Os donos das Copas
A Copa de 2002 foi a de Ronaldo, o Fenômeno, que fez de tudo, incluindo gol de bico, do início ao fim do torneio e mostrou para o mundo que ele não estava acabado, como muitos poderiam pensar. Foi um momento tão especial que ele apareceu com um corte de cabelo ridículo no meio da competição e ninguém ligou.
Em 98, o dono da Copa foi Zidane. Depois dos gols na final contra o Brasil, o francês foi alçado, com justiça, ao status de melhor jogador do mundo. A trajetória de Zidane no Mundial de 98 foi curiosa: expulso no primeiro jogo da seleção francesa, só voltou a campo na fase eliminatória. E, na final, marcou o primeiro gol de cabeça da sua carreira. E também o segundo.
Na já distante Copa de 94, quem deu as cartas foi Romário. Tudo bem que as imagens que ficam na nossa memória são a de Taffarel defendendo a cobrança do italiano Massaro e a de Baggio mandando sua cobrança pro espaço. Mas o baixinho foi vital para a conquista do tetra, marcando gols importantes, tirando o corpo para que outros pudessem marcar seus tentos e subindo mais que grandalhões suecos para colocar, de cabeça, o Brasil na final.
Porém, apesar de alguns, como Romário, relutarem em admitir, o tempo passa para todos. Em 98, ele ficou de fora da Copa por lesão. Em 2002, não foi porque Felipão foi lúcido o suficiente para perceber que não seria bom negócio levá-lo, apesar de toda a pressão.
Quem fez o lobby pró-Romário deve achar, hoje, que estava meio louco na ocasião. Ou, então, que tinha compaixão por um herói que já sentia os efeitos da idade. Essa é a compaixão que hoje tenho ao ver Romário jogar. Atualmente, me causa um certo mal-estar ver manchetes como "Baixinho marca - de pênalti - e Flu empata". Muito pouco para quem já foi o dono do mundo.
Claro que não são todos que concordarão comigo. Quem foi rei nunca perde a majestade, dirão alguns. Mas acho que é hora de Romário parar, para o bem dele e do futebol, que nunca irá esquecê-lo. E, falando francamente, quem acha que Romário ainda é um craque deve abrir uma igreja para cultuá-lo. Assim como fizeram na Argentina, para aquele que foi o dono da Copa de 86.






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