domingo, maio 30, 2004

Uma prévia do clássico

Pegando carona no que disse nosso estimado amigo Enderson, assino embaixo da frase que diz que "a Eurocopa é uma Copa do Mundo sem Brasil e Argentina". E vou além. Para mim, a Eurocopa é uma competição mais difícil de se avançar, já que é pedreira desde a fase de grupos. Quando, numa Copa do Mundo, teremos Portugal, Espanha e Rússia no mesmo grupo? Nunca, já que o sorteio dirigido coloca sempre duas seleções européias por chave, no máximo.

Mas daí a dizer que é mais difícil ser campeão da Eurocopa do que da Copa do Mundo há uma grande diferença, pois a seleção européia aspirante ao título mundial terá fatalmente que enfrentar Brasil ou Argentina (talvez ambos) no seu tortuoso caminho. E esse confronto provavelmente será na final. Tem sido assim desde 86. Na verdade, foi assim sempre, apenas com algumas exceções.

É por essas e outras que o jogão da próxima quarta tem uma importância tão grande para o futebol mundial. Claro que é injusto dar a ele maior relevância do que a uma competição recheada de craques, mas o valor do clássico é algo próximo disso. Além de ser um assunto um pouco mais urgente.

Por isso, resolvi fazer uma prévia de como será a partida, onde cada aspecto do futebol atual contará um gol para a equipe que se sair melhor. Difícil explicar, mas tenho certeza de que vocês entenderão. Vamos lá, pontapé inicial!

O último confronto envolvendo times brasileiros e argentinos foi entre Boca e São Caetano. Jogo empatado, mas o Boca ganhou nos pênaltis. Gol chorado da Argentina.

Recapitulando o desempenho dos clubes destes dois países nas últimas competições sul-americanas e mundiais, veremos que o Boca venceu tudo que pôde. Além disso, nossos hermanos têm dois times nas semi-finais da Libertadores, contra apenas um nosso. Argentina, 2 a 0.

Porém, se analisarmos as competições entre seleções, os papéis se invertem. O Brasil é o atual campeão mundial e conta com mais quatro conquistas no currículo, contra apenas duas estrelinhas dos argentinos. Isso sem contar os títulos nas categorias de base, porque aí seria covardia. Golaço a nosso favor e 2 a 1 no placar.

E como não falar no desempenho dos craques dos dois países nesta temporada? Ronaldinho Gaúcho, Kaká e companhia brilharam. Enquanto isso, o argentino que mais teve destaque na mídia ultimamente foi o decadente Maradona. Gol de placa que vale o empate.

Mas partidas que terminam empatadas costumam ser um pouco frustrantes. Temos que dar um jeito de desempatar esta. Desculpem-me a patriotada descarada, mas vou buscar o desempate em outro campo. Ou melhor, nas quadras de saibro de Roland Garros.

Peço novas desculpas para mudar bruscamente de esporte, mas é que Guga está realmente fantástico nas quadras parisienses. À la Ronaldo, renasce das cinzas e dá provas de ser um tenista muito acima da média. Venceu o suíço Roger Federer, o atual número 1 do mundo, e já está nas oitavas, firme na luta pelo tetra. De quebra, ganhou o "Troféu Laranja", dado pela imprensa francesa ao tenista mais simpático da competição. Seu primo pobre, o "Troféu Limão", dado oficialmente ao tenista de temperamento mais forte (mas que, na prática, é o tenista mais "mala") foi para o argentino David Nalbadian.

Por isso tudo, Guga merece um gol. O gol que nos daria a vitória, de virada, por 3 a 2. Será que vamos ter tanta emoção assim?

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