Terminou neste domingo o primeiro Campeonato Brasileiro de futebol por pontos corridos. Hora, então, de refletirmos sobre o que deu certo e o que não deu. E não é que estamos finalmente no caminho certo? Claro que ainda tivemos alguns contratempos como partidas decididas no tapetão e corneteiros para condenar a nova fórmula, mas é inegável que este foi o melhor campeonato que os estádios brasileiros já abrigaram. E nos enche de esperança saber que nosso Brasileirão pode melhorar muito mais nos próximos anos. Pena que isso não dependa só de nós, torcedores. A classificação final das equipes comprovou que os pontos corridos são realmente a melhor e mais justa forma de se apontar quem merece as glórias. Isto fica evidente analisando as performances de alguns times.
O Cruzeiro exagerou na superioridade, terminando o campeonato com 100 pontos, 13 a mais que o segundo colocado. Seria até covardia colocar o time celeste para disputar uma ida-e-volta contra qualquer time que fosse. Com um ótimo planejamento e com um plantel muito superior aos demais, o time mineiro foi quase hors-concours. Alguns acusaram o Cruzeiro de ser excessivamente pragmático, de jogar apenas pelo resultado sem se preocupar em dar espetáculo. Na verdade, o time deu show quando podia e foi cauteloso quando devia. Prova disso? 7 a 0 na última rodada, já com as faixas.
Nunca a máxima que diz que o vice é o primeiro perdedor fez tanto sentido quanto agora. Fosse automobilismo, o Santos teria subido ao pódio, mas com várias voltas atrás do líder. Ainda assim, o peixe teve uma participação digna de ser valorizada por seus torcedores e vai participar da cobiçada Libertadores pela segunda vez consecutiva. A medalha de prata ficou no peito de quem realmente mereceu.
O São Paulo, apesar de ter ficado 9 pontos atrás do rival praiano, teve campanha semelhante ao vice-campeão. Teve fôlego para correr atrás do Cruzeiro até meados do returno, mas acabou se distanciando dos dois líderes e se contentou com a terceira vaga para a Libertadores.
São Caetano e Coritiba nunca lutaram efetivamente pelo título, mas conquistaram, na última rodada - porém com todos os méritos -, as duas últimas vagas brasileiras na Libertadores. O Coritiba teve um excelente início de campeonato, se mantendo entre os líderes durante boa parte do primeiro turno. Depois, caiu de produção, mas se segurou e garantiu a vaga no torneio sul-americano. O São Caetano foi o único time que não perdeu para o campeão Cruzeiro e na última rodada despachou o Inter, concorrente direto pela vaga na Libertadores, com sonoros 5 a 0. Quem disse que pontos corridos não dão emoção?
Falando no Inter, o colorado gaúcho, juntamente com o Atlético Mineiro, deu adeus à Libertadores na última rodada. Inter e Galo tiveram campanhas boas, porém aquém da tradição das duas equipes. Terminaram em 6º e 7º, respectivamente. Mas a posição não importou muito. O duro para os torcedores das duas equipes foi ficar de fora da Libertadores. Para os atleticanos, a dor foi mais forte, pois tiveram ainda que ver os rivais cruzeirenses conquistarem a estrelinha amarela.
Na outra ponta da tabela, várias equipes lutaram para se manter na primeira divisão e o resultado, apesar de lamentável por deixar o Vitória como único representante do Nordeste do país na primeira divisão do ano que vem, não pode ser considerado injusto. Fortaleza e Bahia colecionaram maus resultados durante toda a temporada e não conseguiram forças para reagir no final, ao contrário de Paysandu, Ponte, Grêmio e Fluminense, seus rivais na luta contra o rebaixamento, que conseguiram resultados positivos na última rodada.
A mais grata surpresa da competição foi a equipe do Goiás, que saiu do último lugar no primeiro turno para acabar numa surpreendente 9ª posição. Além disso, o time goiano fez o artilheiro da competição, Dimba, com 31 gols.
A parte triste do Brasileirão de 2003 foi perceber que o tapetão ainda é uma rotina no futebol brasileiro. Mas não conseguiu estragar o espetáculo do nosso futebol pentacampeão. Ano que vem, o show tem tudo para ficar ainda melhor, mais moralizado e reforçado por Palmeiras e Botafogo, que reconquistaram, na bola, o direito de voltar à elite. E que, assim como os outros 22 times que permaneceram na Série A, terão de mostrar um futebol digno de primeira divisão, já que ano que vem serão quatro rebaixados. Haja emoção!
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