Simples?
A vida é complicada. Muitas pessoas imersas em suas existências infelizes buscam explicações plausíveis, palpáveis e externas para justificar suas faltas. Assim, tudo fica mais fácil e elas podem conviver tranqüilamente com suas incapacidades internas. Para muitos, a falta de grana explica tudo. Essas pessoas acreditam que se tivessem dinheiro tudo seria diferente, os problemas deixariam de existir e a vida seria perfeita. Mas não, viver não é assim tão simples.O futebol também não é simples, mas muitas vezes a lógica financeira parece explicar tudo. O time mais rico contrata os melhores jogadores, o melhor técnico e portanto será o melhor time, certo? Bem, nem sempre. Existe algo no futebol atual que é fundamental para a formação de equipes vencedoras e isso se chama preparação. Nesse sentido, organização, um bom planejamento e uma estrutura de treinamentos de qualidade são fatores imprescindíveis.
O mais importante não é o dinheiro e sim a forma como ele é aplicado. O sucesso de alguns clubes médios do futebol brasileiro está ancorado na responsabilidade para investir. Exemplos como o do Flamengo, em 95, provam que um grande investimento para trazer um Romário não vale a pena se toda a estrutura interna não está bem fundamentada. Equipe médias como o Paraná dão uma lição de como montar uma boa equipe sem grandes gastos.
Na Europa, mesmo grandes clubes como o Real Madrid provam que dinheiro sozinho não traz resultados. Nos últimos anos, grandes craques foram contratados, mas a falta de um planejamento bem feito impediu que a grande constelação funcionasse como um time. Na contramão está o Lyon, um clube pequeno, que conseguiu em poucos anos o que não tinha conseguido em toda sua história. O Lyon nunca tinha sido campeão francês e depois de preparação e planejamento bem realizados conseguiu cinco títulos nacionais seguidos – de 2002 a 2006.
Não basta trazer o grande craque, porque sozinho ele não resolve. Os problemas de grande parte dos clubes está na procura incessante de fatores externos que possam resolver a ausência de vitórias. Um novo técnico, um grande jogador, uma parceria milionária. Esses elementos, por vezes, trazem pequenos alívios e servem para mascarar a complexidade dos problemas. Reconhecer que existem erros internos seria um grande passo, mas as vezes essas soluções passam pela eliminação de gente extremamente poderosa, o que torna tudo mais complicado. Às vezes é mais fácil, e mais cômodo, seguir na ilusão inabalável da perfeição impossível, mesmo que a única solução seja sentar e esperar o messias chegar.


















