Ontem, eu disse que a Copa Sul-Americana tinha muitos pontos em que poderia melhorar, bastaria vontade e iniciativa da Conmenbol. Parece que não só o regulamento da Copa Sul-Americana continuará a ser o mesmo non-sense deste ano como a Libertadores será um pouco mais sem-noção. Nove grupos de quatro times, donde os primeiros e os cinco melhores segundos colocados se classificam diretamente para as oitavas-de-final, além de uma repescagem com os demais segundo colocados, que classificará mais duas equipes. Entenderam? Não se preocupem. É estranho assim mesmo.
Tudo isso foi feito para beneficiar clubes mexicanos e venezuelanos, substituindo a fase preliminar que colocava frente a frente equipes destes dois países. Mas será que inchar o torneio e criar fórmulas esdrúxulas seria a melhor solução? Não seria mais inteligente tirar algumas vagas brasileiras e argentinas para acomodar os times de México e Venezuela, fazendo com que o torneio continuasse com 32 times?
Como racionalidade não é o forte do nosso futebol - nem do brasileiro, nem do sul-americano -, resta-nos consentir com uma fórmula muito estranha. Sorte nossa que os times brasileiros caíram em chaves relativamente fáceis e não devem ter muitas dificuldades em se classificarem para a segunda etapa da competição.
Abaixo, os grupos e uma pequena análise das chances das equipes brasileiras.
Grupo 1
São Caetano (Brasil)
México 2
Peñarol (Uruguai)
The Strongest (Bolívia)
Apesar de não ser um grupo dos mais fáceis, o Azulão tem todas as condições de ser o primeiro do grupo. Tudo vai depender da fase em que o Peñarol - clube muito tradicional, porém com muitos altos e baixos - estiver daqui a alguns meses. O The Strongest não deve assustar.
Grupo 2
Vélez Sarsfield (Argentina)
Once Caldas (Colômbia)
Uruguai 3
Maracaibo (Venezuela)
Grupo 3
Cruzeiro (Brasil)
México 2
Universidad Concepción (Chile)
Caracas (Venezuela)
Dos times brasileiros, o Cruzeiro é o que deve ter menos dificuldades para se classificar. O Universidad Concepción disputa pela primeira vez a competição e o Caracas é um time de pouca expressão. O único que pode complicar as coisas é o time mexicano, que ainda não foi definido. Mesmo assim é difícil.
Grupo 4
São Paulo (Brasil)
Liga Desportiva Universitária (Equador)
Cobreloa (Chile)
Alianza Lima (Peru)
Apesar de não serem equipes muito fortes, os adversários do tricolor têm sido presença constante nas últimas Libertadores. Os são-paulinos, ao contrário, voltam à competição depois de 10 anos. É bom que o time do São Paulo tenha cuidado.
Grupo 5
Independiente (Argentina)
El Nacional (Equador)
Nacional (Uruguai)
Peru 3
Grupo 6
River Plate (Argentina)
Colômbia 2
Libertad (Paraguai)
Deportivo Táchira (Venezuela)
Grupo 7
Santos (Brasil)
Barcelona (Equador)
Guarani (Paraguai)
Jorge Wilstermann (Bolívia)
Assim como acontece com o Cruzeiro, o Santos está anos-luz a frente de seus concorrentes.
Grupo 8
Boca Juniors (Argentina)
Colômbia 3
Colo Colo (Chile)
Bolívar (Bolívia)
Grupo 9
Coritiba (Brasil)
Rosário Central (Argentina)
Olímpia (Paraguai)
Sporting Cristal (Peru)
O Coxa caiu na chave mais complicada entre os times brasileiros. Missão difícil para os paranaenses, já que enfrentarão equipes de tradição. O Olímpia ganhou a Libertadores em 2001, o Sporting Cristal é a mais forte equipe peruana e o Rosário Central costuma ser um adversário muito forte.
Com este regulamento confuso, a Libertadores se inicia dia 4 de fevereiro e vai até dia 30 de junho. Mas, ainda que a competição esteja indo de mal a pior no regulamento, não podemos deixar de desejar que vença o melhor.
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