terça-feira, agosto 29, 2006

Hein?

Qual o segredo do Vasco? O campeonato já passou da metade e a equipe do técnico Renato Gaúcho segue firme, agora na zona de classificação para a tão buscada Copa Libertadores. Eu mesmo fiquei surpreso com a vitória sobre o Internacional. Dias antes, mudei meu palpite no bolão porque julgava que, ao marcar 2 a 1 para o Vasco, estava sendo exageradamente otimista. Coloquei 1 a 1 e, mesmo assim, achei meu palpite um tanto pretensioso.

O jogo do Beira-Rio mostrou que eu estava errado. O Vasco venceu e me convenceu. Não que o time tenha jogado um belo futebol ou tenha vários craques na equipe. O Vasco mostrou uma coisa difícil de ver no futebol brasileiro atual: padrão de jogo. Um time compacto, que reduziu os espaços do adversário e conseguiu organizar contra-ataques com velocidade e eficiência.

A equipe joga bem, principalmente fora de casa. São quatro vitórias conquistadas fora do Rio de Janeiro e todas contra adversários complicados. O primeiro triunfo fora foi contra a Ponte Preta - com contra-ataques rápidos, o Vasco decidiu aquela partida. Depois foi a vez do Grêmio e, nas últimas rodadas, as vítimas foram Santos e Inter. O Colorado não perdia em casa desde maio e o Peixe não era derrotado na Vila Belmiro desde outubro do ano passado.

E quem são os grandes nomes dessa equipe? Podemos citar o meia-armador Morais, o goleiro Cássio e, quem sabe, os veteranos Ramon e Edílson. O último está de saída: acertou na noite desta segunda-feira sua transferência para o Nagoya, do Japão. Mas o Capetinha, uma das estrelas da companhia, não vai fazer falta. Ele não marcou um gol sequer neste Brasileiro e ficou várias partidas de fora do time, sem que sua ausência fosse sentida.

Os nomes no ataque mudam e a força do esquema tático da equipe mostra que, independente de quem esteja lá, as coisas vão funcionar. Valdiram, Edílson, Faioli e Jean passaram pelo ataque, mas o artilheiro do Vasco no Brasileiro continua sendo o meia Abedi, que é reserva e tem seis gols. E o que falar dos zagueiros cruzmaltinos? Paulão, Jorge Luís, Éder e Fábio Braz me fazem ter saudade do Odvan, mas mesmo assim as coisas funcionam na defesa.

A boa campanha do Vasco mostra, entre outras coisas, que vale a pena manter um técnico no comando da equipe. Renato Gaúcho foi mantido após o fracasso no Campeonato Carioca e seguiu prestigiado depois da derrota na final da Copa do Brasil.

Renato não cansa de afirmar que o time vai brigar pelo título e conquistar uma vaga na Libertadores. Não sei se ele está certo, mas já estou começando a acreditar.

sábado, agosto 26, 2006

A cruel lógica do mercado da bola

Clube pequeno sofre! Se, da noite para o dia, surgir um novo Pelé em um desses Américas da vida, o clube não receberá pelo atleta a décima parte do que ele vale.

É que um milhãozinho qualquer vale muito para quem não tem quase nada. E nunca tarda chegar um São Paulo, Cruzeiro ou Fluminense querendo tirar o craque do seu time de origem. Como, na grande maioria dos casos, a nova promessa está louca para mostrar seu futebol em um palco maior e mais bem freqüentado, o clube nanico terá sempre duas opções: pegar ou largar. Se optar por largar, o jogador fará corpo-mole até vencer seu contrato, e irá gratuitamente para o clube da capital.

Quando o cenário é o futebol internacional, o grande clube brasileiro passa a ser o miserável fornecedor de mão-de-obra barata, que troca seus artistas por um pequeno punhado de euros. Alguns, como o Grêmio, tentaram subverter a ordem. Em 2001, o clube gaúcho chegou a recusar uma proposta de 75 milhões de euros feita pelo Leeds United por Ronaldinho.

Mas o jogador acabou indo para o Paris Saint-Germain sem o consentimento do tricolor dos Pampas. O saldo do imbróglio foi o ódio da torcida gremista por seu ídolo – que até hoje não foi totalmente superado – e uma indenização de “apenas” 4,5 milhões de euros paga pelo clube francês. Em 2003, o PSG revendia o craque para o Barcelona por 27 milhões de euros.

Será que Ronaldinho melhorou em 500% seu futebol em apenas dois anos, como a valorização de seu passe pode sugerir? Respostas a essa pergunta retórica não são necessárias. A verdade é que o valor de uma transação no mundo do futebol maquia muita coisa.

No futebol de alto nível, como é o europeu, o jogador vale muito mais por seu papel em todo o contexto do esporte do que por sua relevância no time, seu futebol propriamente dito. Se sou dirigente de um clube de ponta, que conta com vários craques, por que vender algum “apenas” por seu valor de mercado, se ele me traz retorno, esportivo e principalmente financeiro, ficando no clube? Essa pergunta é que inflaciona todo o esporte. Quem já jogou Championship Manager uma vez na vida sabe bem disso.

Enquanto isso, o clube pequeno, com seu parco poder de fogo, fica a ver navios. Moral da história: mais vale um Gattuso no Milan do que um Ronaldinho – ou mesmo um Pelé – num desses Américas da vida.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Não é nada pessoal

Às vezes fico imaginando como se sente um jogador contundido. Ver sua carreira prejudicada por causa de um lance, um momento em que o corpo se mostra frágil e “quebra”, trazendo dor e a impossibilidade de exercer a profissão.

Alguns casos são ainda mais complicados. Muitos atletas têm suas carreiras interrompidas e totalmente atrapalhadas por suas sucessivas contusões. Pedrinho, que começou sua carreira no Vasco, é um bom exemplo. Seu talento sempre foi grande, mas a gravidade das contusões que ele teve ao longo de sua carreira trouxeram inúmeros problemas.

Os jogadores são os produtos do mercado da bola e, como tal, não podem apresentar defeito sem que seu preço sofra alteração. Afinal, quem vai querer investir em algo “bichado”, que já teve que passar pelo conserto inúmeras vezes e sempre apresenta problemas? Essa é a lógica perversa do mercado. Não é nada pessoal, são apenas negócios.

O irônico é que os jogadores são valiosos e mesmo assim são expostos a rotinas de trabalho exaustivas, com calendários lotados de compromissos. Fica realmente complicado identificar dentro da estrutura mercadológica a dimensão humana dos atletas. Eles parecem seres distantes, com seus discursos prontos, seus carros importados e suas loiras siliconadas.

Um erro, e lá estão os devoradores, prontos para destruí-los. Um acerto, e os que antes devoravam passam a exaltá-los, criando heróis e reis. E assim eles seguem como produtos, atrelados a um pacto sombrio baseado na permanente exposição de suas imagens.

Alguns poucos emprestam sua imagem a produtos e se transformam em frequentadores assíduos dos intervalos da TV. A maioria segue a sina incessante da exposição passageira e descartável. Antes, eles se identificavam com os clubes por onde passavam. Hoje, passam por tantos lugares que fica até difícil citar todos sem exceder o limite de caracteres das páginas dos jornais.

Resta aos jogadores cuidar da sua forma física e jogar bem sempre, porque na máquina chamada futebol não existe peça insubstituível.

sábado, agosto 19, 2006

O que vem à cabeça

Desculpem, leitores, se ando meio sumido. A coisa andava tão corrida que estava sobrado pouco tempo para o futebol. Mas compromisso é compromisso e vou tentar tirar leite de pedra para dizer como as coisas estão sendo vistas do lado de dentro do Montinho.

Só vi uma parte do jogo da Seleção. Por coincidência, a parte em que saíram os gols. Creio que o resto não tenha feito muita falta. Joguinho morno, hein? Não tinha como ser diferente. Nem o tal tabu motivou os amarelos a vencer. Quem sabe contra a Argentina teremos algo mais?

Acabei vendo também apenas um pedaço da final da Libertadores. Pelo pouco que vi, tive a certeza de que o Inter não perderia a taça. Disseram-me que o São Paulo até jogou bem. Não duvido. Mas time que ganha no Morumbi fica com a fé inabalável. Não deu outra. Se não chegar tão despedaçado a Tóquio, o Inter tem tudo para ser campeão do mundo.

É só ficar um pouco longe dos noticiários esportivos que coisas estranhas começam a ocorrer. Cheguei a duvidar quando li a manchete: Atlético 3 x 0 Ceará. Galo ganhando com facilidade? Será que há algum engano? Que nada! O alvinegro já é quarto colocado. Se eu me ausentar por mais umas três ou quatro rodadas, é bem capaz do Atlético chegar à liderança.

Se bem que já estou sentindo falta. Hoje, por exemplo, começa o campeonato inglês. No outro fim-de-semana, já teremos a Liga Espanhola. Nos momento de maior desespero, mesmo sem tradição, pode sobrar até para o Mundial Feminino Sub-20, transmitido pelo Bandsports. Desculpe-me, massa atleticana, mas a liderança, no que depender de mim, vai ter que esperar.

sexta-feira, agosto 18, 2006

Resultado de enquetes

Quem será o campeão da Libertadores?

Internacional - 19 votos (73,08%)
São Paulo - 7 votos (26,92%)

Total: 26 votos

Por quem você vai torcer na final da Libertadores?

Internacional - 11 votos (45,83%)
Ninguém - 9 votos (37,50%)
São Paulo - 4 votos (16,67%)


Total: 24 votos

quarta-feira, agosto 16, 2006

Namorado novo

Depois de quatro anos, tudo terminou. Ela não perdeu tempo e logo foi em busca de um novo namorado. Achar alguém não foi difícil, escolher deu um pouco mais de trabalho. Bonita, rica e muito atraente. Essas qualidades deixaram muitos na expectativa. Para ela, bastou olhar em volta e fazer um convite.

Seu relacionamento não terminou bem. Dizem que eles ficaram amigos, mas o fim do namoro foi marcado por muita frustração. Ela ficou decepcionada. Se irritou principalmente com a apatia dele, com sua falta de personalidade. Na verdade ela queria alguém com mais atitude, que brigasse quando fosse preciso, que gritasse com ela se sentisse que era necessário.

Mas nem sempre ela soube disso. Os quatro anos de namoro foram tempos felizes. Ela se sentia a melhor do mundo e era invejada por todas as outras mulheres. Para muitos ela nunca esteve tão bonita, tão talentosa, tão cheia de brilho. E por isso mesmo a frustração foi grande. Ela olhava em volta e sentia que outro homem poderia aproveitar melhor suas potencialidades. Mas ela percebeu isso tarde demais e não dava mais tempo para mudar.

Com o fim do namoro, a tristeza foi grande e meio que instintivamente ela partiu em busca de um novo amor. Ela tinha alguns amigos e neste momento alguns ex-namorados passaram em sua mente. Ela ainda não estava certa do que realmente queria, mas sabia exatamente aquilo que não queria. E foi a partir disso que ela pautou a sua escolha e cometeu o erro que muitas pessoas cometem nessas situações.

Ela simplesmente foi em busca daquilo que faltou no seu antigo relacionamento. Foi atrás daquilo que o outro não tinha, se afastou da característica que mais a incomodava no antigo namorado. Naqueles momentos ela não pensou a longo prazo, nem tampouco utilizou a razão para escolher o melhor entre todos os pretendentes.

Ela queria acima de tudo alguém que não fosse apático. Olhou em volta e descobriu o modelo de sua afeição; não pensou em uma pessoa especifíca, mas sim em um tipo de homem ideal. Ela queria alguém vibrante, que fosse enérgico, que soubesse gritar na hora certa. Um namorado antigo tinha tudo isso, mas ele já estava comprometido. Ela ainda tentou, mas levou um fora.

Ela não ligou, afinal o que importava era achar alguém que se encaixasse no modelo. Muitas pessoas que a conheciam levantavam nomes de possíveis escolhidos, homens competentes, experientes, com histórias de sucesso e capacidade comprovada para fazer mulheres felizes. Mas foi aí que ela surpreendeu a todos...

Colocou sua melhor roupa amarela e fez um convite. O escolhido praticamente não acreditou, chegou a pensar que era areia demais pro seu caminhãozinho, que ele não daria conta, que era tudo utopia. Mas coisas foram acontecendo e lá estava ele. Se ela o queria ao seu lado ele não podia mesmo dizer não.

O namoro só está começando e eu, sinceramente, desejo muitas felicidades aos dois. Até porque torço por ela e acredito no seu potencial. Me pediram para não revelar o nome dela, mas o nome dele é Carlos Caetano. Boa sorte para o novo casal!

segunda-feira, agosto 14, 2006

Pé frio?

Alguns técnicos se orgulham de sua capacidade de formar equipes vencedoras e, de certa forma, estão certos. No futebol, as vitórias e, principalmente, os títulos medem o prestígio e atestam a competência do treinador.

Por muito tempo, Parreira esteve protegido por uma armadura poderosa. Em 1994 ele foi bastante questionado, mas conseguiu um título que muitos julgavam impossível. As critícas não desapareceram, mas ele conseguiu com aquele triunfo reunir autoridade suficiente para resguardar o seu trabalho. Com a derrota, na Copa da Alemanha, os defeitos, aparentemente esquecidos, retornaram e, como se nunca tivessem deixado de existir, transformaram o técnico campeão em uma besta, da noite para o dia.

Um título é como um quebra-cabeça, que só fica realmente completo se todas as peças trabalharem em harmonia. Em alguns momentos, mesmo com tudo a favor, algumas coisas parecem não funcionar. É impressionante como algumas equipes, aparentemente vencedoras, conseguem deixar a taça escapar nos últimos instantes. E chega a ser assustador quando percebemos que certos técnicos são verdadeiros “campeões” em perder campeonatos.

Muitos quando pensam nesse aspecto logo lembram de Levir Culpi. Atualmente no Galo, Levir tem experiência em chegar em segundo. Eu acreditava que certos vice-campeonatos surpreendentes não aconteciam no sistema de pontos corridos. Levir me provou o contrário. Em 2004, comandando o Atlético-PR, ele conseguiu perder o título para o Santos, com duas derrotas impressionantes, para os times fracos do Vasco e do Botafogo.

É como se alguma força interna não permitisse que tais treinadores alcançassem o êxito, como se a idéia de vencer pudesse destruí-los. Para muitos essa característica está relacionada à falta de vibração, a apatia.

Mas eis que aparece Abel Braga. Ele grita, cobra, é um técnico vibrante, mas nem por isso escapa da triste sina da “morte na praia”. Em 2004, Abel gritou muito e viu o seu Flamengo perder para o Santo André, em pleno Maracanã. Um ano depois, em São Januário, Abel comandava o Fluminense e viu o Paulista, de Jundiaí, levar o título. Tudo parecia superado e a vaga da Libertadores parecia assegurada, quando na reta final do Brasileirão as coisas no Flu começaram a desandar. Na última rodada, depois de cinco derrotas seguidas, perdeu mais uma, justamente para o Palmeiras, que ficou com a vaga.

Nesta temporada, o Internacional montou uma grande equipe e para comandá-la chamou Abel Braga. Com a base do elenco que foi vice-campeão brasileiro em 2006, o Inter fez planos ousados e montou um time forte. Na primeira tentativa, Abelão gritou muito de novo, mas não adiantou. Foi a vez do Grêmio levantar o caneco gaúcho, fato que não acontecia desde 2001. No currículo, Abel ainda tem o vice-campeonato Brasileiro de 1988, na primeira vez que dirigiu o Inter. Apesar da vasta experiência como técnico, ele venceu apenas títulos estaduais.

Nesta quarta o Inter leva vantagem contra o São Paulo e pode até empatar para ficar com o título da Libertadores. Tomara que eu esteja errado, mas acho que o tricolor leva essa.

terça-feira, agosto 08, 2006

Efeito Borboleta



O Milan anunciou hoje que tem interesse em contratar o goleiro tetracampeão Gianluigi Buffon. Com o rebaixamento da Juventus, ficou muito difícil para a Vecchia Signora segurar seus principais atletas. Mas – apesar de já ter perdido Cannavaro e Emerson para o Real Madrid, Zambrotta e Thuram para o Barcelona, e Vieira para a Inter de Milão – a Juve promete segurar o goleiro até o último momento, já que o rebaixamento do clube ainda pode ser revogado.

Porém, caso o time de Turim permaneça na Série B da bota, é quase certo que Buffon se transfira para o Milan. Os dirigentes milanistas andam chateados com Dida, que reluta em renovar seu contrato com o clube. Se Buffon chegar, é muito provável que o brasileiro saia. Mas, como isso ainda deve demorar alguns dias, Dida será o defensor da meta rossonera no jogo de quarta-feira entre Milan e Estrela Vermelha, da Sérvia, válido pela fase preliminar da Champions League.

Aqui

A situação corintiana não é tão ruim quanto à da Juventus, mas há algum tempo já inspira cuidados. E uma das prioridades da diretoria do clube do Parque São Jorge – leia-se MSI – era contratar um bom goleiro, já que nenhum dos usados este ano convenceu Kia e sua turma.

Depois de tentar, sem sucesso, contar com Gomes – ex-Cruzeiro e atualmente no PSV da Holanda –, a opção cogitada para a camisa 1 do Timão passou a ser Bruno, goleiro do Galo. Na tarde de ontem, foi efetivada a transação: Bruno é o mais novo reforço corintiano, ainda que 15% dos direitos federativos do goleiro continuem pertencendo ao Atlético.

Ligando os pontos

As duas histórias aparentam não ter conexão. Mas, com um pouco de imaginação, é possível imaginar um elo entre elas. Se Dida entrar em campo amanhã, não poderá mais atuar na Champions League por outra equipe e, dessa forma, as portas dos principais clubes europeus devem se fechar para ele.

Sendo assim, o goleiro tem duas opções: atuar por uma equipe européia de menor porte ou voltar para o futebol brasileiro. E Dida já afirmou que não descarta a segunda opção.

Dos clubes brasileiros que teriam como bancar o atleta, a maioria já tem titulares inquestionáveis para a posição. São Paulo, Palmeiras, Santos e, em menor escala, Cruzeiro e Inter confiam em seus arqueiros. Dos times que restaram, há um com maior identificação com Dida, favorito na briga, caso ele resolva voltar ao Brasil: o mesmo Corinthians que hoje contratou Bruno. E, caso toda a minha teoria maluca se confirme, Bruno provavelmente terá um dos dois destinos: esquentar o banco corintiano ou voltar, por empréstimo, ao Galo.

Moral da história: a crise no futebol italiano pode fazer com que o Atlético não perca um dos melhores jogadores revelados pelo clube nos últimos anos. Ou será que pensei longe demais?

segunda-feira, agosto 07, 2006

Resultado de enquete

Qual(is) equipe(s) mineira(s) irá(ão) subir para a Série B em 2007?

Apenas o Ipatinga - 11 votos (40,74%)
Todas - 7 votos (25,93%)
Apenas o Ituiutaba - 3 votos (11,11%)
Nenhuma - 3 votos (11,11%)
América e Ipatinga - 2 votos (7,41%)
Apenas o América - 1 voto (3,70%)
América e Ituiutaba - nenhum voto
Ipatinga e Ituiutaba - nenhum voto

Total: 27 votos

domingo, agosto 06, 2006

São Januário, 30/12/2000

Depois de mais de oito horas de viagem, eu havia chegado ao Rio. Com a promessa de conhecer as praias cariocas e a esperança de ver o tetra campeonato brasileiro do Vasco, o cansaço e a dor nas pernas passava praticamente despercebido. Ainda era cedo, mas nas imediações de São Januário a massa já estava aglomerada.

Na entrada destinada aos veículos autorizados alguns carros se aproximavam. Eu observava atento, enquanto algumas pessoas próximas narravam a cena. “Ah. O Eurico chegou. Olha lá”. O rapaz, que aparentava ter uns 25 anos, dizia isso com um sorriso no rosto, enquanto Eurico, com cara de poucos amigos dava um “esporro” em um policial militar. Tudo normal. O termômetro marcava inacreditáveis 36 graus e ainda tive tempo para ver o repórter João Pedro Paes Leme entrando ao vivo no Globo Esporte e lutando para conter os gritos da torcida que gritava: “Vice é o car****”. Um desabafo sincero...

O guia tinha chegado e com ele os ingressos. Peguei os bilhetes e junto com meu amigo Rodrigo, fiz o caminho de volta ao ônibus. Apesar do atraso do guia, eu ainda contava com a promessa da visita a Copacabana e da parada para um almoço em um lugar decente. É... o ônibus não estava lá. Mudança de planos, sem nenhum aviso, e lá se foi o motorista levando as promessas, nossas bolsas, carteiras e dinheiro. O pior de tudo foi constatar que as faixas de Campeão Brasileiro de 2000 tinham custado nossas últimas moedas. E ainda nem eram 11 horas.

A queda!

O tempo passou e, em meio a muita confusão, entramos no Estádio. Fizemos de tudo para ficar no “coração” da Força Jovem e ajudamos a carregar os tambores. Apesar do calor eu estava eufórico e ainda tive tempo para conversar com uma carioca, ruiva, que estava na arquibancada.

Calor, sede, fome e a estranha sensação de que alguém devia fechar as portas daquele estádio. O espaço estava muito pequeno, mínimo, cada vez menor. Quando o jogo começou, eu mal conseguia mexer meus braços, levantá-los era quase impossível. Mesmo os integrantes da bateria tinham dificuldade para cumprir suas funções. A partida tinha começado um tanto mal, em campo e fora dele. Dentro: o Vasco não se encontrava e tinha dificuldades com o São Caetano. Fora: eu estava morrendo de sede, não suportava aquele calor e estava sozinho – Rodrigo tinha sumido.

Romário sentiu dor na coxa e pediu pra sair. De repente uma discussão, alguns empurrões e muita correria. Tudo isso bem perto, a menos de 10 metros, e apenas três lances de arquibancada abaixo de mim. Um pequeno clarão se formou na minha frente e o resultado foi um efeito dominó impressionante. Naquele momento, as leis da física pareciam fazer sentido. Muitos torcedores foram pressionados contra o alambrado, e assim ele cedeu.

O calor se somou a um cheiro de sangue que deixava a atmosfera insuportável. Vi crianças machucadas; vi também, com o joelho esfolado, a moça ruiva com a qual tinha conversado antes da partida; observei alguns jogadores que tentavam ajudar os feridos. Vi Eurico Miranda em pelo menos dois momentos distintos: no primeiro tentava coordenar alguma ajuda aos feridos, no segundo parecia querer expulsá-los de campo para que a partida pudesse continuar.

O jogo foi cancelado. No fim, encontrei Rodrigo e fomos até o ônibus. A viagem de volta foi silenciosa. Quando cheguei em casa tive ao menos uma certeza: não teria autorização materna para assistir a partida, remarcada para o Maracanã. Restou colocar a faixa de campeão no peito e assistir ao tetra pela TV.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Morumtetra?

Que time fantástico é o São Paulo! A segunda partida das semifinais disputada ontem no Morumbi contra o Chivas Guadalajara nos dá vários motivos para afirmar que o tricolor paulista é, atualmente, o melhor time do Brasil.

Para começo de conversa, o time tem, há vários anos, o melhor goleiro em atividade no nosso país: Rogério Ceni. Na partida de ontem, ele defendeu um pênalti enquanto o marcador ainda não havia sido aberto. Depois, ainda teve a chance de marcar o 63º gol de sua carreira e se isolar como o maior goleiro-artilheiro de todos os tempos. A falta ficou na barreira, mas a quebra do recorde certamente virá em breve.

O restante do elenco está à altura do grande goleiro, que já figura entre os mais importantes jogadores da história do clube. Dos onze jogadores que começaram jogando a partida de ontem, nove já tinham no currículo mais de 100 partidas com a camisa tricolor. O entrosamento do time é evidente. E os que não têm tanto tempo de casa são jogadores de qualidade inquestionável, como o atacante Ricardo Oliveira.

Para comandar tantos bons jogadores, um ótimo treinador: Muricy Ramalho, o técnico que não quer que esta geração seja comparada à de Telê, bicampeã da Libertadores, em 92 e 93. Mas como não ver semelhanças entre as duas equipes? O time de Telê chegou a três finais consecutivas. Obteve êxito nas duas primeiras oportunidades e, em 94, foi derrotado nos pênaltis pelo Vélez de Chilavert. Já a equipe atual chega pela terceira vez seguida ao Top 4 da América, pode bisar a conquista continental e sacramentar de vez o time do Morumbi como o melhor time brasileiro na competição.

Para tanto, o São Paulo precisará passar por Inter ou Libertad, do Paraguai, na decisão. Ambos serão adversários complicados, principalmente o Inter, que tem um elenco tão bom quanto o time paulista – basta dizer que os dois times são os atuais líderes do Brasileirão – e terá a vantagem de fazer a finalíssima no Beira-Rio, caso se classifique na partida de hoje. Esta, aliás, seria a segunda decisão de Libertadores seguida com times brasileiros e disputadas no Morumbi e no Beira-Rio, já que, no ano passado, o Atlético Paranaense foi obrigado a mandar seu jogo no estádio gaúcho. Mas agora a conversa é com os donos da casa.