quarta-feira, dezembro 17, 2003

A tal Sul-Americana

Termina nesta noite a primeira Copa Sul-Americana, com a segunda partida das finais entre Cienciano, do Peru, e River Plate, da Argentina. O jogo será transmitido por... Bem, o jogo não será transmitido por nenhuma emissora brasileira. Mas, quem liga?

O primeiro jogo, disputado em Buenos Aires, terminou empatado em 3 a 3. Hoje, a partida será em Cuzco. A falta de uma equipe brasileira na final da competição minou o nosso interesse por essa final. Mas será que a tal copa merece mesmo alguma atenção?

A resposta é sim e não. Sim por parte dos clubes, que vêem nesse torneio de baixíssimo nível técnico uma chance de reforçar seus cofres. Mas a competição não deve atrair a atenção de nenhum torcedor sensato justamente pelos mesmos argumentos: o torneio é um autêntico caça-níqueis.

Prova disso foi a briga entre os clubes brasileiros para participar da competição. De início, havia ficado acertado, pelo regulamento do Brasileirão do ano passado, que os melhores colocados dentre aqueles que não conseguissem classificação para a Libertadores disputariam a Copa Sul-Americana, mais ou menos como é a Copa da Uefa, na Europa. Porém, até os que se classificaram para a Libertadores quiseram garantir seu dinheirinho.

Resultado: muita briga, choro, e uma solução Frankstein. Um ranking inventado às pressas e com critérios obscuríssimos deu a 12 clubes brasileiros a chance de disputar uma fase preliminar, divididos em quatro grupos de três (!?!) participantes, competindo, em turno único, por uma vaga para jogos eliminatórios, que por sua vez classificaram apenas duas equipes para a fase realmente sul-americana da competição. Dá pra levar a sério uma competição dessas? Não, não dá. A não ser que esteja em jogo, além de uma conquista questionável, alguns milhões na conta.

Para as próximas edições, vários pontos podem ser corrigidos. Ser uma segunda copa do continente, assim como foi a finada Conmenbol até alguns anos atrás, não é nenhum demérito. Pelo contrário, trará uma atenção especial ao evento.

Achei que estávamos evoluindo, já que para o ano que vem se classificaram Internacional, Atlético Mineiro, Flamengo, Goiás, Paraná e Figueirense - 6º a 11º lugares no Brasileiro desse ano -, além do Grêmio, que se classificou pelo tal ranking. Porém, descobri há alguns dias que estes clubes se juntarão aos cinco primeiros do Brasileirão, aqueles que se classificaram para a Libertadores. Ou seja, o ridículo esquema de grupos de três times deve ser reeditado. Assim, a competição perde todo o propósito. A ponto de preferirmos assistir a um filme do Cuba Gooding Jr.

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