segunda-feira, abril 19, 2004

O por quê dos estaduais

No ano de 2002, uma decisão da CBF e dos clubes brasileiros provocou polêmica: o fim dos estaduais e a criação das copas regionais. Ou melhor, os estaduais continuariam, mas como uma espécie de segunda divisão das copas. Como todos sabem, o que era pra ser uma nova fórmula vigorou apenas naquele ano e em 2003 tudo voltou a ser como antes.

Na época, a maioria dos torcedores era a favor das copas. Hoje, segundo uma enquete feita pelo site da ESPN Brasil, os estaduais são, de longe, mais queridos do que as copas. Por que será que isto ocorre?

O futebol brasileiro sempre teve um calendário bastante diferente de outros centros futebolísticos. Enquanto na Europa os campeonatos nacionais são disputados por pontos corridos desde o início do século passado, por aqui as competições nacionais só começaram a vingar na segunda metade do século. O Campeonato Brasileiro, propriamente dito, só começou em 71. Por pontos corridos, então, somente no ano passado.

É evidente que as dimensões do nosso país contribuem para o fato: os países europeus são muitas vezes até menores que os estados brasileiros. Mas os estaduais têm, além desta, várias razões de existir.

Nenhum outro país tem tantos times grandes como o Brasil. Na Europa, por exemplo, cada país tem quatro ou cinco times com condições de vencer o campeonato nacional. No Brasil, este número é sempre maior. E isto também justifica os estaduais, já que a estrelinha amarela vai somente para uma equipe por ano. As outras torcidas também merecem um pouco de alegria.

E é aí que mora o paradoxo dos estaduais nos dias de hoje. Se na década de 70, os estaduais eram classificatórios para o Brasileirão, atualmente eles não servem pra muita coisa além de promover a chacota dos campeões sobre os vices. E que os campeões estaduais não se iludam: somente o título não é garantia de sucesso no segundo semestre, nas competições nacionais.

De outro lado, para times pequenos, que não disputam sequer a terceira divisão nacional, os meses da disputa dos estaduais correspondem à vida da equipe. Para muitos destes times, futebol, agora, só no ano que vem. Isto sem contar com as preciosas vagas na Copa do Brasil, ainda que a participação destas equipes na copa nacional não vá muito além de um ou dois jogos.

Assim são nossos estaduais: legais, com muitos clássicos e, de vez em quando, algumas surpresas. São importantes, mas esta importância é relativa. Fazendo um paralelo com a culinária, a função dos estaduais é clara: eles não passam de aperitivos.

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