segunda-feira, abril 26, 2004

O campeonato das mil decisões

O Campeonato Brasileiro, com sua fórmula de turno e returno em pontos corridos, é mesmo sensacional. O chavão que diz que "cada jogo é uma decisão" realmente dá uma idéia da importância de cada partida para as pretensões de uma equipe.

Claro que, para quem perdeu as duas primeiras partidas, casos de Atlético Paranaense e Botafogo, nada está perdido. Num campeonato onde se classificavam oito para a segunda fase, uma vitória poderia colocá-los de volta na briga pelo título. Agora, a recuperação terá de ser lenta e gradual. Nada mais justo.

No outro extremo, onde habitam times como Goiás, Cruzeiro e a surpresa Figueirense, uma boa série de vitórias acarretaria, no sistema antigo, uma classificação prematura e uma conseqüente acomodação. Algo que não é nada bom para um campeonato.

Mas, deixando o passado de lado, o campeonato está empolgante. Já ficou claro que o Cruzeiro é candidato ao título, mas que não terá a moleza do ano passado. A decepção da competição até agora vem sendo o time do Palmeiras, que jogou muito mal contra o Atlético Mineiro, mas conseguiu um empate e bem contra o Inter, mas acabou perdendo. Nos dois jogos, o goleiro Marcos foi determinante para o resultado. Para o bem ou para o mal. Coisas do futebol.

O jogo que pude acompanhar na íntegra foi Atlético Mineiro e Vasco. Foi um bom jogo, com dois belos gols, ainda que mais por capricho dos deuses do que pela habilidade dos marcadores.

O Atlético começou a partida melhor, com muito mais volume de jogo, mas esbarrou em finalizações imprecisas. O Vasco, então, passou a explorar melhor os contra-ataques e passou a comandar as ações na segunda metade do primeiro tempo. Mas padeceu do mesmo problema: pé torto na hora de mandar para as redes.

Na segunda etapa, o panorama da partida não mudou muito. Boas chances para ambos os lados e cada time conseguiu deixar sua marca uma vez. Empate justo.

O destaque da partida foi Renato, do time do Galo, que tem um esquema tático que concentra as ações na jovem promessa. Aliás, o aspecto tático da equipe de Bonamigo é bem interessante, já que sempre alterna a posição do volante e às vezes líbero Hélcio, deixando os laterais livres para apoiar sem enfraquecer a defesa. Laterais, estes, que ontem foram o ponto fraco da equipe.

Fiquei com a impressão de que o Atlético pode jogar bem mais. E é aí também que está uma grande sacada da fórmula atual do torneio. O empate foi um resultado melhor para o Vasco, que atuava fora de casa. Mas os que se sentirem injustiçados podem aguardar pelo returno, a etapa das revanches. Nessa partida, por exemplo, não hesitarei em marcar coluna dois.

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