quinta-feira, julho 01, 2004

Era uma vez Flamengo


Antes de começar a escrever esta coluna, pensei que hoje eu deveria falar do Santo André e não do Flamengo. Afinal, os campeões merecem esse espaço, já que na grande mídia as manchetes dizem que o favoritíssimo Flamengo foi derrotado por um bando de Zé Manés que nem merecem ser citados. Para muitos, foi o Flamengo que perdeu e não o Santo André que ganhou. Mas as circunstâncias me obrigam a refletir sobre a partida de ontem como um todo.

Antes de a bola rolar, com o Maracanã quase lotado, Casagrande sentencia: “a torcida pode fazer a diferença hoje como há muito tempo não acontece”. Não duvido da boa fé de Casão (aliás, este parece ser seu único atributo como comentarista), mas ele quis dizer, nas entrelinhas, que o Ramalhão seria um time que tremeria nas bases.

Ora, quem tem bom senso e boa memória sabe que os jogadores do Santo André não começaram a jogar bola na semana passada. E quem não tem a memória tão forte pode fazer uma breve pesquisa e descobrir que a maioria dos jogadores do time do ABC já atuou por clubes “grandes”. Corinthians, Vitória, São Caetano, clubes do Japão, Portugal e Argentina, para ficar só entre os que lembro de cor. Mas sei que tem mais. De agora em diante, nenhum é tão grande quanto o Santo André.

Na verdade, a torcida que lotou o Maracanã tinha um ar de desesperada, pois sabia que se o clube do coração não levasse essa, o ano de 2004 estaria arruinado e acabaria contaminando os anos seguintes. Pois, como sabem, a bomba foi detonada ontem e nos resta esperar para ver quem se salvará pelos lados da Gávea.

O Flamengo tinha, sim, uma pequena vantagem por conta do empate em dois gols na casa do adversário. E só. Não era o favorito disparado como pintaram. Camisa não ganha jogo, ainda mais uma camisa que há tempos não recebe jogadores que a mereçam. Elenco por elenco, os paulistas tinham mais.

Os flamenguistas que me desculpem, mas o Santo André já havia deixado Atlético Mineiro, Guarani e Palmeiras pelo caminho que, talvez com exceção do Bugre, são equipes bem superiores ao Fla. Tudo bem que nem sempre o futebol tem lógica, mas seria bom que da próxima vez a imprensa fizesse seus prognósticos com mais carinho e cautela.

Agora, os destinos das duas equipes são antagônicos. O Santo André administrará uma posição intermediária na Série B, podendo, com alguma sorte, conquistar uma vaga na fase final da competição. Isso porque o time está na vice-lanterna não por merecimento, mas por conta de 12 pontos perdidos (ou surrupiados?) no tapetão. Porém, a cabeça já deve estar voltada para a Libertadores.

Para o Flamengo, começa hoje uma luta inglória para se livrar do rebaixamento. O futuro do Fla está cada vez menos rubro e mais negro. E é bom que providências comecem a ser tomadas logo. Ou então, era uma vez Flamengo...

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