Preparação é fundamental. Sempre que vemos times começando a temporada ou mesmo jogadores voltando de inatividade, nos deparamos com a famosa “falta de ritmo”. Assim como muitos cantores de videokê, os jogadores de futebol também sofrem com a falta de ritmo, ficam meio desligados na partida, meio sem tempo nas jogadas, e às vezes fazem coisas engraçadas.
Deixam muitos torcedores revoltados e arrancam um bocado de risos também. Mas tudo é questão de tempo. Com a seqüência de partidas (o que nem sempre acontece no videokê) eles voltam ao normal e passam a jogar o futebol de sempre. Pois é, o tal ritmo é fundamental, e chega às “arquibancadas”: torcedores também precisam de ritmo. Torcer é muito bom, mas não basta querer, a pessoa tem que participar. Torcer exige um certo preparo, mais do que uma mera repetição de gestos, uma compreensão do jogo que só chega com a observação, com o tempo.
Nenhuma competição é tão reveladora, neste sentido, como a Copa do Mundo (e ela está chegando). A competição chega e com ela inúmeros aspirantes a torcedores (torcedoras, na maioria das vezes). Para muita gente, ver vinte marmanjos correndo atrás de uma bola e tentando, desesperadamente, colocar a pelota dentro de uma retângulo com rede, não tem a menor graça.
Mas essa idéia muda com a chegada da Copa. Não assistir os jogos é quase uma heresia. Torcer se transforma em questão cívica, ganha ares de dever patriótico. O problema é que os novos soldados chegam e não sabem nem pegar na arma. As pérolas não demoram a aparecer e não são poucas.
A Seleção Brasileira vence por 1 a 0, 43 minutos do segundo tempo, a equipe ataca e de repente a TV mostra um gol. No fundo do bar, um grito: "Gooooolllll”. Um grito? Pois é, na verdade era o replay do primeiro gol... Brasil x França. Cruzamento na área, o atacante sobe mais que a defesa e...
– Gooollllllll!
– Do Brasil?
– Não, da França...
– Ouvi gritos, será que temos franceses por aqui?
– Que nada, é falta de ritmo mesmo...
– Ah bem.
O que podemos dizer? Sejam bem-vindos! Estaremos de braços abertos, prontos para ensinar a “lei do impedimento” e sem má-vontade.
A Copa do Mundo está chegando e, finalmente, mesmo que por alguns instantes, não haverá mais briga pela posse do controle remoto. Mães e filhos concordarão, os casais estarão mais unidos; futebol sem concorrência, sem novela, Gugu ou filme para atrapalhar. Aproveitem, porque tudo isso só acontece de quatro em quatro anos...