quarta-feira, abril 19, 2006

Haja coração!

A noite não podia terminar tão cedo, ninguém queria ir para cama antes da meia-noite. Uns tinham fome, outros tinham sede e alguns não tinham dinheiro, mas no fim acabamos todos na mesma mesa. Em meio aos goles de cerveja, os assuntos fluem. De Photoshop a Michael Moore, de Diamantina a Jack Johnson, tudo parece permitido, tudo parece extremamente original.

A noite vai passando e aos poucos o futebol chega à mesa. Os comentários vão e vêm, e partindo de Copa do Mundo rapidamente estamos falando sobre o Campeonato Brasileiro. Todos parecem um pouco assustados ao falar sobre o número de rebaixados. “Quatro é demais” dizem alguns, “será que o Flamengo escapa” perguntam outros. E eu, ouvindo aquilo tudo, fiquei pensando “será que o Vasco será rebaixado?” Difícil de dizer.

São apenas vinte clubes e um campeonato bem longo. Até dezembro muita coisa pode acontecer, é muito difícil arriscar qualquer previsão. Talvez esse seja o grande diferencial do Brasileirão, sua imprevisibilidade. Aqui não temos apenas Barcelona ou Real Madrid, nossa equação é mais complexa, nossos campeões são formados por muito mais variáveis. Acertar na loteria esportiva por aqui é pura sorte, conhecimento futebolístico não garante nada e às vezes até atrapalha.

Quem será o campeão?

As equipes paulistas, mais uma vez, aparecem com muita força. O Corinthians chega com dinheiro, um grande elenco e muita instabilidade. Resta saber se o barril de pólvora vai explodir. Crises podem atrapalhar os resultados em um campeonato tão longo – se bem que no ano passado isso não aconteceu. O São Paulo tem um bom time, um elenco equilibrado e deve brigar pelo título: desta vez o tricolor não vai colocar o Brasileiro em segundo plano. O Santos dissipou muitas dúvidas e desconfianças com o título paulista, resta saber se a equipe vai se virar bem com a provável saída de Luxemburgo depois da Copa do Mundo. O Palmeiras “corre por fora”, mas também deve brigar pelas primeiras posições.

O Cruzeiro também chega forte e deve brigar pela ponta. O título mineiro mostrou que a Raposa tem um bom time, mas também deixou claro que a equipe ainda precisa evoluir bastante. A máquina ainda não engrenou, mas mostra que tem muito potencial. Não podemos deixar o Internacional de fora, que perdeu o título do Gauchão, mas também deve brigar pelas primeiras posições no Brasileiro. O Goiás, campeão goiano e muito bem na Libertadores, não me inspira muita confiança. Deve ficar na parte de cima da tabela, mas acredito que não tem força e elenco para brigar pelo título.

E os rebaixados?

A briga na parte intermediária da tabela promete ser quentíssima e me parece impossível apontar as equipes que serão rebaixadas. Neste ano, aqueles que não tiverem condições de brigar pelas primeiras posições estarão perigosamente ameaçados pelo fantasma do rebaixamento.

São poucos os torcedores que começam o campeonato totalmente tranqüilos, nutrindo a certeza de que seus clubes estarão, em 2007, na divisão principal do futebol brasileiro. Tenho medo, já que em 2006 o 17º lugar também será rebaixado. Faço coro com a voz que vem do boteco: rebaixar quatro clubes é exagero. Falo isso longe da arquibancada, mas falo com voz rouca, voz de torcedor.

9 comentário(s):

Às 19/4/06 15:03, Anonymous Anônimo; disse:

hehehe
pois é ...
e o pior é que os times ruins não são poucos...

 
Às 19/4/06 15:27, Anonymous Anônimo; disse:

Os times ruins, de fato, não são poucos.

Por isso que eu sigo achando que quatro times rebaixados não é exagero.

 
Às 19/4/06 15:47, Anonymous Anônimo; disse:

fico meio dividido
uma parte de mim concorda e outra discorda...

a parte jornalista concorda com vc
a parte torcedor discorda...

neste Brasileirão esta segunda parte já viu que vai sofrer...
tadinha dela... por isso o exagero, questão de autopreservação mesmo

hehehehe

 
Às 19/4/06 18:28, Blogger Vinicius Peraça; disse:

Ainda não consegui chegar a uma conclusão sobre o número de rebaixados. Ás vezes acho que 4 é um bom número, mas por vezes também me pego pensando que 2 clubes seria o ideal. A vantagem de se rebaixar 4 clubes é o fato de dar muito mais emoção ao campeonato, já que quem não brigar por título, libertadores ou sul-americana estará na "zona da degola". Isso movimenta o campeonato. No entanto, isso pode prejudicar muitos clubes que, já prefjudicados pela crise financeira, correm o risco de cair e não conseguir se reerguer. É difícil dizer "é isso e ponto!".

Parabéns pelo blog, muito bom mesmo. Quando quiserem, apareçam lá no meu humilde blog.

 
Às 19/4/06 21:03, Blogger Pedro P; disse:

Sou a favor do rebaixamento de 4 clube, e nem é pra dar mais chance do Galo subir. Deixa o campeonato mais dinâmico e incentiva a concorrência com os times de baixo (da segundona).

 
Às 19/4/06 21:19, Anonymous Anônimo; disse:

Concordo com vc Vinny, realmente muitas variáveis devem ser consideradas...Não existe mesmo uma fórmula perfeita...

Como jornalista e torcedor, acho que os Campeonatos das séries A e B deveriam contar com 22 times (e já está mais que comprovado que temos datas para a realização de todos os jogos) e deveriam ser rebaixadas no máximo três equipes.

Não sou muito de copiar fórmulas de outros países (especialmente os europeus), mas o número de rebaixados lá não passa de três (Itália). E olha que lá, o número de times de primeira linha é bem menor do que em terras tupiniquins.

Se eu fosse sócio-acionista da Globo, certamente votaria na fórmula atual...bem mais rentável (E os clubes ainda são totalmente dependentes das "verbas" da TV)

Meu lado bairrista (mas com uma certa lógica), afirma que isso tende a beneficiar as equipes do Sudeste, em especial as do interior paulista, que contam com mais "patrocínio" (inclusive de prefeituras)...E raramente elas não duram muito tempo (Cadê o Bragantino, o União São João e para onde está indo o São Caetano?)

O meu lado polêmico, porém, afirma que competição beneficiente continua sendo a Copa do Brasil (Assim como no Velho Continente)...Lá os pequenos têm vez...

 
Às 20/4/06 10:59, Anonymous Anônimo; disse:

Realmente Enderson,

Concordo com vc. Vinte clubes é muito pouco.

Temos um país imenso, e este número de clubes não dá conta de representar a diversidade do Brasil.

Ver o Remo tendo a maior média média de público, enquanto jogava na Série C, já diz muito.

Não podemos criar nossas competições com base nos campeonatos europeus. Nosso país é muito maior, tem mais equipes fortes (com história e mesmo potencial comercial).

Na minha opinião, os Estaduais (deficitários, por sinal) tinham que ser reduzidos.

O Brasileirão merece mais destaque, o potencial de nossa competição nacional é muito grande. Acredito que a presença de um clube como o Atlético-MG, Grêmio, Vasco ou Flamengo (entre outros) é mais importante do que uma semana a mais de campeonato.

hehehe... acho q escrevi demais

 
Às 22/4/06 13:08, Anonymous Anônimo; disse:

Com certeza 20 clubes é muito pouco! Para mim o ideal séria 24, no mínimo 22. Acho interessante a iniciativa de 4 rebaixados, dá uma grande rotatividade, e a medilcridade é punida. Temos que lembrar que o Brasil é um país continental, e o campeonato tem dar oportunidade de equipes de todas as regiões atuarem na divisão de elite. O rebaixamento de 4 (hehheheh) contribuiria para essa rotatividade. Quanto a previsões, esse ano eu aposto em Flamengo, Figuerense, Cruzeiro e Atletico /PR como fortes candidatos a segundona, não só aposto como torço! E para o acesso o Galo (é claro), Coritiba, Paysandu e Vila Nova/GO.
E haja reza!

 
Às 22/4/06 21:13, Blogger Marcelo Morato; disse:

Vila Nova sobe não. E Cruzeiro e Atlético Paranaense caem não. É minha humilde opinião.

 

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