quarta-feira, maio 26, 2004

O jogo do desgosto

Vem crescendo, nos últimos dias, a expectativa em torno do clássico entre Brasil e Argentina, que ocorrerá no Mineirão daqui a exatamente uma semana. Em todo o Brasil, não há assunto mais comentado.

Pois em Belo Horizonte o jogo já começou há alguns meses e o assunto já está, digamos assim, saturado na capital mineira, tamanha a dor-de-cabeça que os preparativos têm causado.

Inicialmente, os ingressos mais baratos, nos setores atrás dos gols, custariam proibitivos R$ 60, o que causou a revolta dos torcedores de BH. Após intervenção do governador Aécio Neves, o preço dos ingressos da área menos nobre caiu pela metade, mas a arquibancada central e as cadeiras continuaram com preços entre R$ 100 e R$ 150.

Ainda assim, os ingressos se esgotaram na tarde de hoje, após muito tumulto nos pontos de venda. Atrasos, confusões, briga ferrenha por um lugar nas quilométricas filas. Tudo isso contribuiu para a insatisfação de muitos torcedores que voltaram para casa de mãos vazias. Muitos deles após passarem mais de 12 horas esperando por sua chance.

Como que prevendo que o esforço pelas entradas não valeria a pena, desisti de assistir a partida in loco já faz algum tempo. Apesar de uma ponta de ressentimento, hoje vejo que foi uma decisão sábia. Muitos colegas perderam seu dia nas filas e vão assistir ao jogo pela TV, assim como eu.

Ouvi de um amigo que essa era uma chance única e que outro Brasil e Argentina em Belo Horizonte só daqui a 40, 50 anos. É verdade. Mesmo assim, não me sinto arrependido. Esta partida já ficou meio maculada.

É claro que não deixarei de torcer pelo Brasil, ainda que seja pela televisão. Mesmo porque espero não ter que aguardar meio século para poder estar presente neste que chamam de "o maior Fla-Flu do mundo". Só que aí não vou poder comemorar quando for gol nem vestir a camisa amarela com um escudo de cinco estrelas no peito. Porque estarei usando uma camisa de botões com o distintivo de alguma emissora de rádio ou de TV. Sonhar ainda é de graça.

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