A zebra de Tróia
Como, no texto de hoje, não falar da surpreendente Grécia? Os guerreiros helênicos travaram hoje, contra o exército de Felipão, a batalha final da Euro 2004 e... saíram vencedores. Nem foi mais uma surpresa, uma vez que, de quem já chegou tão longe, pode se esperar tudo. Mesmo assim, não resisti em evocar, no título da coluna, o simpático eqüino que, depois das vitórias de Porto, Santo André e da própria Grécia, elegeu o azul e o branco como as cores da estação.
A final não foi nada brilhante do ponto de vista técnico, o que já era, de certa forma, esperado. Tanto pelo estilo de jogo das equipes envolvidas, quanto pela tensão inerente às grandes decisões. Um primeiro tempo equilibrado, em que o placar em branco foi justo, e um segundo tempo em que a seleção portuguesa jogou melhor, mas foi castigada por uma falha defensiva que levou ao gol grego.
Ainda assim, o resultado foi justo. Os portugueses levaram um gol semelhante aos que tiraram França e República Tcheca da Euro. Deveriam estar vacinados contra os cruzamentos gregos vindos da direita à procura de Charisteas (ainda que o gol nas semifinais tenha sido de Dellas). Como não se precaveram, deixaram escapar aquela que seria a maior vitória do futebol português.
A Grécia quebrou um tabu que se repetia de 20 em 20 anos. Em 64, a Espanha organizou a competição e se sagrou campeã. Em 84, a França repetiu o feito. Neste ano, a tradição jogava a favor de Portugal. Mas Charisteas não.
Ao fim da partida, com toda aquela festa, me lembrei da teoria que diz que os europeus valorizam o vice-campeonato, ao contrário dos sul-americanos. E pude comprovar a hipótese. Enquanto os torcedores lusitanos aplaudiram de pé sua seleção e os adversários, por aqui muitos torcedores do Flamengo consideraram a derrota para o Santo André a maior humilhação da história do clube. Deve ter tido jogador rubro-negro que se arrependeu de não ter sido eliminado nas semifinais. A derrota para o Vitória teria sido um resultado perfeitamente normal.







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