ora abortada. É claro que eles encontrarão tempo para dar aquela azarada nos são-paulinos, a fim de evitar o tetra do time do Morumbi. A operação seca-tricolor já começa neste domingo, com o clássico em São José do Rio Preto.

segunda-feira, maio 01, 2006

Falsos brilhantes

Analisando elenco por elenco, qual o melhor time do Brasil? Acredito que a maioria dos não-embriagados pelas paixões clubistas concordaria comigo: no papel, o melhor time do país é o Corinthians. Sebá, Gustavo Nery, Marcelo Mattos, Mascherano, Ricardinho, Roger, Carlos Alberto, Rosinei, Nilmar, Tevez. Qual torcedor não aceitaria com prazer um desses vestindo a camisa de seu time? Na equipe corintiana, nem todos são titulares.

Todavia, o Corinthians não inspira a confiança de muitos. A fase de contratações milionárias começou no início de 2005, quando o time anunciou a badalada parceria com a MSI. De lá para cá, os neogalácticos paulistanos conquistaram um controverso Brasileirão. Título cobiçado, é verdade, mas pouco para uma equipe que ameaçou construir uma dinastia. O rival tricolor, por exemplo, que conta também com um ótimo time – mas muito menos alardeado –, conquistou um Paulista, uma Libertadores e um Mundial Interclubes no mesmo período.

No último Paulistão, um modesto sexto lugar. Ontem, o Corinthians experimentou sua segunda derrota em três partidas pelo Brasileirão. Ainda é cedo para prognósticos, mas o time do Parque São Jorge pode não ser aquele favorito que muitos julgavam. Em comum com os galácticos madrilenos, o fato de não ser uma equipe, na acepção mais altruísta da palavra.

Os anti-galácticos

Qual seria, então, a equipe que, mesmo sem um elenco estelar, consegue praticar um futebol bonito e eficiente? São Paulo e Santos têm tido bons resultados na temporada, mas seus elencos não são propriamente modestos. O Fluminense começou bem o Brasileirão, mas não fez um bom Campeonato Carioca. Ou seja, ainda é um time inconstante.

Já o Internacional conta com um plantel longe de ser galáctico. Fernandão, Sóbis e Tinga talvez sejam as exceções, craques em meio a bons jogadores. O Inter, porém, só tem uma derrota em todo o ano de 2006 – 1 a 0 para a Ulbra, pelo Gauchão – e, mais importante, tem cara de equipe: é entrosado e joga de modo simples e objetivo, sem estrelismo Prova disso é a vitória de ontem, sobre o Flamengo, sem nove titulares, incluindo os três fora-de-série. Acha pouco? O Colorado é o time brasileiro em situação mais confortável na Libertadores, já que venceu o primeiro jogo das oitavas. E na casa do adversário.

A luz no fim do túnel

Os grandes cariocas, quem diria, estão vivendo um bom momento, tanto no Brasileirão quanto na Copa do Brasil. Fluminense e Vasco, após empatarem entre si, estão entre os invictos do campeonato nacional e, juntamente com o Flamengo, podem garantir vaga nas semifinais da Copa do Brasil no meio da semana. O Campeonato Brasileiro está só com três rodadas realizadas, é verdade. Mas as semi já são uma realidade e – pasmem – os cariocas são favoritos em seus confrontos.