sexta-feira, setembro 29, 2006

Simples?

A vida é complicada. Muitas pessoas imersas em suas existências infelizes buscam explicações plausíveis, palpáveis e externas para justificar suas faltas. Assim, tudo fica mais fácil e elas podem conviver tranqüilamente com suas incapacidades internas. Para muitos, a falta de grana explica tudo. Essas pessoas acreditam que se tivessem dinheiro tudo seria diferente, os problemas deixariam de existir e a vida seria perfeita. Mas não, viver não é assim tão simples.

O futebol também não é simples, mas muitas vezes a lógica financeira parece explicar tudo. O time mais rico contrata os melhores jogadores, o melhor técnico e portanto será o melhor time, certo? Bem, nem sempre. Existe algo no futebol atual que é fundamental para a formação de equipes vencedoras e isso se chama preparação. Nesse sentido, organização, um bom planejamento e uma estrutura de treinamentos de qualidade são fatores imprescindíveis.

O mais importante não é o dinheiro e sim a forma como ele é aplicado. O sucesso de alguns clubes médios do futebol brasileiro está ancorado na responsabilidade para investir. Exemplos como o do Flamengo, em 95, provam que um grande investimento para trazer um Romário não vale a pena se toda a estrutura interna não está bem fundamentada. Equipe médias como o Paraná dão uma lição de como montar uma boa equipe sem grandes gastos.

Na Europa, mesmo grandes clubes como o Real Madrid provam que dinheiro sozinho não traz resultados. Nos últimos anos, grandes craques foram contratados, mas a falta de um planejamento bem feito impediu que a grande constelação funcionasse como um time. Na contramão está o Lyon, um clube pequeno, que conseguiu em poucos anos o que não tinha conseguido em toda sua história. O Lyon nunca tinha sido campeão francês e depois de preparação e planejamento bem realizados conseguiu cinco títulos nacionais seguidos – de 2002 a 2006.

Não basta trazer o grande craque, porque sozinho ele não resolve. Os problemas de grande parte dos clubes está na procura incessante de fatores externos que possam resolver a ausência de vitórias. Um novo técnico, um grande jogador, uma parceria milionária. Esses elementos, por vezes, trazem pequenos alívios e servem para mascarar a complexidade dos problemas. Reconhecer que existem erros internos seria um grande passo, mas as vezes essas soluções passam pela eliminação de gente extremamente poderosa, o que torna tudo mais complicado. Às vezes é mais fácil, e mais cômodo, seguir na ilusão inabalável da perfeição impossível, mesmo que a única solução seja sentar e esperar o messias chegar.

terça-feira, setembro 26, 2006

Um dos três

Prever o campeão português de futebol ao início da temporada é uma tarefa, ao mesmo tempo, simples e complicada. Se o palpiteiro for conservador, adepto de chutes duplos e triplos, ele terá quase 100% de chances de acerto se apostar no trio Benfica-Porto-Sporting. Desde que o campeonato nacional de lá começou a ser disputado, em 1922, somente em cinco ocasiões o título escapou dos três grandes lusos. O Belenenses, de Lisboa, foi campeão em 27, 29, 33 e 46. O Boavista levou em 2001.

Mas e se o apostador quiser dar um palpite seco? Aí as coisas começam a se complicar. O leão, a águia e o dragão sempre estão muito parelhos e o campeonato costuma ser decido nos detalhes, nos confrontos diretos entre essas equipes.

Se compararmos os elencos, as duvidas permanecerão. Os encarnados benfiquistas contam com o ótimo zagueiro Luisão, ex-Cruzeiro, e o repatriado Rui Costa entre os destaques da equipe. Os portistas têm o recém-convocado goleiro Hélton, além do argentino Lucho González e do novo ídolo da torcida local: Anderson, ex-Grêmio, aquele das trancinhas. Já o Sporting tem em seu time o camisa 1 da seleção portuguesa, Ricardo, o zagueiro pentacampeão Polga e o bom atacante Liédson.

Com o conforto de chutar após quatro rodadas realizadas, cravo o Porto como principal candidato ao caneco. Apesar de o Benfica ser o time com maior número de títulos – 31, contra 24 do Porto e 22 do Sporting –, é o time do norte de Portugal que vem dando as cartas após a virada do século. O Porto já ganhou três títulos na atual década, incluindo aí o da temporada passada, quando fez a dobradinha Campeonato Português e Taça de Portugal.

Além disso, os azuis e brancos seguem como o único time que ainda não perdeu pontos. O Sporting perdeu em casa para o Paços de Ferreira. O Benfica, até agora, conta com uma vitória, um empate e uma derrota e, apesar de ter um jogo a menos, já começa a se distanciar do topo. Claro que ainda é muito cedo para esse tipo de prognóstico. Mas, em um campeonato com apenas 16 times e 30 rodadas, nenhum resultado pode ser descartado.

Excelente!

A trilogia já estava cumprida. O Montinho ofereceu aos seus leitores tabelas em Excel dos três principais campeonatos nacionais da Europa: Espanhol, Inglês e Italiano. Mas o pedido do leitor Arnaldo de Souza fez com que incluíssemos aí a liga da terrinha. Clique aqui para baixar a tabela do Campeonato Português ou, como de costume, use o menu ao lado.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Resultado de enquete

Quem é o favorito para conquistar a Liga dos Campeões da UEFA 06/07?

Barcelona - 6 votos (28,57%)
Inter de Milão - 4 votos (19,05%)
Real Madrid - 2 votos (9,52%)
Werder Bremen - 2 votos (9,52%)
Outro - 2 votos (9,52%)
Liverpool - 1 voto (4,76%)
Lyon - 1 voto (4,76%)
Manchester United - 1 voto (4,76%)
Milan - 1 voto (4,76%)
Valencia - 1 voto (4,76%)
Arsenal - nenhum voto
Bayern de Munique - nenhum voto
Benfica - nenhum voto
Porto - nenhum voto
PSV - nenhum voto

Total: 21 votos

domingo, setembro 24, 2006

“Vencer, vencer, vencer. Este é o nosso ideal”

Ganhar é realmente muito bom. Nada mais bonito do que ver um estádio lotado e a massa cantando, sem parar, durante 105 minutos. Imagino o que sentem os jogadores. A emoção de ter o nome gritado pela torcida ou de ser aplaudido de pé deve ser algo inesquecível.

Lembro com carinho das competições que disputei, das derrotas e vitórias. Na escola eu fazia parte do time de basquete, um bom time. O interessante é que em nossa “temporada” tínhamos dois momentos distintos. Em um deles os jogos eram contra outras escolas, no outro eram contra os clubes.

Contra os times das escolas nosso desempenho era muito bom. Ganhamos alguns campeonatos e sempre brigamos pelo título das competições. Contra os clubes, a realidade era extremamente diferente. Com mais organização e preparação, eles eram superiores e, nós, perdíamos a maioria dos jogos.

Na prática, eu não me importava muito com a qualidade dos adversários, no fundo eu queria vencer. A sensação da vitória era muito boa, me fazia sentir mais leve, mais forte. Nos vestiários e entre os colegas da escola não importava a altura dos adversários, a falta de habilidade dos mesmos, nem tampouco suas derrotas anteriores. O foco era o nosso time, as boas jogadas, as cestas “perfeitas”, os tocos “sensacionais”.

Nas derrotas para os clubes, ficava o gosto amargo do fracasso e às vezes eu não queria jogar contra eles. O técnico achava esse contato importante e dizia que assim nosso time se fortalecia para enfrentar as outras escolas.

Nosso ginásio não ficava cheio como os estádios de futebol, nossa torcida não cantava o tempo todo e eu nunca tive o nome gritado pelas pessoas que frequentavam as arquibancadas. Não importa. O fato é que vencer é muito bom, seja qual for a situação.

Volto logo?

No fundo, o que é melhor: disputar a ponta da Série B ou fugir do rebaixamento na Série A? Acredito que os torcedores do Santa Cruz olhem com saudade para a campanha de 2005, que levou o time para a “elite” do futebol brasileiro. Por outro lado temos o exemplo do Grêmio que subiu e hoje disputa o título da Série A.

Para alguns clubes, a Série B pode trazer ensinamentos importantes, resgatar a auto-estima do time e dos torcedores e torná-los mais fortes. Mas o que esperar do ano que virá? Vale a pena subir para ser “saco de pancadas” na Primeira Divisão? Não tenho a resposta, mas acho que muitos times deveriam pensar duas vezes antes de subir.

sexta-feira, setembro 22, 2006

Com a faca e o parmesão na mão

A Inter de Milão é favorita ao bi-campeonato na Itália. A frase pode soar estranha, já que o scudetto da temporada passada foi conquistado pela Juventus e, posteriormente, repassado ao time interista, após a eclosão do escândalo de manipulação de resultados na bota, que ficou conhecido por lá como Calciocaos.

O efeito da tramóia por lá foi devastador: a Juventus, principal equipe envolvida, foi rebaixada à Série B e teve seus dois últimos títulos cassados – o de 2004/5, ao contrário do último, não foi entregue a nenhum outro time. Além disso, iniciou a disputa da segundona italiana com 17 pontos negativos. Atualmente, o clube ainda deve dez pontos.

Sobrou para mais gente. A fraca Reggina começou a Série A com -15 pontos e poucos acreditam que o clube poderá fazer algo para escapar do rebaixamento. Outros dois bons clubes foram colocados fora da briga pelo campeonato com punições severas: a Lazio perdeu 11 pontos e a Fiorentina, 19.

Mas o xis da questão parece ser a punição imposta ao Milan. A equipe, que sempre figura entre os favoritos, começou a atual edição com oito pontos descontados. Mas, como venceu as três primeiras partidas, já saiu do saldo devedor.

Porém, os arqui-rivais da Inter se reforçaram bastante: trouxeram da Juventus o ótimo volante francês Vieira e o habilidoso atacante sueco Ibrahimovic da desmantelada Juve. No Palermo, foram buscar o lateral Grosso, titular da Azzurra. Contrataram, sem custos, outro volante francês: Dacourt, que assinou depois de ver encerrado seu contrato com a Roma. Além disso, reincorporaram Hernán Crespo ao elenco, depois de passagens por Milan e Chelsea. Para completar o pacotão, vieram também os brasileiros Maicon e Maxwell.

Aí está a grande diferença da Inter para a Roma, outra boa equipe, mas que, até ano passado, não tinha cacife para fazer frente à dupla Milan e Juventus. Enquanto uma fortaleceu o elenco, a outra teve várias baixas: Cufrè, Bovo, Dacourt, Mido, Alvarez, Kuffour, Nonda... Para seus lugares chegaram David Pizarro, Vucinic, Cassetti, Tonetto, Martinez, Faty e o desconhecido brasileiro Rodrigo Defendi. Até agora, o resultado de tantas trocas ainda é uma incógnita: nas três primeiras rodadas, o time romano conquistou seis pontos e ocupa a quarta posição. Os três pontos perdidos foram justamente para Inter, em casa, na rodada do último fim-de-semana.

O atual líder é o Palermo. O time siciliano não pode ser considerado uma surpresa, já que ficou na zona de classificação para a Copa da UEFA nas duas últimas temporadas. O que impressiona e credencia o time à disputa do scudetto é a forma avassaladora com a qual iniciou o campeonato: foram três vitórias com 11 gols marcados, disparado o melhor ataque.

E agora? Quem leva na bota? O castigado Milan, a fortalecida Inter, a modificada Roma ou o emergente Palermo? Na dúvida, clique aqui ou no menu ao lado para baixar a nossa tabela em Excel do Campeonato Italiano e acompanhar, rodada a rodada, essa ferrenha disputa.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Tomara-que-caia

Será mesmo? Talvez esse texto seja um tanto precipitado, mas não consigo mais segurar esse tema na garganta. Ele está pronto para ser lançado para fora e meus dedos, hoje, estão mais rebeldes do que nunca, prontos para se arriscarem nas linhas que atingem as previsões mais profundas.

Quando o São Caetano surgiu no cenário futebolístico nacional muitos disseram palavras elogiosas e pregaram a existência saudável de uma renovação que estava prestes a acontecer. Questionaram o título do Vasco, no ano 2000, e elegeram o Azulão como o segundo time do coração. O alambrado caiu, o Vasco foi campeão e a equipe azul foi incorporada à elite do futebol brasileiro.

Admito que torci contra. É um tanto revoltante ver clubes como Remo, Bahia e, mais recentemente, o Atlético Mineiro freqüentando divisões menores enquanto o Azulão continua desfilando para “gatos pingados” na Série A. Aos poucos fui desistindo, as boas campanhas da equipe do ABC afastaram meu desejo e ele ficou cada vez mais reprimido. No fundo da mente ele permaneceu, quietinho, mas vivo, pronto para se insurgir no momento certo e mostrar que ainda existia.

Não é nada pessoal, apenas acredito que a torcida é um elemento importante do futebol, assim como a tradição e a história. É isso que dá charme aos campeonatos estaduais e também para competições de outros países que vivem em contato com rivalidades históricas, como na Inglaterra. Acredito que falta ao Azulão um pouco de charme, de tradição, de torcedores.

Não tenho medo das bengaladas e confesso que me sinto bem quando vejo o São Caetano ocupando a zona de rebaixamento. Em 2004, o clube perdeu o apoio político que tinha e desde então nunca mais foi o mesmo. As médias de público continuam ruins, sempre muito baixas. Nos jogos contra adversários da capital paulista, o São Caetano consegue seus melhores públicos e seu estádio se transforma praticamente na casa do adversário.

A paixão do torcedor não se cria da noite pro dia, e também não se desfaz. São patrimônios duráveis de clubes, que muitas vezes não honram a torcida que tem. Em maio, 693 torcedores pagaram para assistir São Caetano x Juventude e 363 para testemunhar a partida contra o Atlético Paranaense. Em julho, 929 assistiram ao empate contra o Botafogo.

Muitos podem discordar de mim, mas ver o Azulão caminhando rumo a Segundona não me deixa triste. Posso até não soltar fogos, mas acho que o São Caetano não vai fazer a menor falta.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Curioso...

A rodada deste fim-de-semana do Brasileirão foi repleta de curiosidades. Vamos a elas:

O jogo entre os líderes São Paulo e Internacional teve uma atmosfera atípica. Por conta da vitória na Libertadores e pelos resultados recentes do adversário, o Inter era considerado favorito para a partida, ainda que estivesse em pior colocação na tabela e jogasse fora de casa. O triunfo são-paulino tratou de mudar alguns conceitos.

O clássico dos Palestra colocava frente a frente a pior e a melhor campanha no Brasileirão pós-Copa. E o Cruzeiro, dono do mais pífio desempenho após o Mundial, acabou levando a melhor.

Das dez partidas disputadas, em oito tivemos equipes passando em branco no placar. Apesar disso, o confronto entre Vasco e Goiás foi o único sem gols e também o único empate da rodada.

Em um dos dois jogos em que ambas equipes marcaram, Fortaleza 3 x 4 Flamengo, tivemos a única vitória do visitante. Típica situação que pode fazer acumular o prêmio da Loteca.

O Corinthians, ao vencer o Paraná por 1 a 0, chegou à sexta partida seguida sem derrota – incluindo jogos do Brasileirão e da Sul-Americana – e foi da zona de rebaixamento ao 12º lugar. Interessante observar que a subida de produção corintiana coincide com a saída de Tevez e Mascherano da equipe. Será mero acaso?

Por fim, e menos importante, curiosidades puras e simples: todos os times que ocupam posição intermediária na tabela – fora da zona da Sul-Americana e da zona de rebaixamento – contabilizam 30 pontos. E, se colocarmos a tabela da Série A acima da Série B, veremos que os times de Recife ocupam posições adjacentes: enquanto o Santa Cruz é o lanterna da primeira divisão, Náutico e Sport lideram a segundona.

domingo, setembro 17, 2006

Resultado de enquete

Quem é o favorito para conquistar o Campeonato Italiano 06/07?

Inter de Milão - 11 votos (55,00%)
Milan - 5 votos (25,00%)
Outro - 4 votos (20,00%)
Roma - nenhum voto

Total: 20 votos

sexta-feira, setembro 15, 2006

Me gusta

Qual será a equipe da moda na Liga Espanhola, aquela capaz de ter uma boa arrancada e sonhar com o título para, no final, perder força e deixar a taça para Barcelona ou Real Madrid?

Quase toda temporada na Espanha é assim e nessa, a julgar pelas duas rodadas iniciais, o Sevilla parece ser a sensação. A equipe lidera o início da competição, tem 6 pontos, sete gols marcados e apenas um sofrido. O elenco titular é basicamente o mesmo do ano passado, à exceção do centroavante: sai Saviola e entra Chevantón. Ou seja, uma boa equipe.

Mas, se levarmos em conta o plantel, o Valencia não pode ser descartado. A equipe, que já contava com bons jogadores como o atacante Villa, ganhou reforços do quilate de Joaquín, Del Horno e Morientes. Perdeu Aimar para o Zaragoza, é verdade, mas ainda assim tem mais time do que na última temporada.

O Villarreal, que brilhou nas últimas competições, já não tem a mesma força. Perdeu Sorín para o Hamburgo e o único nome de peso que trouxe foi o veterano francês Pires. Parece pouco para que o Submarino Amarelo volte a emergir.

Seja qual for o time candidato a estragar a festa de Barcelona e Real Madrid, ele terá que jogar muito. A dupla vem reforçada como nunca e se deu bem no saldão do elenco da Juventus. Os merengues trouxeram o bom zagueiro Cannavaro e o volante Emerson para reforçar o setor defensivo, historicamente o mais fraco da equipe. Mas não se descuidou do ataque: o holandês Van Nistelrooy chegou do Manchester United para concorrer à vaga de centroavante titular com Ronaldo. E já está em clara vantagem após marcar três na goleada de 4 a 1 sobre o Levante.

Já o Barça arrebatou Thuram e Zambrotta da vecchia signora. E, como se precisasse, reforçou o ataque com Gudjohnsen, ex-Chelsea.

A briga pelo título espanhol promete, seja ela bipolar – como tudo indica – ou com um ousado time médio se intrometendo entre os gigantes.

Para não perder nada dessa emocionante disputa, clique aqui e baixe sua tabela em Excel do Campeonato Espanhol. Também vale baixar usando os links aí ao lado.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Sobre gandulas e árbitros

Eis o fato, ocorrido no último domingo: em partida válida pela Copa Federação Paulista de Futebol, se enfrentavam Santacruzense e Atlético Sorocaba, quando Samuel, do time de Santa Cruz do Rio Pardo, chutou uma bola na rede pelo lado de fora. Os atletas de ambos os times já se encaminhavam para o centro do campo, esperando a cobrança do tiro de meta. Porém, um gandula aproveitou que o mundo lhe dava as costas e, sorrateiramente, colocou a bola dentro do gol.

O problema é que o bandeirinha Marco Antônio Motta Júnior também se virou por um instante e, logo depois, sinalizou gol para a equipe da casa. Depois de conferir se havia furos na rede, restou à árbitra Silvia Regina de Oliveira validar o tento, que decretou o empate entre os lados.

O lance foi repetido a exaustão nos programas esportivos do início da semana. O maroto gol de gandula correu o Brasil. Foi divertido ver o lance sob a narração de um locutor de rádio que, assim que Silvia Regina confirmou a lambança, gritou gol a plenos pulmões, como se tivesse acabado de se deparar com uma obra-prima de Samuel.

Ontem, porém, o atrapalhado assistente esclareceu que ele fora enganado não pelo gandula, mas pelo chute do jogador do Santacruzense. “Tive a percepção que a bola entrou”, declarou Marco Antônio.

A desagradável situação em que a bola beija as redes laterais e o gol é equivocadamente assinalado é rara, mas pode acontecer. Mais incomum ainda é um gandula invadir o campo para colocar, de mansinho, a bola dentro do gol adversário, mesmo porque as chances de sucesso nessa empreitada são mínimas.

O pitoresco se dá quando ambas improbabilidades acontecem no mesmo lance, a ponto de nos fazer duvidar da versão do bandeira. Não é impossível que Marco Antônio esteja falando a verdade, mas o discurso parece querer encobrir a bobagem maior, o erro mais crasso, que é ser ludibriado por um reles gandula. Quem quiser que conte outra.

Para ler mais sobre o caso e ver o vídeo com a impagável locução, clique aqui.

terça-feira, setembro 12, 2006

Procura-se

Onde estão os artilheiros? Será que estão de férias? Será que estão na Rússia, na Ucrânia, na Arábia Saudita? Procura-se. Os times procuram, as torcidas procuram e eu também procuro. Admito que achar esses espécimes, cada vez mais raros, não está nada fácil.

Olho pro passado e vejo em páginas da minha memória, ainda pouco amareladas, momentos de rara destreza para marcar gols. Em 1994, Romário era nosso homem-gol. Morto e apagado em alguns jogos, mostrava o oportunismo dos grandes artilheiros e fazia, em poucos segundos, o que todos não haviam conseguido durante o jogo inteiro. Em 97, vibrei com Edmundo e os incríveis 29 gols anotados. Um futebol alegre, indisciplinado, com a dose certa de garra e talento.

Em alguns momentos, o gol não sai, mas o torcedor sabe que o matador está lá, pronto para agir, para estufar a rede do adversário e levar a massa ao delírio. Romário e Edmundo eram craques, mas muitos outros foram goleadores e nem por isso visitaram a lista dos melhores do mundo.

O maior artilheiro de todos os tempos, Pelé, é o melhor do mundo. Pura coincidência. O que dizer de Dadá Maravilha? Um atacante desengonçado, “ruim de bola”, que muitos julgavam inapto para o futebol. Estavam errados, ele sabia fazer gols e isso bastava. Para não ir tão longe no tempo, busco um exemplo recente. O que dizer então de outro Maravilha? Túlio, tão falastrão quanto o primeiro e não menos goleador.

Túlio foi três vezes artilheiro do Campeonato Brasileiro e ostenta uma média impressionante com a camisa da Seleção: 16 gols em 15 jogos disputados. Muitos torciam o nariz para o jeito que ele jogava, mas lá estava ele, sempre no lugar certo, na hora certa, decidindo jogos e conquistando títulos.

O topo da artilharia da Série A ficou por muito tempo com Wagner, um meio-campista. Ele tem 9 gols e agora é vice-artilheiro. Dodô deixou o Botafogo em julho e mesmo assim segue na segunda posição, também com nove gols. Na Série B, Marinho ficou oito rodadas sem jogar e continua na vice-artilharia da competição. E, pasmem, apenas um gol atrás dos atuais artilheiros: Fumagalli (Sport), Edmílson (Guarani) e Vanderlei (Gama). Em 2005 nós ainda tivemos Robgol, do Paysandu, e o próprio Romário, que foi o artilheiro da competição.

Naquela oportunidade o Vasco terminou o Brasileiro com uma dupla afinada: Romário, com 22 gols, e Alex Dias, com 19. Hoje, os artilheiros vascaínos são os meias Abedi e Morais, com seis gols cada. Os times estão repletos de atacantes que não sabem chutar e cheios de artilheiros de ocasião, sem regularidade e que não demostram confiança. É claro que existem algumas exceções, mas quais são elas?

Schwenck, Soares e Souza que me desculpem, mas eu ainda prefiro o Túlio.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Para ingleses, argentinos e brasileiros verem

O Campeonato Inglês sempre esteve entre os mais badalados do mundo. Nem tanto por seu aspecto técnico, já que sempre existiram outros mais fortes, como o espanhol e o italiano. Mas o charme, a tradição e a organização sempre sobraram na ilha.

Agora, desde quando o Chelsea se tornou o novo rico da Europa, a Premier League ganhou mais um candidato cativo ao título, a somar aos tradicionalíssimos Arsenal, Manchester United e Liverpool – este último com poder de fogo reduzido nos últimos anos. E ficou muito mais interessante.

Esta temporada, então, começou surpreendente. O Chelsea tropeçou logo na segunda rodada, perdendo para o apenas mediano Middlesbrough. Pode parecer pouco para uma crise, mas nessa competição pode se levar muito tempo para que um revés seja superado. Em 2005, por exemplo, o próprio Chelsea levantou a taça contabilizando apenas uma derrota.

Em pior situação está o Arsenal. Os gunners conquistaram apenas dois pontos em nove disputados e ainda não conseguiram vencer em sua nova casa, o Emirates Stadium.

Quem agradece são os diabos vermelhos. O Manchester United venceu seus quatro compromissos até agora. Destaque para a partida de estréia, quando enfiaram 5 a 1 no Fulham.

A surpresa positiva da competição até agora é o Portsmouth. Com 10 pontos, o vice-líder conta com a única defesa que ainda não sofreu gols.

Na cola dos líderes vem o Everton, que na última rodada venceu o arqui-rival Liverpool, no clássico da cidade, por respeitáveis 3 a 0. O Everton só está atrás do Pompey pelos critérios de desempate.

O novo time de Tevez e Mascherano faz campanha apenas regular. O West Ham soma 5 pontos e ocupa a oitava colocação. Ontem, na estréia dos argentinos – com Carlitos em campo e seu compatriota entre os reservas não aproveitados –, empatou em casa com o Aston Villa.

Com ainda quase tudo por acontecer, o “Inglesão” promete. E é claro que os leitores do Montinho não vão ficar fora dessa. A tabela da pomposa Barclays Premiership pode ser baixada com um clique aqui ou junto às demais, aí ao lado.

domingo, setembro 10, 2006

Resultado de enquete

Quem é o favorito para conquistar o Campeonato Espanhol 06/07?

Barcelona - 5 votos (41,67%)
Real Madrid - 2 votos (16,67%)
Sevilla - 2 votos (16,67%)
Villarreal - 2 votos (16,67%)
Outro - 1 voto (8,33%)
Valencia - nenhum voto

Total: 12 votos

sábado, setembro 09, 2006

O fim de uma era

No próximo dia 12, chega ao fim uma era do futebol. E não falo da Era Dunga, que, ao que parece, está apenas (re)começando.

É que o Barcelona, único clube de grande porte no mundo a nunca ter estampado patrocínio em seu uniforme, entrará em campo contra os búlgaros do Levski Sofia estampando a logomarca da Unicef em sua camisa, em partida válida pela Liga dos Campeões.

O exemplo do Barça de não aceitar publicidade nas camisas era seguido por outro clube espanhol. O time basco do Athletic Bilbao agora seguirá como o único clube da primeira divisão espanhola a não ter patrocínios no uniforme.

O contrato entre o clube catalão e a entidade tem duração de cinco anos. E uma das partes pagará à outra 1,5 milhões de euros por temporada. Adivinhem quem desembolsará a grana...

Esses catalães são mesmos homens de princípios. E não manchariam o sagrado manto azul-grená por dinheiro algum neste mundo. Ao menos pelos próximos cinco anos.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Dunga New Age

Podem dizer que é precipitado, mas a seleção de Dunga já engrenou. Para os adeptos do futebol de resultados, eles nem são tão expressivos: ainda que vencer a Argentina seja bom em qualquer circunstância, um empate com a Noruega não é lá grande coisa e bater o País de Gales é, com o perdão do lugar-comum, nada além da obrigação, ainda que a vitória tenha vindo com o time dito reserva.

Mas é fato que estamos jogando um bom futebol, muito superior ao que apresentamos durante a Copa do Mundo. E é aí que reside o grande mérito do novo treinador. Se, no início de seus trabalhos, o time de Dunga já se mostra superior ao time montado por Parreira, é sinal de que a nova turma tem grande potencial. Claro que, assim como o ciclo que se encerrou nos pés de Thierry Henry, a maionese pode desandar. Mas o ex-volante já deu mostras de que pode fazer diferente de seu sucessor.

Confesso que, de início, era contra a nomeação de Dunga. O mercado oferecia treinadores com maior bagagem, como Muricy Ramalho e Paulo Autuori. Se não eram nomes experientíssimos, ao menos levavam vantagem sobre Dunga, modelo zero quilômetro.

No auge do delírio, a CBF cogitou contar com Bernardinho em seu banco de reservas. Decerto, não seria uma opção adequada, mas poderia ser ao menos divertida, que correria o ligeiro risco de funcionar. Bernardinho recusou o convite e deixou a batata quente nas mãos do capitão do tetra, que entendia tanto de distribuir coletes quanto ele. E não é que Dunga está conseguindo fazer um saboroso purê?

segunda-feira, setembro 04, 2006

Santa goleada!

O placar causa impacto: Santos 5 x 1 Palmeiras. Mas, calma... O time santista não voltou aos tempos de Pelé, nem ao menos à época de Diego e Robinho, ainda que este tenha sido o escore mais elástico da história do clássico paulista em Campeonatos Brasileiros.

De qualquer maneira, marcar cinco gols em um rival não é para qualquer um e não se consegue por acaso. A forma com a qual goleada foi construída me fez chegar a uma conclusão: o Santos parece ser o único clube capaz de atrapalhar os planos dos finalistas da Libertadores, São Paulo e Internacional, de serem também os dois melhores colocados do Brasileirão.

Do trio, o time de Luxemburgo foi o único que subverteu a ordem e, ao invés de perder craques para a Europa, manteve a boa base e repatriou um titular da Seleção. Ainda assim, o São Paulo segue firme na liderança após vencer o Santa Cruz por 3 a 1, em Recife. O tricolor está quatro pontos à frente do próprio time santista, vice-líder do campeonato. E, assim como Inter, Paraná e Atlético Paranaense, tem uma partida a menos do que as demais equipes.

Em terceiro e quarto lugares figuram, respectivamente, Grêmio e Inter. Mas, por uma mera questão de feeling, acho que o tricolor gaúcho perderá força na reta final do Brasileirão. E o rival colorado terá que provar que pode superar a perda de peças importantes do elenco – como Rafael Sóbis, Tinga e Jorge Wagner –, além de tentar dividir as atenções entre o nacional e o mundial do Japão.

É fato que os times que hoje ocupam a zona de classificação para a Copa Sul-Americana – que vai desde o Vasco, quinto colocado, até o Juventude, 11º – estão abrindo certa distância para os líderes. Nada que uma boa seqüência de vitórias não possa reverter. Mas vejo apenas no Cruzeiro potencial para tanto, ainda que a sorte venha sendo adversária do time celeste.

O Botafogo, atualmente na décima posição, também não pode ser ignorado. Chegou ontem à quarta vitória – e à segunda goleada – seguida. Depois de vencer, em casa, o próprio Cruzeiro por 1 a 0, o alvinegro carioca derrotou o Fortaleza, no Ceará, por 3 a 2. Então, enfiou quatro tentos no Paraná, novamente no Maracanã e outros cinco no Atlético Paranaense, na Arena da Baixada. Mas lutar pelo título ainda está um tanto distante das pretensões botafoguenses.

Na realidade, só teremos clareza do poder de cada equipe para brigar pela taça após 30 de setembro, quando todos os times novamente terão o mesmo número de jogos. Até lá, a missão dos clubes da parte de cima da tabela é lutar para não se distanciar do pelotão.

domingo, setembro 03, 2006

Resultado de enquete

Quem é o favorito para conquistar o Campeonato Inglês 06/07?

Chelsea - 11 votos (32,35%)
Arsenal - 10 votos (29,41%)
Manchester United - 7 votos (20,59%)
Liverpool - 4 votos (11,76%)
Outro - 2 votos (5,88%)

Total: 34 votos

sexta-feira, setembro 01, 2006

Esse estranho planeta bola...

Não sei se tem relação com o rebaixamento de Plutão e a nova ordem astrológica, mas o futebol mineiro anda meio esquisito. Tudo começou quando o astro ainda era o bom e velho planeta tal como conhecíamos e o América goleou a Jataiense por 9 a 0, em jogo válido pela a Série C do Brasileirão.

Na última quarta, o mesmo América perdeu para um Ipatinga cambaleante, desfalcado não só de vários jogadores, como também sem técnico, demitido quatro horas antes da partida. O motivo do bilhete azul não poderia ser mais pitoresco: o presidente do Tigre, Itair Machado, estava insatisfeito com o excesso de treinamento dado aos jogadores e reclamava da postura demasiadamente defensiva adotada pelo degolado Valter Ferreira. A demissão foi aprovada pelo elenco ipatinguense.

O time cruzeirense também anda com problemas de ordem astrológica. Só isso pode explicar a sucessão de falhas que impede o time da Toca de ocupar posição melhor no Campeonato Brasileiro. Contra o Botafogo, os atacantes celestes perderam gols em proporção nunca vista. Na última partida do time, contra o Grêmio, foi a vez de Fábio engolir um frangaço e decretar mais uma derrota cruzeirense. “Frango amargo”, segundo manchete do Diário da Tarde.

Na mesma edição, o jornal anunciava a ida do goleiro Bruno para o Flamengo. E, num “sensacional” trabalho de reportagem, percebeu que, lá pelos lados da Gávea, o ex-camisa 1 do Galo irá disputar vaga também com um Diego.

Mas nada foi mais indigesto do que as declarações do excêntrico arqueiro. Segundo Bruno, ele merecia ser titular no Atlético mesmo após preterir o clube ao Corinthians e que, se fosse para ser reserva no Galo, preferia esquentar o banco de um time de primeira divisão. E assim foi o goleiro defender a meta rubro-negra com duas falsas certezas na cabeça: a de que fez muito pelo Atlético e a de que é muito melhor do que Diego, não o flamenguista, mas o novo merecedor da camisa 1 atleticana.