terça-feira, agosto 23, 2005

Time de aluguel?

Um dos motivos apontados para que os pequenos clubes brasileiros continuem diminutos é o tradicional expediente de montar equipes apenas para uma competição e dispensar todo o elenco ao fim da mesma. Como muitos clubes no Brasil permanecem ativos apenas durante alguns meses do ano, disputando um torneiozinho aqui outro ali, não tem como não pensarmos na idéia dos times de aluguel.

O Ipatinga tem uma estrutura decente, melhor até que a de vários clubes mais tradicionais, e, no primeiro semestre, foi campeão mineiro e jogou a Copa do Brasil. Atualmente busca um lugar ao sol na série C do Brasileirão, um campeonato duríssimo, em que nem sempre o melhor time pode sorrir no final. Ou seja, se o Tigre não é um clube semi-profissional como muitos Brasil afora, ainda assim tem muitos degraus a subir para alcançar a glória.

Muitos do que quiseram tirar o mérito incontestável do clube na conquista do Mineiro alegaram que a parceria do Ipatinga com o Cruzeiro era ilegal. O acordo, que consistia no empréstimo de vários jogadores do time de Belo Horizonte para a equipe do Vale do Aço tinha total amparo na lei e, por isso, a choradeira não repercutiu muito fora das fronteiras de Minas Gerais. Ainda assim, o Tigre não escapou das alcunhas de “filial do Cruzeiro” e “time de aluguel”.

No último domingo, passados mais de quatro meses da conquista do Estadual, o Ipatinga goleou por 4 a 0 o Serra, do Espírito Santo, em jogo válido pelo Grupo 9 da Terceirona. Dos 11 que começaram a partida pelo lado mineiro, sete têm, em suas salas de troféus, a medalha de campeão mineiro de 2005. Todos atuaram em pelo menos dez das 15 partidas do Tigre no Mineiro, com exceção de Marinho, centroavante titular da equipe, que se lesionou após atuar em oito patidas na competição e não voltou a jogar no Estadual.

No mesmo fim-de-semana, Cruzeiro e Atlético também entraram em campo. Na vitória sobre o São Caetano, o time celeste entrou em campo com oito jogadores que compunham o elenco vice-campeão mineiro. E, de todo os titulares atleticanos na partida contra o Juventude, apenas Amaral e Rubens Cardoso atuaram no Campeonato Mineiro. Dos três clubes, o Ipatinga é o único que manteve o técnico.

Com esses dados chegamos a algumas conclusões. Uma delas é a de que rotatividade de jogadores não tem dado muito certo. Outra é que o Ipatinga se preocupa em manter a base da equipe e pode ser recompensado por isso. Os jogadores que o Tigre perdeu não foram negociados. Apenas deixaram o clube após o término do contrato, apesar de a diretoria ter tentado segurá-los.

Mesmo que o Ipatinga não consiga o acesso – o que não seria improvável, já que a Série C deste ano é disputada por muitas equipes renomadas – é certo que o clube tem feito tudo para que ninguém mais pense que a conquista do Mineiro tenha sido mero acaso.

1 comentário(s):

Às 26/8/05 10:10, Blogger Marcelo Morato; disse:

Belo hino!

Mas a grande vantagem do título do Tigre é que agora ninguém mais me pergunta pra que lado que Ipatinga tá.

 

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