Tiros no escuro
Terminadas as rodadas das eliminatórias sul-americanas, os olhos do mundo se voltam novamente para o Velho Continente, onde acontece, a partir do próximo sábado, a Eurocopa. Hora, então, de fazermos nossas previsões para o torneio, ainda que, daqui a um mês, tudo vá por água abaixo. Faz parte do futebol e, principalmente, da paixão pelo futebol. Se alguém conseguisse prever com toda a certeza quem ganharia, perderia toda a graça.
Então irei, grupo por grupo, dar meus tiros no escuro. Os números entre parênteses indicam a posição em que os clubes irão ficar, segundo minhas intuições. Quem quiser seguí-las, pode sentir-se livre. Mas aviso, desde já: não faremos devolução do dinheiro caso o produto venha com defeito.
Grupo A – Espanha (1º), Grécia (4º), Portugal (2º) e Rússia (3º).
O destaque será a partida da segunda rodada: Portugal conta Espanha, o clássico da Península Hibérica. Portugal é uma boa seleção e leva a vantagem de jogar em casa, mas a Espanha é a seleção mais forte do grupo. A Rússia é uma seleção apenas mediana, mas com chances de classificação. A Grécia é mesmo o azarão desta chave, apesar de não ser mais a baba de outros tempos. Mas, até por isso, os confrontos gregos devem ser observados com atenção. Quem menosprezá-los deve perder pontos que podem custar a vaga. Assim como fez a própria Espanha, que perdeu em casa para os gregos por 1 a 0, na fase de classificação.
Grupo B – Croácia (3º), França (2º), Inglaterra (1º) e Suíça (4º).
Alguns podem achar que estou louco ao colocar a Inglaterra como possível campeã do grupo. Mas posso explicar. Na verdade, considero as duas seleções inglesa e francesa no mesmo patamar e colocar a primeira como líder foi mero capricho. Qualquer um dos dois rivais pode ganhar o confronto entre eles (aliás, este deve ser um dos melhores jogos da competição) e terminar em primeiro da chave. A Croácia corre por fora, mas não é mais aquela sensação de 98. As vagas devem ficar mesmo com França e Inglaterra, já que a Suíça é candidata a saco de pancadas do grupo.
Grupo C – Bulgária (4º), Dinamarca (1º), Itália (2º) e Suécia (3º).
Esta é, de longe, a chave mais equilibrada da Euro 2004. Aqui, não é clichê dizer que tudo pode acontecer. Coloquei a Itália em segundo porque a Azurra tradicionalmente gosta de um empatezinho, sempre perdendo pontos em fases de classificação. Quem deve pagar o pato pelo estilo ultradefensivo do selecionado da terra da pizza é a Bulgária, adversária dos italianos na última rodada do grupo. Rodada esta que terá também o clássico entre Dinamarca e Suécia, com ligeira vantagem para os vermelhos.
Grupo D – Alemanha (3º), Holanda (1º), Letônia (4º) e República Tcheca (2º).
Apesar de ser o único que não irá abrigar um grande clássico, este grupo tem tudo para ter os melhores jogos no aspecto técnico. É que Holanda e República Tcheca costumam jogar um futebol muito bonito, apesar da pouca eficiência. Já a Alemanha é tradicionalmente uma equipe brucutu, porém eficaz. No duelo entre futebol-arte e futebol de resultados, resolvi arriscar meus palpites no primeiro e ousar, “classificando” Holanda e República Tcheca. A Letônia é a surpresa da Euro, mas caiu num grupo forte e não deve passar para as quartas.
A partir daí, as partidas são eliminatórias e fazer previsões fica ainda mais difícil. Mas, como um filho do Montinho Artilheiro não foge à luta, aí vão meus favoritos para a conquista da taça: Inglaterra, França e Holanda são meus palpites. Apesar das outras treze boas equipes que correm por fora.







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