segunda-feira, fevereiro 20, 2006

O dia em que Davi derrotou Golias na casa do gigante*

* Este texto está participando da promoção Meu Jogo Inesquecível, do blog Caroço. Recomendo aos leitores a também contarem suas histórias por lá.

Final do Campeonato Mineiro de 2005. Ainda está fresco na memória, visto que aconteceu a menos de um ano. Mas estou certo de que o contarei aos meus netos com a mesma riqueza de detalhes que agora vos digo e, mesmo naquele dia, os fatos virão à minha mente como se tivessem acabado de ocorrer.

Para falar dessa partida é necessário voltar um pouco no tempo. Nas semifinais do Campeonato Mineiro, o meu Ipatinga havia derrotado a URT e o Cruzeiro havia passado pelo Atlético. O time celeste havia cedido vários jogadores ao Ipatinga e a final do campeonato estava sendo tratada como o confronto da matriz com a filial. Particularmente, este papo já havia me torrado a paciência. Estava torcendo muito para que o gol da nossa vitória fosse marcado por um atleta do Cruzeiro, para que todos vissem que nenhum de nossos jogadores hesitaria em marcar contra o time que os revelou.

Pois na primeira partida da decisão, disputada no Ipatingão, o resultado não foi muito animador. O Tigre saiu na frente, com gol de Kanu. Mas, a dez minutos do fim, houve uma confusão na nossa área e o volante Charles acabou marcando contra.

Com o empate, precisaríamos de uma vitória dali a uma semana para nos sagramos campeões. E vencer o Cruzeiro no Mineirão, vocês sabem, é tarefa das mais ingratas. Nos três confrontos anteriores entre as duas equipes, perdemos duas e empatamos uma partida. Eles nos venceram por 2 a 1 na primeira fase do Mineiro e, pouco tempo depois, nos despacharam com um 3 a 0 válido pela Copa do Brasil. Sob este ponto de vista, o empate poderia até ser considerado uma evolução, mas os três jogos foram disputados nos nossos domínios. Teríamos que jogar muita bola se não quiséssemos nos contentar com o vice-campeonato.

Na semana entre os dois jogos, muita expectativa e os prognósticos eram claramente favoráveis ao time da capital. Conversando com um amigo – atleticano, é bom que se diga – , veio a luz no fim do túnel na qual confiei: “cara, imagine se o Ipatinga tivesse vencido. Neste segundo jogo, ia ser retranca do início ao fim. Com o empate, acho que o jogo vai ser bem melhor e acredito até que o Ipatinga tenha alguma chance”.

Se existia alguma chance, mesmo que mínima, era por ela que iríamos torcer. Perguntei a um amigo, este cruzeirense, se a derrota ia ser mesmo dolorosa, já que, segundo os próprios celestes, o Ipatinga era um Cruzeiro B. “Isso é papo de imprensa e de torcedor querendo alfinetar os atleticanos. A derrota irá doer do mesmo jeito, talvez até mais”, ele me confessou.

Com a bola rolando, as previsões da imprensa mineira foram caindo e as minhas esperanças iam, pouco a pouco, tomando forma. Mais de 53 mil cruzeirenses empurravam a equipe, mas foi o time de verde que começou melhor. E, logo aos cinco minutos, Léo Medeiros chutou cruzado, a bola quicou no montinho artilheiro e entrou no lado esquerdo do gol guardado por Fábio.

Exatos dez minutos depois, em escanteio cobrado pelo mesmo Léo Medeiros, o zagueirão Willian subiu e escorou, de cabeça. Dadá Maravilha que me desculpe, mas naquele momento nosso capitão parece ter também parado no ar. Não que tenha subido muito, pois com seu metro e noventa não foi necessário. Mas o tanto que pulou foi suficiente para ampliar nossa vantagem no marcador.

Apesar da folga no placar, nosso time continuou atacando durante toda a etapa inicial, deixando dúvidas sobre quem era a equipe grande e quem era o time pequeno. Não dava mais para dizer, àquela altura, quem era a matriz e quem era a filial.

No segundo tempo, voltamos mais cautelosos, mas, ainda assim, levamos perigo em alguns contra-ataques. O jogo passou a ser igual, mas já parecia ser tarde demais para os azuis. Em especial, após a expulsão do lateral Ruy. Faltando quinze minutos para o fim da partida, estávamos com um jogador a mais e dois gols de frente. Teriam eles condições de reverter essa situação?

O gol de Fred, a dez minutos do fim, fez com que prendéssemos o grito por mais alguns instantes. Mas, no fim das contas, a taça ficou com o melhor e mais aguerrido time do campeonato. Nada de vitória na sorte, nada de mãozinha do juiz. Ganhamos porque merecemos. E, pela primeira vez na história, um time do interior de Minas deu a volta olímpica no Mineirão. Cruzeirenses, atleticanos, flmeguistas e corinthianos terão de me desculpar, mas o gostinho de ser campeão com um time que tem menos de oito anos de história é especial.

Lembrei-me de tudo que havia ocorrido durante a semana. O herói da final foi Léo Medeiros, atleta do Cruzeiro emprestado ao Tigre. Como eu havia desejado. O Ipatinga jogou para frente, pois precisava da vitória. Como meu amigo atleticano havia previsto. E o time celeste ficou realmente abatido com a derrota e, após várias temporadas, fechou o ano sem uma taça. Como meu amigo cruzeirense temia.

Jogo: Cruzeiro 1 x 2 Ipatinga (final do Campeonato Mineiro 2005)
Data: 17 de abril de 2005
Local: Mineirão (MG)

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Resultado de enquete

Qual o adversário mais forte que o Brasil enfrentará na primeira fase da Copa?

Croácia- 9 votos (37,50%)
Japão - 8 votos (33,33%)
Austrália - 7 votos (29,17%)

Total: 24 votos

sábado, fevereiro 11, 2006

Férias no Rio


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To: Leitores do Montinho
From: Marcelo Morato
Date: Sat Feb 11 2006
Subject: Férias no Rio
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Olá, amigos,

Eu e a Livinha passamos as férias no Rio. Queríamos ter escrito antes, mas não pudemos. Conhecemos vários lugares bacanas. Em Copacabana, que fica pertinho de onde estávamos hospedados, por exemplo, o pessoal curte mesmo futevôlei. O engraçado dessa história toda é que a disputa de um ponto raramente dura mais que dez segundos. Esse jogo não é para qualquer um. Mas eles se divertem mesmo quando a bola fica na rede. De qualquer maneira, tenho um pressentimento que nós, do Montinho, não conseguiríamos fazer muito melhor.

Falando em Copacabana, foi no forte de lá que foi exposta a Copa do Mundo. O pessoal dizia que era a taça da Copa, mas isso nos soa meio pleonástico. Os organizadores disseram que mais de 12 mil almas compareceram ao acontecimento, mas, pelo que pudemos ver quando lá estivemos, a Copa não está com essa bola toda, não. Ainda assim, foi legal ver a Copa de pertinho. Ainda mais porque lá no evento rolou refri, FIFA Soccer e totó, tudo 0800. Tinha também curiosidades sobre as Copas em tudo quanto era parede, mas nada que nós – eu, a Livinha e vocês – não soubéssemos.

Mais legal ainda foi a reinauguração do Maracanã. Como fomos com amigos botafoguenses, ficamos do lado da Estrela Solitária. Fora o sol de 40 graus, foi tudo muito legal. Os próprios jogadores hão de concordar conosco, já que no primeiro tempo, com sol a pino, vimos apenas um gol. Na etapa final, com o tempo mais ameno, foi um festival de gols. Só o Romário fez três.

Como vocês já devem saber, o jogo terminou 5 a 3 para o Botafogo. Foi um jogaço. Para se ter uma idéia, até o Ruy jogou bola. Aliás, a torcida daqui também o chama de Cabeção, tal qual a do Cruzeiro. Outra coisa engraçada é que no estádio havia quatro bandeiras da Galoucura, uma do lado do Botafogo e as outras três na torcida do Vasco.

Foi interessante observar as diferenças entre o futebol daqui do Rio e o de Minas. O futebol carioca me parece mais solto, mais do drible do que do passe, mais do individual do que do coletivo. Parece mais uma pelada, no bom sentido da palavra. Isso explicaria os oito gols. Esse tipo de coisa não fica muito claro visto pela TV, mas da arquibancada dá pra ver direitinho.

Mas tem coisas que tornam o futebol universal. Quando o Vasco ganhava por 2 a 1, ecoou no estádio os gritos de “time da virada”, como de costume. E, ao final do jogo, os botafoguenses saíram cantando algo que, com o perdão do nosso amigo capixaba, achei muito legal: “um, dois, três, quatro, cinco, mil... time da virada é a p. que p.”. É, amigos, torcedor é torcedor em qualquer canto do mundo. E é isso que faz do futebol algo tão fantástico.

Abraços,

Morato.