terça-feira, julho 06, 2004

A prima pobre


Como a Eurocopa terminou recentemente e a Copa América começa na noite de hoje, as comparações entre as duas copas continentais tornam-se inevitáveis. Muitos comentaristas esportivos afirmam, com certa dose de razão, que a Copa América nunca chegará ao nível da irmã européia. Mas por que esse abismo tão grande?

Primeiramente, é preciso frisar que as diferenças entre as duas competições são de várias naturezas. O aspecto técnico, por exemplo, é um deles. Na Europa, praticamente todas as 16 seleções tinham condições técnicas de lutar pelo título e a vitória da Grécia provou isto. Na Copa América, uma surpresa pode até acontecer. Mas será mais por desleixo das equipes tradicionais do que por méritos da zebra em potencial.

Aliás, o regulamento do torneio favorece este desinteresse por parte das “grandes” seleções. Com uma primeira fase com três grupos de quatro times, em que dois terceiros colocados se classificam, as coisas começam a ficar minimamente emocionantes somente a partir das quartas-de-final. Como se empenhar se, ao menos matematicamente, uma equipe pode se classificar com um mísero empate em três partidas?

Uma boa solução poderia ser a criação de uma competição que englobasse todos os países do continente americano e não somente as nações do sul. Atualmente, duas seleções participam do torneio como convidados, mas aí não há critérios técnicos que legitimem uma eventual vitória dos times das Américas Central e do Norte.

Talvez uma redução da competição para apenas oito equipes fizesse bem ao futebol do continente. Imaginem uma Copa América com dois grupos. No primeiro, por exemplo, estariam Brasil, Uruguai, Estados Unidos e Colômbia. No outro, Argentina, Paraguai, México e Chile. O campeonato seria muito mais interessante e as partidas seriam melhores, com todos os jogos valendo alguma coisa. Sem contar que os finalistas fariam uma partida a menos do que na atual fórmula, o que interessa bastante a essas equipes.

Claro que isso implicaria a realização de uma etapa classificatória, o que é realmente inviável para seleções como Brasil e Argentina, que já jogam competições demais. Então, a solução poderia ser reservar duas ou três (talvez até quatro) das vagas para as seleções mais bem colocadas no ranking da Fifa ou em algum outro sistema qualquer, como a colocação na Copa do Mundo anterior.

Ainda assim, existem outros aspectos nos quais a Copa América continuaria a ser a prima pobre da Eurocopa. Estádios menos modernos, menor interesse do público... são tantos que não caberiam neste texto. Mas soluções existem, ainda que complexas. Pois craques que nasceram do lado de cá do Atlântico existem até mais. Mas quem sabe um dia? Sonhar não custa nada.

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