Faz mais ou menos duas semanas que escrevi o texto "A vida vista da marca de cal", que exaltava o bom desempenho dos times brasileiros na Libertadores. Dos quatro times brasileiros que haviam chegado à fase de mata-mata, três se deram bem na primeira eliminatória, dois deles conquistando a vaga nos pênaltis.
Pois o tempo passou, as quartas-de-final chegaram e a sorte dos times se inverteu. Santos e São Caetano, que davam pinta de campeão, foram eliminados nesta semana. O São Paulo, que conquistou a vaga contra o Rosario Central com uma certa dose de sorte, desta vez passou com extrema facilidade pelo Deportivo Táchira. Coisas do futebol.
Com o título desta coluna, não quis sugerir que Boca e Once Caldas seriam duas presas fáceis para as equipes brasileiras. Quis dizer apenas que os brasileiros experimentaram o outro lado da moeda. Para Santos e São Caetano, o gosto de uma eliminação talvez prematura foi amargo. Para o tricolor paulista, foi dado o doce sabor de continuar a sonhar.
Quem assistiu às partidas desta semana, viu que os times não podem creditar seus destinos apenas à sorte. O São Caetano, por exemplo, jogou de igual para igual com o Boca Juniors, agora principal favorito à conquista do título. O fato da interdição de La Bombonera facilitou um pouco as coisas, mas não tira os méritos da equipe do ABC.
Porém, o Azulão abusou da sorte e perdeu alguns gols que poderiam ter decidido a partida a seu favor, ainda nos noventa minutos. Nos pênaltis, a displicência continuou, culminando com a cobrança de Marcelo Mattos, que chutou para os ares as pretensões do São Caetano.
O jogo do Santos não foi muito diferente. Não concordo com alguns comentaristas que disseram que o Santos foi melhor e que o resultado foi injusto. O jogo foi equilibrado, o Once Caldas soube se defender melhor e o gol poderia sair para qualquer dos dois lados. Mas a sorte sorriu para a equipe colombiana.
Já a partida do São Paulo foi um verdadeiro passeio. Tanto que dispensa mais comentários. Davi, desta vez, se curvou diante de um Golias mordido pelos maus tratos em terras venezuelanas.
A lição que pode ser tirada disso tudo é que priorizar uma competição da forma que fizeram Santos e São Caetano costuma ser uma aposta de altíssimo risco. Principalmente quando o campeonato priorizado pode desmoronar em apenas uma partida mal-jogada.
O Santos poupou titulares na última rodada do Brasileirão e foi goleado pelo Palmeiras. O São Caetano fez o mesmo e conseguiu ganhar, ainda que não esteja tão bem colocado no campeonato. O Cruzeiro, que saiu mais cedo da Libertadores e pode se dedicar exclusivamente ao campeonato nacional, jogou com time misto (mas contra sua vontade) e venceu o líder São Paulo.
No fim das contas, as três equipes foram eliminadas do torneio sul-americano, mas agora o Cruzeiro ocupa posição muito melhor que os adversários no Brasileirão. E quem vai dizer que foi injusto?
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