terça-feira, agosto 30, 2005

Queijo Minas

O último fim-de-semana foi muito intenso para os clubes mineiros. Tanto para os grandes de Beagá, quanto para os que tentam se dar bem na duríssima Série C. Teve ainda a última rodada do Módulo II do Campeonato Mineiro. Para não nos perdemos em meio a tantas novidades, o texto de hoje vai fatiado. Sirva com café fresco.

  • O Cruzeiro perdeu Fred para o Lyon e pode também ter perdido o rumo. Os acachapantes 4 a 1 contra o Inter são uma alerta: se o time almeja alguma coisa ainda nesta temporada, é bom que contrate logo outro goleador. Do nível de Fred, porém, vai ser muito difícil encontrar.

  • O Atlético, por sua vez, surpreendeu até o próprio torcedor ao vencer a terceira partida seguida no Brasileirão. E logo contra a Ponte Preta, tradicional algoz do Galo. Agora, tem muito alvi-negro achando que dá até para beliscar uma vaga na Sul-Americana. Exageros à parte, ainda é muito cedo para qualquer prognóstico. Mas foi suficiente para que muitas camisas listradas saíssem do fundo do armário.

  • Villa Nova e América empataram em um gol pela penúltima rodada do Grupo 14 da Terceirona. O empate classificou o Leão, mas foi muito ruim para o Coelho. Tanto que o técnico José Ângelo preferiu pegar o boné. O América será treinado agora por José Maria Pena, que pode ficar apenas 90 minutos no comando da equipe. É que o time precisa não só ganhar, mas depende de resultados para se classificar.

  • Os outros dois times mineiros na Série C também empataram no fim-de-semana. No Grupo 13, o Ituitaba, jogando em casa, ficou nos 2 a 2 com o Rio Branco de São Paulo. E, pelo Grupo 9, o Ipatinga arrancou um ótimo 1 a 1 contra o Americano, em Campos. Agora, tanto o Tigre como o Ituiutaba precisam apenas de um empate na última rodada para se classificarem.

  • Falando em última rodada, os mineiros conheceram os dois times que conseguiram o acesso ao Módulo I do Campeonato Mineiro no ano que vem. São eles Democrata de Governador Valadares, campeão do Módulo II, e Uberlândia, vice.

sexta-feira, agosto 26, 2005

Lado B

Quem já soprou mais de vinte velinhas deve ter em casa pelo menos alguns LPs. E também deve se lembrar de como funcionava as coisas na época em que o bolachão reinava: do lado A, o mais nobre, ficavam os hits e as músicas com maior apelo comercial. Do lado “de trás” se escondiam as faixas que provavelmente não estourariam nas rádios, o que não significava, necessariamente, queda de qualidade.

Assim também é o Brasileirão. Com o campeonato enxuto para viabilizar a fórmula de pontos corridos, alguns “top 20” tiveram que cair para o lado B. Times que já “tocaram” muito em outros tempos. É uma pena que atualmente poucos possuam vitrola ou TV por assinatura em casa para apreciar o melhor do lado B.

Assim como em um vinil dos Beatles não havia músicas ruins, a nossa Série B também tem times jogando por música. O Santa Cruz vem liderando com certa facilidade e já está classificado para a próxima fase, que certamente será composta por oito boas equipes – em certos casos, melhores até que alguns times da divisão principal.

Junto com o Santa, o Grêmio e o Santo André também já carimbaram os passaportes para a segunda fase. O tricolor gaúcho, aliás, é outro forte candidato a voltar para o lado A no ano que vem e deve fazer valer o peso da tradição nas fases finais. Outras equipes que também devem se classificar são Marília, Portuguesa e Avaí.

A prova do equilíbrio da Série B é o Sport. Mesmo com boas atuações, o time da Ilha do Retiro está apenas em nono e pode ficar de fora das fases finais. Mas a decepção da divisão de acesso é mesmo o Bahia. O time está apenas na 17ª colocação e corre sério risco de ser rebaixado para a Série C. Assim como o Paulista, atual campeão da Copa do Brasil, que está na zona de rebaixamento.

A primeira fase da Série B está a duas rodadas do final, apesar de alguns times ainda terem três jogos por fazer. No quesito organização, a Segundona ainda é, digamos, um pouco avacalhada. Ainda assim, nosso lado B tem merecido ao menos uma conferida, ainda que esteja longe dos holofotes e das paradas de sucesso.

quinta-feira, agosto 25, 2005

Futebol de gente grande

Hoje foi o grande dia do início da temporada européia. Dia de premiar os destaques da última Liga dos Campeões e de sortear os grupos da primeira fase desta edição. O Chelsea levou dois prêmios para Stamford Bridge: o de melhor goleiro, com o tcheco Petr Cech, e o de melhor defensor, prêmio dado ao inglês John Terry. Kaká, do Milan (melhor meia), e Ronaldinho, do Barcelona (melhor atacante), foram os brasileiros premiados. O troféu principal, de melhor jogador do futebol europeu, foi para o volante inglês Steven Gerrard, do Liverpool.

O sorteio aprontou confrontos curiosos: as duas semifinais do ano passado – Milan x PSV e o clássico inglês Liverpool x Chelsea – serão reeditadas este ano, ainda na primeira fase. Como de costume, os grupos estão muito equilibrados e é difícil fazer prognósticos em quase todos os casos. A seguir, os grupos na íntegra. Classificam-se os dois melhores de cada grupo para a fase eliminatória.

Grupo A - Bayern de Munique (Alemanha), Juventus (Itália), Club Brugge (Bélgica) e Rapid Viena (Áustria).

Grupo B - Arsenal (Inglaterra), Ajax (Holanda), Sparta Praga (República Tcheca) e Thun (Suíça).

Grupo C - Barcelona (Espanha), Panathinaikos (Grécia), Werder Bremen (Alemanha) e Udinese (Itália).

Grupo D - Manchester United (Inglaterra), Villarreal (Espanha), Lille (França) e Benfica (Portugal).

Grupo E - Milan (Itália), PSV (Holanda), Schalke 04 (Alemanha) e Fenerbahçe (Turquia).

Grupo F - Real Madrid (Espanha), Lyon (França), Olympiacos (Grécia) e Rosenborg (Noruega).

Grupo G - Liverpool (Inglaterra), Chelsea (Inglaterra), Anderlecht (Bélgica) e Betis (Espanha).

Grupo H - Internazionale (Itália), Porto (Portugal), Glasgow Rangers (Escócia) e Artmedia (Eslováquia).

A primeira fase da luta pelo maior título europeu terá início no dia 13 de setembro e se estenderá até o dia 7 de dezembro. A grande final acontecerá em 17 de maio do ano que vem, no Stade de France, em Saint-Dennis, palco da malfadada final da Copa de 98. Vamos torcer para que, desta vez, os brasileiros que estiverem em campo tenham melhor sorte.

terça-feira, agosto 23, 2005

Time de aluguel?

Um dos motivos apontados para que os pequenos clubes brasileiros continuem diminutos é o tradicional expediente de montar equipes apenas para uma competição e dispensar todo o elenco ao fim da mesma. Como muitos clubes no Brasil permanecem ativos apenas durante alguns meses do ano, disputando um torneiozinho aqui outro ali, não tem como não pensarmos na idéia dos times de aluguel.

O Ipatinga tem uma estrutura decente, melhor até que a de vários clubes mais tradicionais, e, no primeiro semestre, foi campeão mineiro e jogou a Copa do Brasil. Atualmente busca um lugar ao sol na série C do Brasileirão, um campeonato duríssimo, em que nem sempre o melhor time pode sorrir no final. Ou seja, se o Tigre não é um clube semi-profissional como muitos Brasil afora, ainda assim tem muitos degraus a subir para alcançar a glória.

Muitos do que quiseram tirar o mérito incontestável do clube na conquista do Mineiro alegaram que a parceria do Ipatinga com o Cruzeiro era ilegal. O acordo, que consistia no empréstimo de vários jogadores do time de Belo Horizonte para a equipe do Vale do Aço tinha total amparo na lei e, por isso, a choradeira não repercutiu muito fora das fronteiras de Minas Gerais. Ainda assim, o Tigre não escapou das alcunhas de “filial do Cruzeiro” e “time de aluguel”.

No último domingo, passados mais de quatro meses da conquista do Estadual, o Ipatinga goleou por 4 a 0 o Serra, do Espírito Santo, em jogo válido pelo Grupo 9 da Terceirona. Dos 11 que começaram a partida pelo lado mineiro, sete têm, em suas salas de troféus, a medalha de campeão mineiro de 2005. Todos atuaram em pelo menos dez das 15 partidas do Tigre no Mineiro, com exceção de Marinho, centroavante titular da equipe, que se lesionou após atuar em oito patidas na competição e não voltou a jogar no Estadual.

No mesmo fim-de-semana, Cruzeiro e Atlético também entraram em campo. Na vitória sobre o São Caetano, o time celeste entrou em campo com oito jogadores que compunham o elenco vice-campeão mineiro. E, de todo os titulares atleticanos na partida contra o Juventude, apenas Amaral e Rubens Cardoso atuaram no Campeonato Mineiro. Dos três clubes, o Ipatinga é o único que manteve o técnico.

Com esses dados chegamos a algumas conclusões. Uma delas é a de que rotatividade de jogadores não tem dado muito certo. Outra é que o Ipatinga se preocupa em manter a base da equipe e pode ser recompensado por isso. Os jogadores que o Tigre perdeu não foram negociados. Apenas deixaram o clube após o término do contrato, apesar de a diretoria ter tentado segurá-los.

Mesmo que o Ipatinga não consiga o acesso – o que não seria improvável, já que a Série C deste ano é disputada por muitas equipes renomadas – é certo que o clube tem feito tudo para que ninguém mais pense que a conquista do Mineiro tenha sido mero acaso.

segunda-feira, agosto 22, 2005

Resultado de enquete

Por que o São Paulo não consegue embalar no Brasileirão após a conquista da Libertadores?

O time se acomodou após a conquista - 10 votos (43,48%)
A arbitragem tem prejudicado o Tricolor - 5 votos (21,74%)
O nível da Libertadores era fraco - 4 votos (17,39%)
O time é ruim e venceu a Libertadores por sorte - 2 votos (8,70%)
O time está de ressaca, mas ainda vai se reerguer - 2 votos (8,70%)

Total: 23 votos

quinta-feira, agosto 18, 2005

Quarta de primeira

A quarta-feira foi movimentada no mundo do futebol. Copa Sul-Americana, eliminatórias para a Copa do Mundo, amistosos internacionais... hora de tentar arrancar o que de bom aconteceu nessas movimentadas horas.

Na Copa Sul-Americana, a fase preliminar dos times brasileiros começou ontem, com bons jogos. O Fluminense bateu o Santos e o Inter venceu o decadente São Paulo, ambos por 2 a 1. Restará agora à dupla San-São colocar força na cabeleira para reverter as coisas durante as partidas de volta, no estado de São Paulo.

Na prévia do jogão do fim de semana, que definirá o campeão do turno do Brasileirão, o Corinthians se deu bem: venceu o Goiás por 2 a 0, no Serra Dourada. Mas quem levou a melhor na rodada foi o Cruzeiro, que venceu o Juventude em Caxias do Sul por 3 a 1, atuando com a equipe reserva.

Como já dito, foram realmente quatro partidas boas. Porém, a Copa Sul-Americana traz consigo certas incoerências. A maior delas é a própria fase “nacional”. Sendo uma copa continental, que sentido faz que os times brasileiros joguem entre si a essa altura? Seria melhor, então, que se classificassem apenas quatro equipes brasileiras, sem essa de ranking e coisa e tal. E outra: time que joga Libertadores não deveria, de forma alguma, jogar também na Sul-Americana. Mas o interesse ($$$) sempre fala mais alto.

Em terras européias, a bola da vez foram os amistosos das seleções. E, muito mais que o preguiçoso empate entre Croácia e Brasil, a partida que chamou atenção foi Dinamarca 4 x 1 Inglaterra. Jogando em Copenhagen, a Dinamarca fez com que os ingleses amargassem sua pior derrota desde 1980. Na ocasião, a Inglaterra perdeu para País de Gales pelos mesmos 4 a 1.

E, para não ser acusado de omissão, fecharei falando da partida da seleção. Em partida com ritmo de tartaruga, o empate foi justo. Merecem destaque apenas três lances: os gols, obviamente – um foi fruto da confusão entre Juan e Dida e o outro, resultado de um lampejo de genialidade de Ricardinho – e o lance perdido por Adriano, daqueles dignos da expressão “esse até minha vovó de 90 anos faria”.

sexta-feira, agosto 12, 2005

Para holandês não ver

O povo holandês tem fama de ser moderno e liberal. Talvez por isso a última estripulia esportiva feita pelas bandas de lá não tenha ganhado muito espaço nos jornais, passando quase despercebida. A novidade dos Países Baixos veio da Federação Holandesa de Futebol, que está considerando a possibilidade de que a partida inaugural da atual temporada do Campeonato Holandês seja secreta.

Por secreta, entenda-se sem torcida, sem imprensa e sem que local, horário e arbitragem sejam divulgados. Ou seja, uma partida fantasma a ser disputada por Ajax e Den Haag. O motivo para a iniciativa não é menos pitoresco: com a maioria dos policiais holandeses em férias, teme-se que a segunça não seja suficiente, caso a partida seja disputada “normalmente”.

Daí pode-se pensar quem seriam os beneficiados e os prejudicados com a situação inusitada. A principal agraciada seria, é claro, a mãe do juiz, que seria poupada de “elogios” indesejados vindos da arquibancada. Alguém pode argumentar que isso também acontece por aqui, com as partidas que acontecem com portões fechados. Mas há uma importante diferença: como o jogo não vai ser conhecido nem pela imprensa, as mesas-redondas batavas não trarão imagens da partida e restará ao torcedor acreditar em tudo que for friamente divulgado após a peleja.

E se algum jogador meter um golaço, daqueles dignos de passar por um mês nos programas esportivos? E se algum dirigente, ou mesmo o juiz, avacalhar o esquema? E se alguém duvidar que o placar da partida tenha sido realmente o divulgado? E se? E se? E se?

quinta-feira, agosto 11, 2005

O efe da questão

Pegando carona nos dois últimos textos, tento agora determinar a importância da letra efe não para o Atlético, mas para o seu rival azul. Para o Galo, como já disse Sô Enderson, a Fé precisa ser cada vez maior para que a queda seja evitada. Fé com efe maiúsculo mesmo, já que a coisa tá cada vez mais feia.

O curioso é que o destino do Cruzeiro neste Brasileirão está ligado à mesma letra. A essa altura, muitos já devem ter matado a charada: se o Cruzeiro pretende algo mais que uma posição mediana na tabela, tem que contar com Fred. O camisa nove do time cruzeirense é, sem dúvidas, o centroavante em melhor fase do futebol brasileiro. E, para desespero dos torcedores celestes, pode ser que o goleador não fique na Toca por muito tempo.

Pior que perder um ídolo é chegar à conclusão de que, sem ele, seu time beira a mediocridade. Como os torcedores puderam comprovar no jogo contra o Atlético Paranaense, Fred é indispensável. Potencial técnico à parte, ele faz mais falta ao Cruzeiro do que Robinho faz ao Santos e do que Tevez ao Corinthians.

Ou seja, a diferença entre uma temporada sem grandes feitos e uma possível classificação para a Libertadores – quem sabe até um título nacional? – parece depender da permanência de Fred. De forma que, tanto para o Atlético quanto para o Cruzeiro, este é o ano dos efes. Se eles não ajudarem, aí f...!

sexta-feira, agosto 05, 2005

Tudo bom?

Numa acalorada discussão na tarde de ontem, eu, Lívia e Enderson tentamos achar uma conclusão sobre o nível técnico do Brasileirão. Para quem não acompanha a “briga” desde os primeiros rounds, aí vai o resumo: nosso amigo Enderson diz que o campeonato deste ano está muito ruim. Para mim, o campeonato está bom e pode melhorar ainda mais. Já a Lívia adota um sensato meio-termo.

Não sou louco de afirmar que este é o melhor Brasileirão que nossos gramados já abrigaram. Longe disso. Mas me arrisco a dizer que esta é a melhor edição das três já disputadas desde que a fórmula de pontos corridos foi adotada.

Primeiro pelo equilíbrio, que já citei em textos anteriores. Em outras ocasiões também disse que o equilíbrio por si só não garante nada. O Brasileirão de 2003 foi bom, apesar do passeio do Cruzeiro. Já o do ano passado foi péssimo, apesar de ter sido bem mais disputado.

A diferença desta temporada reside, então, em alguns outros aspectos. A começar pelo repatriameno de bons jogadores, como Amoroso, Juninho Paulista e Giovanni. Claro que isto não faz do nosso nacional nenhuma Premier League, mas já é um avanço.

A boa campanha de equipes que nos últimos anos estavam acostumadas com a parte de baixo da tabela – como Ponte Preta, Botafogo e Paraná – também é um indicador de mudanças. Para a melhor, no meu ponto de vista, já que, mais do que apenas ganhar, estes times vêm atuando de modo, ao menos, decente.

A redução do número de participantes também aumenta o nível da competição e, de quebra, reforça a Série B. Ou seja, como o número ideal de 20 equipes só será atingido no ano que vem, ainda existem alguns degraus a subir.

E é justamente aí que quero chegar: o Brasileirão deste ano pode não estar maravilhoso, mas ele me enche de esperança de que dias melhores virão.

quinta-feira, agosto 04, 2005

Resultado de enquete

Com a provável saída de Robinho, quem passa a ser o maior craque do futebol brasileiro?

Fred (Cruzeiro) - 6 votos (27,27%)
Marques (Atlético Mineiro) - 5 votos (22,73%)
Rodrigo Fabri (Atlético Mineiro) - 4 votos (18,18%)
Tevez (Corinthians) - 2 votos (9,09%)
Alex Dias (Vasco) - 1 voto (4,55%)
Giovanni (Santos) - 1 voto (4,55%)
Maldonado (Cruzeiro) - 1 voto (4,55%)
Rogério Ceni (São Paulo) - 1 voto (4,55%)
Romário (Vasco)* - 1 voto (4,55%)
Cicinho (São Paulo) - nenhum voto
Juninho Paulista (Palmeiras) - nenhum voto
Mascherano (Corinthians) - nenhum voto
Rafinha (Coritiba) - nenhum voto

Total: 22 votos

* Apesar de Romário não estar entre as opções de voto, minha querida sogra fez questão de votar na opção "outro jogador", comunicando-me seu profundo descontentamento pela ausência do camisa 11 vascaíno.

terça-feira, agosto 02, 2005

O lado tilintante das coisas


Conversando recentemente com meu pai, ouvi sua opinião sobre o controverso caso Robinho. Segundo seu Wiltão, o Santos não teria o direito de “prender” o jogador da forma que vem fazendo. “Se o garoto quer sair, o Santos tem que ceder”.

Cinco minutos passados, conversa vai e conversa vem, o assunto agora é Fred. Sem que ele se desse conta, sua opinião muda radicalmente: “o Cruzeiro não pode deixar o Fred ir embora! Que absurdo! Como vamos ficar sem ele?”.

O aparente paradoxo é facilmente explicado: meu pai, cruzeirense que é, levou as coisas para o lado passional. Mas qual Wilton está com a razão? O do primeiro ou o do segundo parágrafo?

O assunto é longo demais para se encerrar em um texto. Mas os que me conhecem sabem que tenho uma visão que pode ser considerada até um pouco romântica. Contudo, hoje tentarei dar argumentos puramente econômicos para sustentar a minha tese de que, a longo prazo, segurar nossos craques pode ser ótimo negócio.

Os jogadores brasileiros querem ir para a Europa porque lá se joga o melhor e mais bem-pago futebol do mundo, certo? E se, por decreto, a partir de hoje os atletas de nosso país não pudessem mais ser transferidos para o exterior? O que aconteceria?

Sendo obrigados a aqui ficarem, o nível técnico de nossas competições cresceria, atraindo atenção do público e, consequentemente, angariando mais patrocínio. Daí, seria criado um círculo vicioso, com cada vez mais futebol, adeptos e receitas. Como todo mundo já está careca de saber, são os pés brasileiros que dão o tom nos bons campeonatos de todo o mundo. De modo que, nesse cenário ideal, passaríamos a ser, com o perdão do clichê, a NBA da bola nos pés.

Claro que as coisas não são tão simples assim e há milhares de obstáculos entre a realidade e esse sonho. O imediatismo de clubes e atletas – como o do moleque Robinho, que por vezes fez juz à pior acepção do adjetivo – inviabiliza a execução dessa teoria de modo quase irreversível. Ainda bem que, vez ou outra, surgem atos como o da diretoria santista, que mostrou ao Real Madri que não está disposta a seguir a tradição de ceder nossos craques a preço de banana.