Nivelado pelo meio
Não sou muito a favor de que os clássicos regionais sejam disputados todos na mesma rodada. É que clássico, seja ele qual for, quase sempre é um jogo muito gostoso de se assistir. Imaginem ver um Grenal num fim-de-semana, um Atletiba no sábado seguinte, seguido de um Atlético x Cruzeiro. Emoções garantidas a cada semana.
Como se não bastasse, os clássicos, desta vez, ficaram todos espremidos no sábado, vários acontecendo ao mesmo tempo, já que amanhã teremos jogo da seleção. Acabei assistindo a Santos e São Paulo, que foi a opção que a Vênus Platinada me ofereceu.
Disputada entre equipes que freqüentam a ponta de cima da tabela, badaladas pela imprensa como favoritas ao título e comandadas por dois treinadores que eu admiro, a partida da TV de hoje tinha tudo para ser um jogão. Já adianto que não foi bem assim.
O São Paulo começou melhor. Bem melhor, aliás. Mas começou a perder o jogo logo no início, pois este era o momento para massacrar o setor defensivo santista, que não é tão bom quanto dizem por aí. O tricolor foi excessivamente cauteloso, jogando nos contra-ataques, mas ainda assim inaugurou o placar. Aos 24 minutos. O jovem e promissor zagueiro Domingos, do Santos, escorregou, Vélber agradeceu e cruzou para Danilo, de cabeça, abrir o placar.
O São Paulo crescia no jogo, quando, aos 32, sofreu um contra-ataque. Robinho venceu a marcação e, pela direita, cruzou para Deivid, que só teve o trabalho de empurrar.
A partir daí, o que se viu foi uma partida de um time só. O Santos pressionava, mas poucas vezes levava real perigo ao gol defendido por Rogério Ceni. Ainda no primeiro tempo, o Santos teve um gol de Robinho corretamente anulado e, logo após, Elano tentou cruzar e acertou a trave são-paulina.
Na segunda etapa, a expulsão do zagueiro Fabão, do São Paulo, facilitou as coisas para o Peixe. Aos 12 minutos, o beque foi expulso por duas entradas fortes em Basílio, quase em seqüência. Ainda assim, o time santista foi pouco objetivo.
Já nos acréscimos, quando a partida caminhava para um modesto empate, Ricardinho cobrou falta da entrada da área, decretando a virada do Peixe.
Clássico acabado, hora das conclusões: os dois times são bons, com potencial para serem campeões, mas não são os principais favoritos, como afirmou Casagrande durante a transmissão. Casão apontou também o Palmeiras como candidato ao caneco. Se “esqueceu” de São Caetano, Cruzeiro, Internacional e, principalmente, ignorou que ainda tem muito jogo pela frente.
Também é relevante dizer que o jogo poderia ter sido decidido a favor do São Paulo, ainda no primeiro tempo. E que, apesar dos dois técnicos estarem entre os melhores do Brasil, Luxemburgo ainda é bastante superior ao seu colega tricolor.
Por último, mas não menos importante, destaco a crescente melhora técnica do campeonato nas últimas rodadas. Se a competição começou entediante, já está bem longe disso. Serei prudente em não a classificar ainda como o melhor Brasileirão dos últimos tempos. Por ora, estamos “nivelados pelo meio”.










