De volta para Berlim
Terminou hoje a fase de grupos da Eurocopa. Com ela, foram-se também as esperanças da seleção alemã. A seleção européia que mais tem títulos importantes (três Euros e três Copas do Mundo) deu hoje seu melancólico adeus ao ser derrotada, de virada, para a equipe reserva da República Tcheca. A terceira virada dos tchecos em três jogos, é bom que se diga.
Dentre as três eliminações de seleções tradicionais nesta etapa (Alemanha, Espanha e Itália), a alemã foi a mais previsível. Com um elenco limitado e jogando num grupo muito forte, os alemães se despediram da competição sem uma vitória sequer. Seria esta seleção a mesma que foi vice-campeã mundial dois anos antes?
A resposta a essa pergunta é difícil. Se olharmos o plantel, veremos que boa parte dos selecionados ainda é a mesma. Mas se os nomes não mudaram, o futebol alemão perdeu força. Miroslav Klose, vice-artilheiro do ultimo mundial, nem titular foi nesta Euro. O que nos leva a crer que os cinco gols que marcou em 2002 foram apenas um pouco a mais do que mero acaso. É que nesta Euro não tinha uma Arábia Saudita para a Alemanha meter oito gols logo na estréia.
Os artilheiros alemães na Eurocopa foram Ballack e Frings, com um único gol cada. Isto mesmo, o ataque alemão marcou apenas duas vezes. Klose entrou apenas no final das partidas contra Letônia e República Tcheca.
O goleiro Oliver Kahn é outro exemplo. Depois da final da Copa de 2002, o mundo descobriu que o goleirão mal-encarado não era tão bom quanto alguns imaginavam. Parece que ele mesmo se convenceu de seu real valor e foi ainda menos eficiente do que em outros tempos.
Na verdade, a Alemanha de 2002 foi vice sem brilhar muito. Venceu um grupo dos mais fáceis, que contava com um Camarões enfraquecido, uma sempre mediana Irlanda, além da tétrica Arábia Saudita. Nos mata-matas, ganhou de Paraguai, Estados Unidos e Coréia do Sul, sempre por 1 a 0, antes da derrota na final.
Do outro lado da tabela do grupo D ficou a República Tcheca. O selecionado tcheco foi o único da Euro a vencer os três confrontos desta fase. E, apesar de nunca ter se classificado para uma Copa do Mundo, a seleção tcheca não pode ser considerada uma surpresa. Ela conta com jogadores do quilate de Nedved e Poborsky e foi vice da Eurocopa de 96, perdendo a final para a própria Alemanha. Esta, aliás, foi a última vitória alemã em fases finais de Euro.
Diante dos fatos, é inevitável dizer que da seleção alemã se pode esperar tudo, inclusive nada.
Previsões para os mata-matas
Só para não perder o costume, aí vão meus palpites para as quartas-de-final da Euro: classificam-se Inglaterra, França e República Tcheca. E ainda tem Suécia x Holanda, que tem tudo para ser um jogão dos mais equilibrados. Posso marcar um duplo?







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