sexta-feira, maio 14, 2004

A vida vista da marca de cal

A disputa de pênaltis - fórmula um tanto quanto injusta, mas inevitável, de se definir um vencedor quando todos os outros expedientes terminam em empate - costuma fazer a alegria de quem gosta de emoções fortes. Isto, é claro, quando o time do coração não está envolvido na disputa, porque aí já é emoção em excesso.

Pois das quatro equipes brasileiras sobreviventes na Libertadores até as oitavas-de-final, três tiveram que passar pela angustiante disputa. E provaram, para quem ainda tinha alguma dúvida, que pênalti não é loteria.

Por outro lado, se no futebol nem sempre o melhor time vence, nos pênaltis isto é ainda mais verdade. Nas penalidades, ganha quem tem mais nervos de aço, além da preparação adequada. A sorte vale, mas só como tempero.

E no quesito nervos no lugar, os brasileiros mostraram estar bem. Depois de uma partida muito emocionante contra a LDU de Quito, o Santos foi extremamente competente, convertendo todas as suas penalidades. Deu pinta de campeão, ainda que exista um longo caminho pela frente, com Boca, São Caetano e outros bons times a serem batidos.

O São Paulo quase se complicou no jogo do Morumbi contra o Rosario Central. Mas, nas cobranças de pênaltis, o tricolor teve, além de competência e sorte, um goleiro trapalhão como adversário, que facilitou muito as coisas.

O Cruzeiro não foi tão afortunado. Num jogo muito semelhante ao do São Paulo, no qual jogava em casa, começou perdendo e virou a partida, o time celeste deu aos torcedores a sensação de deja vú. Só que, na hora da disputa da marca de cal, o time conseguiu errar todas as cobranças. Aí ficou difícil. E foi-se embora o sonho de termos uma Libertadores totalmente brasileira a partir das semifinais.

Nesta história toda, méritos para o São Caetano, que tinha o jogo mais difícil dentre os brasileiros e conseguiu se classificar sem o desgaste das penalidades. Também tem pose de campeão, apesar de Santos e Boca Juniors.

Agora, nas quartas-de-final, as coisas ficam mais difíceis e é hora de separar os homens dos meninos. E tomara que os times brasileiros estejam no primeiro grupo. Ainda que seja através dos pênaltis.

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