
Não foi um banho de bola, ainda que tenha sido a vitória mais elástica das oitavas-de-final. Mesmo assim, a partida de hoje entre Brasil e Gana entra para a história das Copas. Foi o jogo que estabeleceu o maior artilheiro das histórias dos Mundiais, Ronaldo e seus 15 gols. O gol de Adriano também foi responsável por outra marca: o 200º gol brasileiro em Copas do Mundo.Cafu passou a ser o jogador que mais vestiu a amarelinha em Mundiais, bem como o atleta com maior número de vitórias. E, a cada triunfo, nossa seleção aumenta o próprio recorde de vitórias seguidas em Copas do Mundo: a de ontem foi a 11ª.
Outra marca passou quase despercebida em meio a tantos recordes quebrados. Roberto Carlos alcançou sua 100ª vitória pela seleção. E o fez em grande estilo: Roberto teve uma boa atuação, como há muito não fazia, e deve acalmar seus críticos pelo menos até a partida contra a França. O lateral pode não ter feito gols, mas preste atenção nos melhores momentos e verá sempre um carequinha sozinho na extrema esquerda. Seus companheiros não o serviram tanto quanto poderiam, mas o jogador do Real Madrid mostrou que ainda pode ser muito útil à seleção.
Mesmo com a atuação à moda italiana – indo ao ataque apenas com segurança, dando prioridade à defesa e quase matando o torcedor do coração –, a vitória foi inquestionável e nenhum jogador teve um mau dia. Kaká errou muitos passes, mas está perdoado, pois deixou Ronaldo na cara do gol logo nos primeiros minutos, sendo um dos principais responsáveis pela relativa tranqüilidade que o Brasil teve durante toda a partida. Além de ter participado da jogada do gol de Adriano.
Ronaldinho teve atuação discreta. Mais do que ele ou Roberto Carlos, quem roubou a cena pelo lado esquerdo foi Zé Roberto, eleito pela segunda vez o melhor em campo pela Fifa, a exemplo do que aconteceu na vitória contra a Austrália. A falta de Robinho nem foi sentida. Mas seu provável retorno contra a França irá acrescentar velocidade ao ataque brasileiro.
Lúcio e Juan, quem diria, fizeram outra segura atuação. Há anos esperamos ao menos uma trapalhada por jogo da dupla de zaga brasileira, seja ela formada por quais jogadores forem. Os dois não cometeram, até agora nesta Copa, uma bobagem sequer, ainda que Juan pudesse evitar aquele cartão amarelo do jogo de hoje.
Mas quem mereceu levar o meu rádio NKS na tarde de ontem, independente da premiação da Fifa, foi Dida. Os ganeses penaram para acertar o gol, mas quando o fizeram, a muralha baiana estava lá para intervir a nosso favor. Foram defesas de todo tipo: encaixando, em dois tempos, espalmando... até defesa de handebol. O futuro do Brasil na Copa parece estar em boas mãos.
Foi só elogiar...
As atuações dos juízes na primeira fase da Copa renderam elogios, inclusive do Montinho Artilheiro: seguros e rígidos, eles pareciam dispostos a apagar a má-impressão deixada no Mundial da Ásia. Mas boa parte das arbitragens dos mata-mata tem sido lamentável. O brasileiro Carlos Eugênio Simon, que teve péssima atuação em Itália x Gana, não complicou em Inglaterra x Equador. Mas Massimo Bussaca, árbitro suíço que apitou Argentina x México e o russo Valentin Ivanov, juiz de Portugal x Holanda, puseram tudo a perder. O questionável pênalti marcado pelo espanhol Luís Medina Cantalejo a favor da Itália e a complicada atuação do trio eslovaco na partida do Brasil também merecem registro.
Adiós, España!
Não adiantou jogar bonito na primeira fase. A Espanha seguiu sua triste sina e está fora da Copa, eliminada pela França. E, dessa vez, a culpa não pode ser colocada na arbitragem: os franceses foram, de fato, superiores aos espanhóis.
Fato curioso: com a vitória francesa, os seis campeões mundiais que se classificaram para a Copa seguem na disputa. Das seleções que alcançaram as quartas-de-final, apenas Portugal e Ucrânia nunca levantaram a taça. Em 2002, apenas três campeões – Alemanha, Brasil e Inglaterra – chegaram às quartas. Mesmo número de 98, quando Brasil, Argentina e Itália ficaram entre os oito melhores. Em 94, apenas Brasil e Itália foram tão longe.