domingo, maio 02, 2004

A rodada em cores

Dentre os milhares de fatores que fazem do futebol um esporte tão apaixonante, hoje resolvi falar de dois: as cores dos "mantos sagrados" e as coincidências que vez ou outra aparecem para deixar o torcedor com a pulga atrás da orelha.

Falar das cores é contar muito da história de um clube. O Grêmio, por exemplo, se recusou a usar o vermelho do patrocinador na camisa tricolor. E não era um patrocinador qualquer: era a poderosa Coca-Cola. Mas o motivo também não era menor, pois a cor rubra é o símbolo do arqui-rival Inter. Na queda-de-braço, adivinhem quem ganhou? A logo do refrigerante virou preta e branca na camisa da equipe gremista.

Hoje, a história soa quase banal. Mas o Grêmio foi o primeiro time a peitar um patrocinador por causa de uma cor. Mas não existem apenas exemplos nacionais. O Barcelona, uma das principais equipes do futebol mundial, tem histórias ainda mais interessantes neste aspecto.

Pelos idos de 1899, o estilista suíço Hans Gamber foi designado para desenhar a camisa do clube catalão e, na oportunidade, possuía em seu ateliê apenas dois lápis: um azul e outro grená. A combinação atípica agradou os dirigentes do clube e é hoje um dos motivos de orgulho da torcida do Barça. Além disso, o Barcelona é a única equipe do seu porte que nunca estampou patrocínios em seu uniforme. Não é comprovado, mas é bem possível que tais fatos estejam ligados. Mais amor à camisa, impossível.

Mas, voltando ao futebol brasileiro, um fato tão improvável quanto irrelevante para quem não dá importância às coincidências me chamou a atenção. Confesso que sou um dos céticos, mas não quis guardar a atenção para o ocorrido apenas para mim.

O que aconteceu neste fim-de-semana foi que todos os clubes que jogam de camisas "coloridas" venceram seus jogos contra equipes alvinegras. Alguns dirão que o preto e o branco podem ser todas as cores juntas ou nenhuma delas. Mas desconsiderei o detalhe, com fins estatísticos.

Na sábado, o Botafogo perdeu para o Criciúma. Hoje, Corinthians, Santos, Vasco e o ex-líder Figueirense também foram derrotados. No Atletiba, onde cada uma das cores joga em um time, o resultado não poderia ser outro senão um empate.

A exceção à regra fica por conta da partida entre Atlético Mineiro e Ponte Preta. Mas como ambos os times são alvinegros, a vitória da Ponte não chega a tirar a notabilidade do acontecimento. Ou seria melhor um empate?

Pele vermelha

Na contramão das atitudes de Grêmio e Barcelona, o time do Guarani hoje atuou conta o São Paulo, num dos jogos que fecharam a rodada, com camisas rubi em homenagem justamente ao... seu patrocinador! Castigo ou não, o Bugre perdeu de virada, por 3 a 2, com gol do zagueiro Fabão aos 44 do segundo tempo. Só para constar, o São Paulo seria alvinegro se não fosse uma listra - vermelha - na camisa do time.

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