sexta-feira, junho 18, 2004

Do bom e do melhor


Se o Sô Enderson disse que não está gostando do nível da Eurocopa, é direito dele. Entendo suas razões. Para quem teve o privilégio de acompanhar o futebol de Zico, Maradona e Platini, é mesmo complicado aceitar Beckham e Figo como craques. Mas tenho certeza que ele me permitirá discordar de suas impressões.

Para mim, tão importante quanto o drible magistral e o gol antológico é a aura que cerca esse tipo de competição. Gramados impecáveis, torcidas se confraternizando, seleções estreando novos modelos de uniformes. São inúmeras as coisas que só costumam ocorrer com tamanha intensidade numa Copa do Mundo... e numa Eurocopa!

Isso contribui muito para a boa impressão que estou tendo deste torneio. É claro que os fatores extracampo sozinhos não me fariam empolgar. Mas não estou achando o nível técnico desta copa decepcionante. Confesso que já passei da fase de ver os jogos seis horas depois pelo SporTV 2. Porém, ontem tive a tarde livre e pude assistir à rodada do Grupo B ao vivo. E quem também teve esta oportunidade irá concordar comigo: foram dois jogões.

A primeira partida foi entre Inglaterra e Suíça. Os ingleses mordidos por conta da derrota inesperada para a França e os suíços com ar de resignados diante da derrota iminente. Um jogo gostoso de se ver, muito por conta do goleiro Steil, da Suíça. Já citado por mim em oportunidades anteriores, ele é mesmo um show à parte. Deu vários tchauzinhos para a torcida inglesa, fez caras e bocas e pôs a bola, de cabeça, para dentro da própria meta. No lance infeliz do segundo gol da Inglaterra, a bola bateu na trave, voltou em Steil e entrou, lembrando o brasileiro Carlos na Copa de 86. Placar final, Inglaterra 3 a 0.

No jogo de fundo, a França embalada pegaria a Croácia, que não passou de um empate com os suíços na primeira rodada, apesar de ter jogado com um jogador a mais por quase todo o segundo tempo. Vitória fácil para os franceses? Que nada! A França marcou no primeiro tempo, mas a Croácia virou no segundo. E os franceses foram buscar o empate com um gol de Trezeguet, que mostrou oportunismo, mas também um bocado de sorte. E a partida, a melhor da competição até agora, terminou em 2 a 2.

Mas a partida mais fantástica do dia não estava reservada para os tapetes europeus. Foi jogado aqui mesmo, na América do Sul. No Monumental de Nuñez, para ser mais preciso. A segunda batalha entre Boca e River foi um jogo como poucos. Tanto que seria quase uma heresia tentar comentá-la. Quem viu, dificilmente esquecerá.

Hoje não pude ver a vitória da Dinamarca sobre a Bulgaria por 2 a 0. Nem o empate por 1 a 1 entre Itália e Suécia que, segundo o que ouvi dizer, foi um ótimo jogo. Paciência. Já seria querer demais.

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