terça-feira, agosto 02, 2005

O lado tilintante das coisas


Conversando recentemente com meu pai, ouvi sua opinião sobre o controverso caso Robinho. Segundo seu Wiltão, o Santos não teria o direito de “prender” o jogador da forma que vem fazendo. “Se o garoto quer sair, o Santos tem que ceder”.

Cinco minutos passados, conversa vai e conversa vem, o assunto agora é Fred. Sem que ele se desse conta, sua opinião muda radicalmente: “o Cruzeiro não pode deixar o Fred ir embora! Que absurdo! Como vamos ficar sem ele?”.

O aparente paradoxo é facilmente explicado: meu pai, cruzeirense que é, levou as coisas para o lado passional. Mas qual Wilton está com a razão? O do primeiro ou o do segundo parágrafo?

O assunto é longo demais para se encerrar em um texto. Mas os que me conhecem sabem que tenho uma visão que pode ser considerada até um pouco romântica. Contudo, hoje tentarei dar argumentos puramente econômicos para sustentar a minha tese de que, a longo prazo, segurar nossos craques pode ser ótimo negócio.

Os jogadores brasileiros querem ir para a Europa porque lá se joga o melhor e mais bem-pago futebol do mundo, certo? E se, por decreto, a partir de hoje os atletas de nosso país não pudessem mais ser transferidos para o exterior? O que aconteceria?

Sendo obrigados a aqui ficarem, o nível técnico de nossas competições cresceria, atraindo atenção do público e, consequentemente, angariando mais patrocínio. Daí, seria criado um círculo vicioso, com cada vez mais futebol, adeptos e receitas. Como todo mundo já está careca de saber, são os pés brasileiros que dão o tom nos bons campeonatos de todo o mundo. De modo que, nesse cenário ideal, passaríamos a ser, com o perdão do clichê, a NBA da bola nos pés.

Claro que as coisas não são tão simples assim e há milhares de obstáculos entre a realidade e esse sonho. O imediatismo de clubes e atletas – como o do moleque Robinho, que por vezes fez juz à pior acepção do adjetivo – inviabiliza a execução dessa teoria de modo quase irreversível. Ainda bem que, vez ou outra, surgem atos como o da diretoria santista, que mostrou ao Real Madri que não está disposta a seguir a tradição de ceder nossos craques a preço de banana.

3 comentário(s):

Às 3/8/05 13:08, Anonymous Anônimo; disse:

Marcelo...
Pode soltar foguete (ou rojão), concordo totalmente com você.

Concordo também com os dois Wiltões: Robinho fora, Santos mais fora. Fred dentro, Cruzeiro mais dentro.

Desculpe, mas tinha que rolar um papo de cruzeirense.

 
Às 3/8/05 13:38, Anonymous Anônimo; disse:

Marcelo
Em tempo: Já que o apelido pegou, como tem passado o Wiltão?

 
Às 4/8/05 21:21, Anonymous Anônimo; disse:

Fora Fred!

 

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