quarta-feira, novembro 30, 2005

Chora, Galo! Chegou a hora...

Queria muito ter ido ao estádio, mas seria demais para mim. Como vascaíno seria torturante assistir um jogo entre meu time do coração e um clube com o qual é impossível não simpatizar. Talvez seja mais do que simpatia, é verdade.

Futebol para mim é paixão. Um esporte erguido pela massa, sustentado pela massa, que existe e permanece em função da massa. A massa é o povo, é o torcedor que vibra e canta a cada jogo, é o movimento que torce e faz torcer.

Sem torcida o futebol é sem graça, sem alma, parece meio deslocado no tempo, sem sentido. Nada mais estranho que assistir a um jogo de portões fechados, com o estádio vazio o futebol deixa de ser futebol.

Por isso, me entristece muito a queda de um clube como o Atlético. Sua torcida me surpreende a cada jogo, tem uma energia diferente, uma vibração fora do comum. Futebol é muito mais do que bons jogadores, uma boa comissão técnica e uma diretoria competente. Tudo isso passa, jogadores são vendidos, a comissão técnica sempre muda, os nomes da diretoria nunca permanecem. Os envolvidos com o espetáculo são todos profissionais, vão em busca de crescimento, melhores salários, se uma proposta melhor aparecer eles vão embora. A torcida não, ela fica. Ela não está, ela é, permanece desde o nascimento, fiel, sempre presente, seja em frente à TV ou na arquibancada do estádio.

O futebol não é frio, não é formado apenas por resultados. Sempre torço para o São Caetano cair e muitos não entendem. Mas eu sempre penso que de nada adianta uma boa administração se o Anacleto Campanela está sempre vazio. Administrar bem para quem, para a meia dúzia de torcedores da Bengala Azul.

O Atlético pode ter muitas dívidas, poucos títulos de expressão, mas é rico, muito rico. A massa que torce e sofre vai permanecer e é através dela que o clube sempre vai encontrar forças para se reerguer. Foi assim com o Fluminense, que levou mais de 50 mil pessoas ao Maracanã, em jogos da Terceira Divisão. Com o Palmeiras e o Botafogo, que voltaram mais fortes da Segundona, lotaram estádios, e hoje são melhor administrados. Com o Grêmio que subiu neste sábado, na raça, com o apoio de uma torcida ainda mais apaixonada.

Talvez a queda faça bem para o Galo. Em meio a grandes dificuldades ocorrem grandes mudanças, é do sofrimento que tiramos o substrato do amadurecimento. Quem sabe o sofrimento da queda nos presenteie com um Galo mais forte, realmente vingador. O choro dos torcedores no fim do jogo me emocionou e eu juro que a torcida do Galo, mais uma vez, me surpreendeu. Achei que eles iam brigar, bater, quebrar tudo. Mas vi cenas diferentes.

A torcida engoliu o choro e cantou. Da minha casa cheguei a ficar confuso, eu via uma coisa e ouvia outra, no meu computador eu lia que o time estava rebaixado, nos meus ouvidos o hino do Galo, a banda tocando e a torcida cantando.

Na saída do ônibus do time, nada de agressão. A torcida cercou a equipe e não protestou, cantou mais uma vez.

Eu ouvindo no rádio, os torcedores cantando o hino, os jovens jogadores chorando, até mesmo o repórter ficou emocionado. Confesso que meus olhos se encheram d'água.

Uma cena pra ficar na memória.

É por isso que eu amo futebol.

quarta-feira, novembro 23, 2005

Tá ocho!

O amante de futebol que fez um lanchinho em algum dos restaurantes dos arcos dourados nos últimos dias deve ter percebido que as toalhinhas de papel que acompanham os sanduíches estão vindo ornadas com explicações de gírias do mundo da bola. Algumas batidas, outras das quais nunca ouvi falar e uma, em especial, que me chamou a atenção: que diabos significaria a expressão “ocho”?

Puxei pela memória e lembrei que há algum tempo minha mãe falava, quando o placar ainda não havia sido inaugurado, que o jogo estava ocho. Ainda corria a época em que o marcador dos jogos nas transmissões globais ainda não ficava todo o tempo no canto de tela e isso aumentava a decepção de minha mãe ao descobrir que a partida ainda estava zero a zero.

A explicação para o termo é dedutível e um pouco forçada: 0 x 0 lembra oxo e, para ficar menos óbvio, troca-se a grafia para ocho. Agora, o que não dá para entender tão facilmente é porque o resultado sem gols tem se tornado uma constante na atual edição da Liga dos Campeões da UEFA. Com cinco rodadas disputadas da fase de grupos, o torneio já contabiliza nove partidas em que o placar terminou intacto.

O Grupo D – composto por Villarreal, Manchester United, Lille e Benfica – é o principal responsável por esse festival de apatia. Das dez partidas já disputadas, cinco terminaram em “ocho”. E a maior “goleada” do grupo foi Manchester 2, Benfica 1. Não é de se estranhar, então, que o líder do grupo seja o time com mais empates e com o incrível saldo de apenas um golzinho. A média de gols por partida também é impressionante: 0,8.

A média geral da competição também não é alta: 2,42 gols por partida. Para efeito de comparação, o Campeonato Brasileiro está com média de 3,14 gols por jogo. Claro que nem sempre um placar em branco é sinônimo de jogo ruim, mas na grande maioria das vezes é frustrante assistir a uma partida em que a bola não beija as redes uma vez sequer. No Brasileirão, isto aconteceu 27 vezes, o que representa menos de 6% das partidas. Pode não significar nada, mas na Liga dos Campeões, o “ocho” frustrou os torcedores em 22,5% dos casos.

quinta-feira, novembro 10, 2005

Resultado de enquete

Quem será o campeão da Série C em 2005?

Ipatinga (MG) - 16 votos (41,03%)
Remo (PA) - 16 votos (41,03%)
Novo Hambugo (RS) - 3 votos (7,69%)
Ninguém. O STJD vai cancelar a Série C - 3 votos (7,69%)
América (RN) - 1 voto (2,56%)

Total: 39 votos

quinta-feira, novembro 03, 2005

O bem e o mal por um botão

Na noite de ontem, o controle remoto me dava duas opções: assistir ao segundo tempo de Goiás x Fluminense ou ao encontro entre New Jersey Nets e Milwaukee Bucks, pela Premiere Week da NBA. O jogo com a bola nos pés era decisivo para o curso do Brasileirão. Já a partida de basquete era apenas mais uma das 82 que cada equipe tem que fazer na temporada regular da liga americana de basquete.

Ainda assim, não resisti e acabei em várias idas e vindas, tentando assistir o que tinha de melhor nos dois canais. Numa destas, acabei perdendo o gol de Petkovic. Mas tudo bem, as mesas-redondas estão aí justamente para azarados como eu. E mais importante que a vitória do Fluminense era tentar achar explicações para tamanha diferença entre as estruturas dos dois esportes que acompanhei.

Muitos criticam que os esportes americanos são muito mais show do que propriamente competição, no que tenho que concordar. Ainda assim, o nível de disputa é sempre altíssimo e não se tem notícia de time beneficiado só porque tem mais torcida ou algo do tipo. Das duas uma: ou lá a coisa é mais organizada ou eles escondem muito bem seus podres.

Uma visitinha ao site da NBA me faz pender para a primeira alternativa. Lá, encontra-se tudo, absolutamente tudo que um fã de basquete pode procurar. Desde estatísticas de jogadores que já se aposentaram há séculos até dicas para games de basquete para PlayStation. E os sites das 30 equipes da liga são acessados pela página principal. Ou seja, é tudo um grande portal, organizado até a medula e de forma bem orgânica.

Por outro lado, procurando os endereços eletrônicos dos times da Série A se acha de tudo. Desde ótimos portais até páginas inexistentes, num verdadeiro samba do crioulo doido. Não seria legal um portal como o da NBA, onde poderíamos ter notícias tanto do Inter quanto do Paysandu, a um clique de distância? E sem especulações ou disse-que-disse.

Claro que, por serem esportes diferentes, muita coisa não se aplicaria ao nosso Brasileirão. Mas aí temos ligas européias, como a liga nacional inglesa, dando exemplos de boa administração. Estádios confortáveis, transmissões de encher os olhos e, acreditem, cada vez mais futebol dentro das quatro linhas. Uma coisa leva à outra.

Cada caso é um caso. Mas, guardadas as devidas proporções, o que é bom deve servir de inspiração. Cabe aos dirigentes pensar no que funcionaria ou não, pois exemplos a seguir temos de sobra. O que não vale é deixar o barco correr com Edílsons e Zveiters ao leme.

quarta-feira, novembro 02, 2005

Cheiro de pizza

Dizem que no Brasil tudo acaba em pizza, mas neste fim de ano podemos nos preparar para um verdadeiro rodízio. A primeira pizza já saiu: o deputado Sandro Mabel foi absolvido por falta de provas e abriu o caminho para que muitos outros parlamentares se salvem das cassações. O curioso é que o deputado já mostrava gostar de dinheiro há muito tempo. Quem não se lembra dos “dinheirinhos” nos pacotes das rosquinhas Mabel?

O cheiro de pizza também chega ao futebol. Em meio ao “salve-se quem puder” que virou o campeonato, realmente os que podem mais têm melhor chance de se salvar. E inegavelmente os clubes cariocas podem muito. A CBF fica pertinho de “casa” e sempre sobra tempo para fazer uma “visitinha”, sem o risco de ter os telefones grampeados.

Na última segunda-feira, o pênalti para o Flamengo, contra o Coritiba, foi absurdo. Sem falar na tentativa de sumir com os gandulas no fim do jogo, ordem de algum dirigente do clube, que não foi relatada na súmula pelo árbitro. O fato é que, se depender da CBF, o Flamengo não cai. Fiquem de olhos abertos, pois muitos lances suspeitos ainda devem acontecer nos jogos do Urubu.

Mas isso não é tudo. Nos bastidores já se comenta que pode não haver rebaixamento esse ano. A justificativa é óbvia: jogar toda a culpa em cima do Edílson e pronto, salvando os degolados da 2ª divisão. Mas tudo depende de quem cair. Flamengo, Vasco e Atlético são nomes fortes e podem fazer com que as “mesas” subam um pouquinho.

Se a imprensa é a porta-voz da sociedade, o último programa Bem Amigos foi um tanto revelador. Paulo César Carpegiani e Palhinha – falando como ex-jogadores de Flamengo e Galo, respectivamente – debatiam sobre a criação de uma blindagem que protegesse os clubes “grandes” da queda para a Segundona. Nem todos concordavam, mas a discussão mostrou que a queda de alguns times é difícil de aceitar. Aquilo que eu julgava impossível até poucos dias parece estar passando pela cabeça de muita gente. Será que os dirigentes também pensam em “mudar as coisas”?

É difícil dizer, mas como uma virada de mesa seria muito traumática e causaria problemas para a imagem, já combalida, de nossa competição nacional, surge no forno uma nova pizza, bem mais light, discreta. Carlos Augusto Montenegro, do Botafogo, já confirmou os rumores e disse que existe a intenção de mudar as regras do rebaixamento para o ano que vem, quando quatro equipes cairiam para que outras quatro pudessem subir, contrariando a previsão inicial de que apenas duas equipes cairiam.

Essa medida tornaria mais fácil a volta de Flamengo e Atlético, por exemplo. Mas é claro que tudo depende de quem cair, pois não acredito em esquemas para salvar a pele de Brasiliense, Figueirense e Paysandu.

Temos que tomar cuidado. Pior do que a pizza é a indigestão que ela pode causar.