domingo, abril 30, 2006

Resultado de enquete

Qual o melhor jogador do mundo, excetuando-se os brasileiros?

Henry - 9 votos (26,47%)
Outro - 6 votos (17,65%)
Messi - 5 votos (14,71%)
Eto'o - 4 votos (11,76%)
Shevchenko - 4 votos (11,76%)
Lampard - 3 votos (8,82%)

Riquelme - 3 votos (8,82%)

Total: 34 votos

sábado, abril 29, 2006

Meus dias de atleta

O futebol pode ser um esporte cruel. Meu amor pela bola foi precoce e nunca foi correspondido. Nas peladas, só me salvava de ser o último escolhido por ser alto e jogar razoavelmente bem no gol.

Quando tinha por volta de 12 anos, surgiu a idéia no bairro de montar um time para disputar o campeonato ipatinguense da categoria. O nome escolhido refletia o espírito da equipe e nos fazia entrar em campo já em desvantagem: Improviso FC. Para participar da equipe, fiz uma exigência: não queria ser o responsável por guardar a meta.

Como tínhamos um ótimo goleiro, minha exigência foi prontamente atendida e acabei lateral-esquerdo. Daqueles à moda antiga, com preocupações exclusivamente defensivas. Sem muita intimidade com a bola, subir ao ataque seria desnecessário e ser responsável pelo miolo da zaga seria arriscado. Aquela faixa do gramado era a ideal para mim.

Por ser esforçado e impor respeito, sempre fui titular. Era até um pouco botineiro. Porém, costumava ser sacado quando as coisas ficavam feias e, no início, isso acontecia com bastante freqüência. Na primeira partida, sofremos uma goleada de dois dígitos. Com o tempo, começamos a empatar e até ganhamos um ou outro jogo. Mas o ápice da curta existência do Improviso, que durou somente uma temporada, foi o jogo contra a Aciaria, um dos clubes mais tradicionais da cidade, por onde já passaram jogadores como Fred e Mancini – que, a julgar pela faixa etária, poderiam estar em campo naquela tarde – e até mesmo nossa companheira Lívia Bergo – que atuava pelo time feminino, antes que perguntem.

Levamos um gol bem no início e, a partir daí, equilibramos a partida. Lá pelos 30 minutos do segundo tempo, com o placar ainda em 1 a 0, tivemos um pênalti a nosso favor. Como já estávamos na fase do desespero, eu já havia dado lugar a mais um atacante e vi, do banco, a bola ir pelos ares. No fim das contas, a derrota por um gol foi o grande momento daquele time que, por ser apenas um improvisado time de bairro, fez uma campanha razoável e terminou em antepenúltimo lugar.

Logo após o fim do campeonato, fui recrutado para jogar basquete na Usipa, outro grande clube da cidade, onde descobri que levava mais jeito com a bola nas mãos. Joguei dois maravilhosos anos e atuava como ala nas equipes de 83, de 82 e de 81. Só sentava no banco quando estava extremamente cansado ou com a partida já ganha. Jogamos em várias cidades de Minas e, ao contrário do Improviso, a Usipa ganhava muito mais que perdia.

Assim, passei a amar o basquete até mais que o futebol. Colecionava cards, comprava revistas, camisetas. Nunca havia sonhado em ser jogador de futebol quando pequeno, mas, naqueles meses, cogitei ser perfeitamente possível me tornar um jogador da NBA Apesar de não ser obrigado, treinava com as três equipes, jogando uma média de três horas diárias. Mas não era o melhor do time. Havia o Paulo, pivozão de mais de 2 metros, alguns meses mais jovem e que, segundo consta, jogou no juvenil do Flamengo e hoje atua por uma universidade norte-americana.

No fim de 96, recebi uma homenagem de melhor jogador do clube, já que o Paulo era quase honrs-concours. Após as férias, decidi parar de jogar, algo de que não me arrependo. Atualmente, o basquete e o futebol ocupam lugares rigorosamente iguais no meu coração. E tenho duas certezas: encerrei minha carreira no auge e minha paixão pela bola laranja foi plenamente correspondida.

quinta-feira, abril 27, 2006

O que diria Nelson?

Certa feita, me peguei imaginando como seria, se o destino não impedisse, um casual encontro entre Nelson Rodrigues e Ronaldinho Gaúcho. Dois virtuosos. O anjo pornográfico teve o privilégio de ver jogar craques como Pelé, Gérson, Rivelino. Os dois últimos com a estimada camisa verde, branca e encarnada. Porém, creio que Ronaldinho agradaria ainda mais a Nelson, com sua alegria de jogar somente comparável à fenomenal displicência de Garrincha.

Dizem que Nelson Rodrigues só era um excelente cronista esportivo por não entender muito de futebol. Bobagem. A diferença entre ele e nós – os lorpas, os pascácios, os idiotas da objetividade – é que ele enxergava o jogo da maneira que mais lhe convinha, enquanto nós sempre deixamos passar o óbvio ululante. Nelson atribuía as derrotas tricolores ao Sobrenatural de Almeida e exaltava o suor épico e o talento, sem o qual não se pode nem chupar um picolé. E Ronaldinho, vocês sabem, consumiria toda uma sorveteria em minutos.

Ao que consta, Nelson Rodrigues morreu feliz, pois subiu dias após a conquista do Campeonato Carioca pelo seu querido Fluminense. E, vamos e venhamos, para que ele pudesse apreciar o fino futebol do dentuço, teria que passar por provações, como a burocrática vitória da pátria de chuteiras em 94. Ou, ainda pior, o tri-rebaixamento do Flu na década de 90. Seria um duro golpe para o velho, tricolor da cabeça aos sapatos, desde a primeira chupeta.

Mas estou certo de que Nelson esqueceria tudo ao primeiro drible de Ronaldinho. E, de olhos rútilos e lábios trêmulos, acharia alguma forma genial de reverenciar e definir o quase indefinível futebol do craque. Naveguei ainda mais por minha imaginação e me perguntei o que diria Nelson sobre Ronaldinho se este tivesse nascido tricolor das Laranjeiras, ao invés de tricolor dos Pampas. Como diria minha vizinha, gorda e patusca: “Aí já seria demais. Muito, até mesmo para um drama rodriguiano.”

terça-feira, abril 25, 2006

Ritmo de festa!

Preparação é fundamental. Sempre que vemos times começando a temporada ou mesmo jogadores voltando de inatividade, nos deparamos com a famosa “falta de ritmo”. Assim como muitos cantores de videokê, os jogadores de futebol também sofrem com a falta de ritmo, ficam meio desligados na partida, meio sem tempo nas jogadas, e às vezes fazem coisas engraçadas.

Deixam muitos torcedores revoltados e arrancam um bocado de risos também. Mas tudo é questão de tempo. Com a seqüência de partidas (o que nem sempre acontece no videokê) eles voltam ao normal e passam a jogar o futebol de sempre. Pois é, o tal ritmo é fundamental, e chega às “arquibancadas”: torcedores também precisam de ritmo. Torcer é muito bom, mas não basta querer, a pessoa tem que participar. Torcer exige um certo preparo, mais do que uma mera repetição de gestos, uma compreensão do jogo que só chega com a observação, com o tempo.

Nenhuma competição é tão reveladora, neste sentido, como a Copa do Mundo (e ela está chegando). A competição chega e com ela inúmeros aspirantes a torcedores (torcedoras, na maioria das vezes). Para muita gente, ver vinte marmanjos correndo atrás de uma bola e tentando, desesperadamente, colocar a pelota dentro de uma retângulo com rede, não tem a menor graça.

Mas essa idéia muda com a chegada da Copa. Não assistir os jogos é quase uma heresia. Torcer se transforma em questão cívica, ganha ares de dever patriótico. O problema é que os novos soldados chegam e não sabem nem pegar na arma. As pérolas não demoram a aparecer e não são poucas.

A Seleção Brasileira vence por 1 a 0, 43 minutos do segundo tempo, a equipe ataca e de repente a TV mostra um gol. No fundo do bar, um grito: "Gooooolllll”. Um grito? Pois é, na verdade era o replay do primeiro gol... Brasil x França. Cruzamento na área, o atacante sobe mais que a defesa e...
– Gooollllllll!
– Do Brasil?
– Não, da França...
– Ouvi gritos, será que temos franceses por aqui?
– Que nada, é falta de ritmo mesmo...
– Ah bem.

O que podemos dizer? Sejam bem-vindos! Estaremos de braços abertos, prontos para ensinar a “lei do impedimento” e sem má-vontade.

A Copa do Mundo está chegando e, finalmente, mesmo que por alguns instantes, não haverá mais briga pela posse do controle remoto. Mães e filhos concordarão, os casais estarão mais unidos; futebol sem concorrência, sem novela, Gugu ou filme para atrapalhar. Aproveitem, porque tudo isso só acontece de quatro em quatro anos...

Alterações na tabela

Por um infortúnio do acaso, nossa tabela da Série A do Campeonato Brasileiro saiu com um pequeno erro nas partidas da sexta rodada. Pedimos desculpas e agradecemos ao atento leitor Filipe Melro, que descobriu o problema.

Aproveitamos para informar também que as tabelas das séries A e B estão sendo atualizadas constantemente, à medida que as rodadas vão ocorrendo. Portanto, os leitores que ainda não baixaram a nossa tabela – e aqueles que estiverem com preguiça de preencher os jogos já realizados – também poderão entrar na brincadeira.

Para baixar a tabela corrigida e atualizada da Série A, clique aqui.

Para baixar a tabela atualizada da Série B, clique aqui.

domingo, abril 23, 2006

Resultado de enquete

Você é a favor da utilização de estádios para shows e eventos?

Somente se houver estrutura para não prejudicar o futebol.
9 votos (40,91%)
Não, os estádios devem ser usados exclusivamente para o futebol.
6 votos (27,27%)
Sim, os clubes precisam dessa fonte de renda.
4 votos (18,18%)
Sim, desde que não seja o estádio do meu clube.
3 votos (13,64%)

Total: 22 votos

sábado, abril 22, 2006

Adieu, Telê!

É impossível, para todos que, como eu, hoje têm seus vinte e poucos anos e gostam da bola, falar de futebol sem falar de Telê Santana. Ele foi o comandante do esquadrão são-paulino do início da década de 90 – que conquistou, entre outros, Paulistas, Brasileiros, Libertadores e Mundiais – e fez com que o time do Morumbi multiplicasse seus torcedores, sobretudo entre aqueles que à época estavam descobrindo o futebol.

Até meus 12, 13 anos, eu respondia orgulhoso quando me perguntavam sobre meu time: “sou são-paulino”. Depois, descobri que sempre havia sido torcedor de um clube que só nasceria em 98, mas isso já é outra história. A de hoje é que existiu, entre 91 e 93, um time quase imbatível. E que esse verdadeiro escrete era dirigido por Telê. Tanto que a imagem mais forte que tenho do treinador é a dele mascando seu palitinho em Tóquio, certo da vitória de seus comandados. E as vitórias não vieram diante de timinhos quaisquer, mas de Barcelona e Milan.

Até hoje o São Paulo colhe os bons frutos da Era Telê. E o vínculo entre o time e o técnico foi tão marcante em minha mente que me fez traçar o caminho inverso para conhecer a trajetória desse personagem do futebol brasileiro. Para mim, ele primeiro foi o vitorioso comandante tricolor. Depois, conheci suas passagens pela Seleção Brasileira. Destaque para o fato de Telê ser o único técnico a treiná-la em uma Copa após ter falhado no Mundial anterior. Para muitos, a prova de que ele era pé-frio. No meu ponto de vista, um atestado de prestígio e competência.

Telê coleciona, entre seus feitos, o título de primeiro técnico campeão brasileiro, dirigindo o Atlético Mineiro em 1971. E, antes disso, foi ainda um bom ponta-direita, se destacando no Fluminense e no Guarani. Confesso que minhas únicas referências do Telê jogador são crônicas e fotos da época. Mas seu apelido dos tempos de atleta diz muito: ele era o Fio de Esperança.

Talvez muitos não tenham derramado por Telê as lágrimas que ele merecia, pois fomos sendo forçados a nos acostumar com sua ausência. Em janeiro de 1996, ele se aposentou dos gramados, após sofrer uma isquemia cerebral. Há quase um mês, foi internado com uma grave infecção intestinal e, apesar dos constantes reveses em seu estado de saúde, lutou pela vida até o último instante. Porém, na manhã desta sexta-feira, foi-se o último fio de esperança.

quarta-feira, abril 19, 2006

Haja coração!

A noite não podia terminar tão cedo, ninguém queria ir para cama antes da meia-noite. Uns tinham fome, outros tinham sede e alguns não tinham dinheiro, mas no fim acabamos todos na mesma mesa. Em meio aos goles de cerveja, os assuntos fluem. De Photoshop a Michael Moore, de Diamantina a Jack Johnson, tudo parece permitido, tudo parece extremamente original.

A noite vai passando e aos poucos o futebol chega à mesa. Os comentários vão e vêm, e partindo de Copa do Mundo rapidamente estamos falando sobre o Campeonato Brasileiro. Todos parecem um pouco assustados ao falar sobre o número de rebaixados. “Quatro é demais” dizem alguns, “será que o Flamengo escapa” perguntam outros. E eu, ouvindo aquilo tudo, fiquei pensando “será que o Vasco será rebaixado?” Difícil de dizer.

São apenas vinte clubes e um campeonato bem longo. Até dezembro muita coisa pode acontecer, é muito difícil arriscar qualquer previsão. Talvez esse seja o grande diferencial do Brasileirão, sua imprevisibilidade. Aqui não temos apenas Barcelona ou Real Madrid, nossa equação é mais complexa, nossos campeões são formados por muito mais variáveis. Acertar na loteria esportiva por aqui é pura sorte, conhecimento futebolístico não garante nada e às vezes até atrapalha.

Quem será o campeão?

As equipes paulistas, mais uma vez, aparecem com muita força. O Corinthians chega com dinheiro, um grande elenco e muita instabilidade. Resta saber se o barril de pólvora vai explodir. Crises podem atrapalhar os resultados em um campeonato tão longo – se bem que no ano passado isso não aconteceu. O São Paulo tem um bom time, um elenco equilibrado e deve brigar pelo título: desta vez o tricolor não vai colocar o Brasileiro em segundo plano. O Santos dissipou muitas dúvidas e desconfianças com o título paulista, resta saber se a equipe vai se virar bem com a provável saída de Luxemburgo depois da Copa do Mundo. O Palmeiras “corre por fora”, mas também deve brigar pelas primeiras posições.

O Cruzeiro também chega forte e deve brigar pela ponta. O título mineiro mostrou que a Raposa tem um bom time, mas também deixou claro que a equipe ainda precisa evoluir bastante. A máquina ainda não engrenou, mas mostra que tem muito potencial. Não podemos deixar o Internacional de fora, que perdeu o título do Gauchão, mas também deve brigar pelas primeiras posições no Brasileiro. O Goiás, campeão goiano e muito bem na Libertadores, não me inspira muita confiança. Deve ficar na parte de cima da tabela, mas acredito que não tem força e elenco para brigar pelo título.

E os rebaixados?

A briga na parte intermediária da tabela promete ser quentíssima e me parece impossível apontar as equipes que serão rebaixadas. Neste ano, aqueles que não tiverem condições de brigar pelas primeiras posições estarão perigosamente ameaçados pelo fantasma do rebaixamento.

São poucos os torcedores que começam o campeonato totalmente tranqüilos, nutrindo a certeza de que seus clubes estarão, em 2007, na divisão principal do futebol brasileiro. Tenho medo, já que em 2006 o 17º lugar também será rebaixado. Faço coro com a voz que vem do boteco: rebaixar quatro clubes é exagero. Falo isso longe da arquibancada, mas falo com voz rouca, voz de torcedor.

sábado, abril 15, 2006

Resultado de enquete

Qual será a final da Liga dos Campeões da UEFA?

Arsenal x Barcelona - 10 votos (47,62%)
Villarreal x Barcelona - 7 votos (33,33%)
Arsenal x Milan - 3 votos (14,29%)
Villarreal x Milan - 1 voto (4,76%)

Total: 21 votos

sexta-feira, abril 14, 2006

Quem é que sobe?

A pergunta-título deste texto era um bordão de Galvão Bueno que resumia toda a sua preocupação quando a bola era alçada na área da nossa seleção. Hoje, com a zaga brasileira um pouco mais confiável, o pessoal está mais interessado em saber quem é que sobe da segundona para a elite do Brasileirão.

Como em 2006 quatro entre vinte equipes conseguirão o acesso, é permitido a quase todos sonhar. Mas favoritos mesmo são poucos. Os clubes que foram rebaixados ano passado estão entre eles.

Com o peso da tradição, Atlético Mineiro e Coritiba têm tudo para voltar a figurar entre os grandes no ano que vem. O Galo parece ter o melhor time da segunda divisão e, com isso, não deve temer a disputa por pontos corridos. O Coxa também tem um elenco respeitável.

O Paysandu é outro que tem boas chances de terminar entre os quatro primeiros. Conta com um bom “reforço”, o estádio do Mangueirão, que é bom por dois motivos. Em primeiro lugar, ele está sempre lotado em dia de jogos do Papão. Além disso, as equipes visitantes normalmente têm que enfrentar muitas horas de vôo para chegar a Belém. O Mangueirão também é um trunfo para o Remo – recém-promovido à Série B – que, apesar de contar com uma equipe mais modesta que a do rival, tem condições de fazer um bom campeonato.

Dos quatro rebaixados do ano passado, o Brasiliense é o que menos inspira confiança. Mas, ainda assim, possui um elenco superior à média da segundona. Assim como os sempre competitivos pernambucanos Sport e Náutico.

Diagnosticar quais as equipes candidatas ao rebaixamento é tarefa um pouco mais complicada. A tradicional Portuguesa e os amazonenses do São Raimundo, equipes em graves crises financeiras, devem ter bastante dificuldade. CRB, Gama, Guarani e América de Natal são outros times que podem freqüentar o pelotão final da tabela.

Com a bola rolando, a partir de amanhã, muitos dos prognósticos podem cair. Que bom que, nos últimos anos, temos visto, finalmente, uma segunda divisão competitiva. Que vença o melhor. E que subam aqueles com mais condições de fazer bonito na elite em 2007.

terça-feira, abril 11, 2006

Jogando por música

A união entre música e futebol sempre rendeu bons frutos. Ari Barroso foi, ao mesmo tempo, um dos maiores locutores e um dos maiores compositores que o Brasil já conheceu. Lamartine Babo compôs belíssimas canções para os principais clubes cariocas e tornou-se uma unanimidade: todos os clubes adotaram as músicas como seus hinos não-oficiais.

Muitas vezes, os hinos dos clubes foram criados meio às pressas, por pessoas que entendiam muito da agremiação, mas nem tanto de música. Eram juras de amor, mas sem a poesia que poucos sabem fazer. Talvez por isso músicas feitas posteriormente ganhem tanto ou até mais destaque que o próprio hino.

É o caso da marchinha “Coração Corintiano”, imortalizada na voz de ninguém menos que Sílvio Santos. A canção, como muitos de vocês já devem saber, conta a história de um sujeito que quer trocar o seu coração alvinegro, que não agüenta mais sofrer. No fim, o novo coração também é corintiano. Que hino seria tão franco ao afirmar que torcer pelo Corinthians pode trazer sofrimento? E, ao mesmo tempo, que hino é uma declaração tão apaixonada a um clube?

Só mesmo os hinos de Lamartine. Aqueles que dizem que o Botafogo é e há de ser sempre um imenso prazer para seus torcedores. E que o Fluminense sempre brilha, seja ao sol da manhã ou à luz de um refletor.

Aqui em Minas também temos bons exemplos de paixão traduzida em acordes. Enquanto o hino oficial do América diz que “a tua classe aristocrata é quem fulmina os teus rivais”, a música composta por Fernando Brant e Tavinho Moura declama: “na grama verde, a vida sonha / a bola branca beija a rede da paixão / quem americano é, sabe o caminho / e grita ‘é gol, é gol, é gol’ / para sempre vou viver cantando / Deus, salve o América, nosso campeão”.

A torcida do Flamengo também sabe demonstrar seu amor pelo clube: “quero cantar ao mundo inteiro / a alegria de ser rubro-negro”. Mais do que de títulos e de vitórias, que não são poucos, o que o flamenguista mais gosta é de ser pura e simplesmente rubro-negro.

Mas nada me arrepia tanto quanto ver a torcida do Liverpool cantar para seus jogadores que eles nunca estarão sozinhos. A música You’ll Never Walk Alone foi composta para um musical da Broadway e já foi regravada por inúmeros ícones da música mundial. Mas na voz dos torcedores dos reds, soa ainda mais épico: “quando atravessarem uma tempestade / mantenham a cabeça erguida / e não temam o escuro / no fim da tempestade / há um céu dourado / e o canto doce de um pássaro (...) caminhem com fé no coração / pois nunca caminharão sozinhos”. Desconheço declaração maior.

segunda-feira, abril 10, 2006

Gostinho de final

Duas horas de castigo. Neste domingo me senti uma criança. Vendo televisão, é verdade, mas meio contra a minha vontade. Chorei, reclamei e procurei bastante, mas não consegui ver o Gre-Nal.

Não que eu seja gaúcho, ou torcedor de Grêmio ou Internacional, mas a final do Rio Grande do Sul era de longe minha preferida. Os motivos vocês saberão a seguir, mas, só para adiantar um pouco, eu diria que a culinária explica bem minhas preferências.

Final é um prato especial e, como todo prato realmente bom, precisa de uma boa receita, ingredientes adequados e, é claro, um toque especial. Detalhes que fazem toda a diferença. Os ingredientes podem até mudar, mas nada como o sabor tradicional para agradar em cheio o paladar.

Nas finais do Rio e de São Paulo faltou tempero. Em São Paulo, a fórmula de disputa fez a refeição desandar logo de cara. Com uma receita de gosto duvidoso, o prato final foi muito estranho e de difícil digestão. A receita uniu pontos corridos e turno único a equipes desniveladas tecnicamente e, muitas vezes, sem apelo popular. Resultado: fez com que o campeonato perdesse interesse no final e deixasse a conquista do glorioso Peixe meio sem sal. Não só por ter enfrentado a Portuguesa, que acabou rebaixada, na partida final, mas também porque perdeu para o São Paulo, segundo colocado, na penúltima partida. Sou fã de finais e acho que o Paulistão merecia uma decisão à altura. No fim, até tentei, mas não fui persistente o suficiente para assistir Santos e Lusa.

Me sobrou a decisão do Campeonato Carioca. Uma boa receita de competição é verdade, mas mais uma vez esqueceram de colocar alguns ingredientes. O Maracanã estava lá, lindo, com cara de decisão, mas nas arquibancadas faltou um pouco de cor. Um bom prato tem que ter ser bonito de se ver. E, no Maraca, a cor alvinegra predominante me deixou meio enjoado, afinal, onde estava a torcida adversária?

O Madureira que me desculpe, mas final, decisão de campeonato, pede algo mais clássico. Faltou também um pouco de emoção, o placar dilatado do primeiro jogo (2 a 0) já mostrava que aquela festa já tinha dono. O Botafogo levou com certa facilidade e me deixou com saudade dos tempos em que gol sofrido, mesmo que de barriga, ainda decidia título, sempre no aperto.

Ainda para permanecer no campo da gastronomia, nada pior do que fila para comer (o Bandejão que o diga). Quem tem fome tem pressa e, quando a fila demora muito pra acabar, a vontade de comer aumenta ainda mais. Então, parabéns aos vencedores, principalmente aqueles que esperam muitos anos na fila para voltar a saborear a refeição dos campeões: Paraná (8 anos), Botafogo (8 anos), Santos (21 anos) e Vitória-ES (30 anos).

domingo, abril 09, 2006

A Copa das zebras

O ano de 1994 foi inesquecível. Não só pelo tetracampeonato da Seleção Brasileira, mas também por uma Copa do Brasil que, para mim, foi muito especial. A competição daquele ano reservou grandes emoções para as semifinais: dois confrontos, dois clubes contando com a minha torcida.

De um lado o Vasco, meu clube do coração, que enfrentava o Grêmio e buscava um título inédito. Do outro, o Linhares, equipe do interior do Espírito Santo, que havia superado todas as expectativas e chegado à semifinal. O adversário era outra surpresa: o Ceará. No fim, as notícias não foram boas. O Vasco caiu de um lado e o Linhares do outro. Na final deu a lógica e o Grêmio se sagrou campeão em cima do Ceará.

Mas nem sempre a lógica prevalece. A Copa do Brasil sempre nos traz inúmeras surpresas, as zebras se sentem à vontade e algumas vezes conseguem até mesmo chegar ao título. Em 94, não deu para Linhares e Ceará, mas três anos antes o Criciúma, treinado por Felipão, já havia provado que o triunfo era possível.

O que dizer então do Juventude, que, em 99, foi ao Maracanã, e conquistou o título em cima do Botafogo. Santo André e Paulista seguiram o exemplo da equipe de Caxias e venceram as duas últimas edições da Copa, sobre Flamengo e Fluminense, respectivamente.

Zebra na Copa do Brasil é tão comum, que surpresa mesmo é quando elas não aparecem. Em 2006, elas não decepcionaram e já apareceram algumas vezes. O 15 de Novembro eliminou o Grêmio, e o Volta Redonda mandou o Atlético-PR embora.

Na minha opinião, o Ipatinga não chega a ser uma zebra, mas é outro time pequeno que vem forte e, se não houver desmanche, pode sonhar com uma campanha histórica. O duelo contra o Botafogo não surpreendeu pela eliminação da equipe carioca, mas sim pelos placares dos jogos e a demonstração da clara superioridade do Tigre.

O Vasco, que ano passado caiu frente ao Baraúnas-RN, conseguiu agora chegar às oitavas-de-final – neste sábado venceu o “fortíssimo” Iraty-PR, por 5 a 1. Falando no time da Cruz de Malta, a saída do atacante Romário parece ter feito muito bem para os demais jogadores. Destaque para a velocidade da equipe e para Valdiram, que marcou três gols e é o novo artilheiro da Copa BR.

Os confrontos das oitavas-de-final ficaram assim:

Criciúma x Vasco
Flamengo x Guarani
Atlético-MG x Fortaleza
Ipatinga x Náutico
Santos x Brasiliense
Volta Redonda x 15 de Novembro
Vila Nova-GO x Fluminense
Vitória x Cruzeiro

Façam suas apostas. Quais clubes vão passar para as quartas-de-final da Copa do Brasil?

sexta-feira, abril 07, 2006

Resultado de enquete

Quem será o campeão carioca deste ano?

Botafogo - 18 votos (52,94%)
Madureira - 16 votos (47,06%)

Total: 34 votos

A liga dos campeões e dos vices

Dos quatro semifinalistas da Liga dos Campeões da UEFA, apenas o Barcelona foi campeão nacional na temporada passada. O fato é relevante por alguns motivos. Um deles é que, em outros tempos, clubes como o competente Villarreal não teriam vez na principal competições de clubes européia. Outro é que, apesar de não serem campeões nacionais, Arsenal, Milan e o próprio Villarreal não ficam nada a dever para Juventus e Chelsea, por exemplo, e chegam com méritos a essa fase da competição.

Estes confrontos semifinais são como um sonho para os organizadores da competição. Quatro ótimas equipes representando Espanha, Itália e Inglaterra, os três maiores centros futebolísticos do planeta. Em uma semifinal, o estreante Villarreal enfrentará o combativo Arsenal. Para os que gostam de torcer pelo mais fraco, o Submarino Amarelo é a escolha certa. Mesmo porque o time orquestrado por Riquelme tem boas chances de superar os rivais londrinos e chegar à final logo no seu debute na liga.

Do outro lado, Barcelona e Milan farão o que muitos considerarão uma final antecipada do torneio. Não é para menos: são duas equipes muito tradicionais, que estão jogando o fino da bola. Quem vencer irá para a finalíssima em Paris, no dia 17 de maio, com pinta de favorito.

Arriscar palpites para essa fase, porém, não é tarefa fácil. Apesar de o Arsenal ter passado pela Juve com relativa facilidade, o Villarreal tem Riquelme, que também fez as coisas parecerem simples contra a Inter de Milão. A única coisa que os ingleses têm que falta aos espanhóis é camisa. Pode pesar ou não.

E o que dizer do confronto entre catalães e milaneses? O Barça não teve grandes dificuldades contra o Benfica, mais por inoperância do ataque português do que por méritos próprios. Simão Sabrosa teve chances de complicar a vida azul-grená no Camp Nou, mas perdeu gol feito. As boas atuações do goleiro Marcelo Moretto e de todas as camisolas encarnadas no setor defensivo não foram suficientes.

Já o Milan conseguiu sua classificação no apagar das luzes. O jogo estava em 1 a 1 e tudo caminhava para a classificação do Lyon, quando, aos 43 minutos do segundo tempo, Schevchenko acertou uma bola na trave e, no rebote, Inzaghi marcou. Nos acréscimos, o ucraniano ainda marcou o seu. Final: Milan 3, Lyon 1.

Prognósticos? Arrisco-me a dizer apenas que, hoje, o Barça é o time mais talentoso do globo enquanto o Milan é o mais completo. O Arsenal possui um contra-ataque letal, mas o Villarreal tem grande potencial para surpreender. Vejamos o que irá valer mais daqui pra frente.

terça-feira, abril 04, 2006

Futebol de primeira e de segunda

Aqui, no Montinho Artilheiro, há espaço para todo tipo de futebol. Prova disso é que, depois do sucesso da tabela em Excel da Copa, agora disponibilizamos também as tabelas do Brasileirão, séries A e B. Continua tudo automático e completinho, de acordo com o padrão Montinho de qualidade.

Para baixar a tabela do Brasileirão Série A, clique aqui.

Para baixar a tabela do Brasileirão Série B, clique aqui.

E, se você ainda não baixou a tabela da Copa, clique aqui.

Lembrando que os links também estão disponíveis no menu à esquerda. Bom divertimento!

sábado, abril 01, 2006

Pode acreditar! Somos .com

O dia primeiro de abril é histórico para o Montinho Artilheiro. Sem mentira nenhuma, nos tornamos montinho.com e esse é apenas mais um passo de uma série de novidades que estamos preparando para nossos leitores.

A partir de agora, para entrar no site o endereço a ser digitado é
www.montinho.com . Atualize seus bookmarks e bem-vindo à nova fase do Montinho Artilheiro.