domingo, junho 20, 2004

Dando o braço a torcer II – E não é que deu Portugal?


Durante estes últimos dias, desde que foi jogada a segunda rodada do Grupo A da Eurocopa, eu coloquei várias vezes a Espanha como favorita no confronto contra Portugal. Tinha motivos para tanto. A Espanha tem melhor elenco e não perdia para Portugal desde 81. Não sou muito de acreditar em retrospecto, mas quando ele é muito favorável a uma equipe, costuma representar alguma coisa.

Pois bastou a bola rolar para minhas idéias começarem a mudar. A Espanha começou a partida preocupada exclusivamente em não levar gols. E aí, vocês sabem, começou o desastre espanhol. Portugal, ao contrário, foi objetivo e levou bastante perigo ao gol de Casillas na primeira etapa. Mas o gol não saiu nos primeiros 45 minutos.

Felipão falou após a derrota da seleção portuguesa para a Grécia que dali para frente começaria a fase de mata-mata para Portugal, já que o time não poderia mais sequer empatar. E o precioso gol que sua equipe precisava teimava em não sair.

Enquanto isto, a Rússia largava na frente da Grécia no outro jogo da chave. Começou ganhando por 2 a 0 e acabei me lembrando da Copa de 94, quando a mesma Rússia, já eliminada, goleou os também eliminados camaroneses. Será que os russos só jogam bem quando não vale mais nada?

A esta altura, fiz as contas e vi que a Espanha chegaria a 5 pontos, deixando Portugal e Grécia com 4, mas com melhor saldo para Portugal. Deduzi, então, que os resultados daquele momento classificariam os rivais da Península Ibérica.

Daí o narrador da partida esclareceu que o primeiro critério de desempate era o confronto direto e não o saldo de gols. Achei estranho, mas não injusto. E, como os gregos haviam ganho dos portugueses, se classificariam junto com os espanhóis. A esta altura, os gregos diminuíram para 2 a 1. Para Portugal, então, não restou alternativa senão a vitória.

Começa o segundo tempo e Felipão saca Pauleta para a entrada de Nuno Gomes. Além de bom técnico, Scolari ainda nasceu com a bunda virada para a lua. É exatamente Nuno Gomes quem acerta um petardo de fora da área para colocar os portugueses em vantagem.

Daí, como era de se esperar, os papéis se inverteram. A Fúria espanhola atacava e o exército de Scolari se defendia como podia. E a sorte estava mesmo do lado lusitano: foi um festival de chances espanholas, com direito a duas bolas na trave.

Mas como Felipão não quis abusar da sorte, tratou de enfiar mais defensores no time, tirando Figo e Cristiano Ronaldo. Convite a levar um gol? Não. Era o dia de Portugal e, mais do que isso, era o dia de Felipão. Nada poderia dar errado.

E não deu. Foi assim que os portugueses conquistaram a suada vaga para os mata-matas da Euro, neste que foi um dos melhores jogos da competição até agora. Aliás, cada dia um jogo vira candidato a melhor jogo. Primeiro foi França e Croácia. Depois, Itália e Suécia. Ontem foi República Tcheca e Holanda. Vocês se atrevem a perder os jogos de amanhã?

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