Tenha dó!

Quando, no início do Brasileirão, o Botafogo deu um belo sprint e quase enganou o seu torcedor, teve gente que de pronto se manifestou, dizendo que o nível técnico do nosso campeonato nacional estava baixo. Após 14 rodadas, temos agora como líder a tradicionalmente mediana Ponte Preta, o que só faz reforçar as críticas da turma pessimista.
A essa altura, o leitor já deve ter percebido que discordo de quem acha que o campeonato deste ano está uma droga. Em comparação com o ano passado, o nível técnico da competição está muito melhor.
Existem também os excessivamente otimistas. Para estes, o maior lugar-comum consiste em dizer que o Brasileirão é ótimo porque está sempre entre os campeonatos mais equilibrados do mundo. Contudo, apenas este fator não faz com que qualquer campeonato seja decente. Tanto que, no ano passado, dissemos que o campeonato estava parelho, mas nivelado por baixo.
Porém, este ano as coisas parecem diferentes. A posição da Macaca não deixa de ser surpreendente, mas quem já assistiu a alguma partida dos pontepretanos sabe que não se trata de mero acaso. Em resumo: desta vez, teremos mais candidatos ao título – ao invés dos manjados Cruzeiro, Santos, São Paulo e Atlético Paranaense, que dão as cartas desde que o Brasileirão se tornou um campeonato por pontos corridos –, e, o que é melhor, todos jogando um futebol de fazer gosto.
Arrisco-me a dizer que, do São Paulo – que está atualmente em 16º lugar – para cima, todos as equipes ainda têm condições de arrebatar o caneco. Condições não só matemáticas, mas práticas mesmo. Daí para baixo estão os que tentarão desesperadamente se salvar. Com esses me preocupo bastante e por eles nutro um sentimento não muito nobre: acho que estão de dar dó!
Tenho muita dó do Figueirense, que ano passado fez campanha muito superior. Também sinto peninha do Flamengo, que fez uma partida horrorosa contra o Coritiba. O Coxa, aliás, só não merece meus sentimentos porque, após ceder o empate jogando com um homem a mais, conseguiu um gol salvador nos acréscimos.
Tenho dó do Atlético Paranaense e do Paysandu, acostumados a fazerem campanhas muito superiores à deste ano, assim como sinto pelo Atlético Mineiro, que tem um time razoável para bom, mas não consegue embalar.
E, acima de tudo, tenho dó do Vasco, que tem o pior elenco do campeonato, flerta com o rebaixamento há várias temporadas e dá toda a pinta de que este ano vai para o buraco. Para piorar, o clube ainda pode perder seis pontos pela escalação irregular do volante Ygor no clássico contra o Flamengo. Aí sim, vai ser de chorar de compaixão.









