segunda-feira, junho 26, 2006

A batalha de Nuremberg

A partir de ontem, um novo sinônimo, com nome e sobrenome, deveria ser incorporado ao verbete pé-quente nos dicionários de língua portuguesa: Luís Felipe Scolari. No jogo que foi uma verdadeira guerra, Felipão foi o general do exército vitorioso. Mostrou ter competência, fibra e sorte em doses cavalares.

Quem ligou a TV apenas a fim de assistir um bom jogo, sem tomar partido de lusos ou batavos, desistiu da isenção logo nos primeiros minutos. Do ponto de vista técnico, aliás, não foi uma grande partida. Mas a pugna em que o jogo se tornou fez com que os espectadores grudassem em seus assentos e respirassem fundo ao antever cada botinada. E fez com que o pretenso bom jogo se tornasse uma batalha emocionante.

Desafio algum espectador da partida a dizer que não vestiu as cores de uma das seleções com o passar dos minutos. Revelo, agora, a minha escolha e explico: torci por Portugal. Os holandeses, desde o princípio, batiam bastante e tentavam, a cada jogada, levar o árbitro Valentin Ivanov no grito. O pior é que, mais das vezes, conseguiam. E a desastrada atuação do juiz russo se tornou a pior da Copa até aqui.

Não que os jogadores portugueses tenham se comportado como vaquinhas de presépio. Pelo contrário, bateram tanto quanto o adversário, ainda que cada sarrafada lusitana tenha sido a título de revide. Mas um lance foi decisivo para que o time neerlandês ganhasse a antipatia do mundo: após lance em que Portugal sairia na cara do gol, o trapalhão do apito paralisou a partida para atendimento médico a um jogador português. Na bola ao chão, pasmem, o time holandês não devolveu a posse de bola.

Claro que o decantado fair play, apesar de belo e recomendado, não é obrigatório. Mas reparem que Figo iria disputar o bola-ao-chão e desistiu quando o adversário deu a entender que faria a gentileza. Parece-me que o time laranja andou aprendendo com os argentinos na partida da primeira fase.

No mesmo lance, Deco entrou maldosamente em Heitinga, o tempo fechou, houve empurra-empurra entre as duas equipes e a única conseqüência do lance foi um amarelinho para o luso-brasileiro. Enumerar todos os lances ríspidos a partir daí seria enfadonho. Mas impressionam os números: o saldo final foram 12 cartões amarelos e dois expulsos para cada lado, recorde de expulsões da história das Copas. O total de faltas, porém, foi baixo: para os anais, ficará a singela marca de 15 faltas holandesas contra apenas 10 portuguesas. Mas, como bem definiu Fernando Calazans, “cada falta deste jogo valeu por três”.

No fim das contas, o gol solitário da partida, marcado por Maniche ainda no primeiro tempo, ficou ofuscado em meio a tanta confusão. “Foi um jogo com cara de Libertadores”, definiria Felipão ao final do encontro. Sim, foi uma classificação suada, dramática, que me lembrou um fado de Chico Buarque. Não foi bonita a festa, pá! Mas fiquei contente.

Um balanço das oitavas

Argentina x México foi outra boa partida. Coincidentemente, teve também arbitragem confusa, que poderia ter mudado o destino das equipes, embora o golaço de Maxi Rodriguez afaste qualquer tentativa de classificar a vitória argentina como injusta. Na partida entre Alemanha e Suécia, os donos da casa passearam e em Inglaterra x Equador, o jogo menos movimentado das oitavas, os ingleses se deram melhor única e exclusivamente por terem Beckham e uma falta na entrada da área.

14 comentário(s):

Às 26/6/06 10:43, Blogger Pedro P; disse:

Torci pela Holanda desde o início.
Não achei ruim a atuação do árbitro, tem que mostrar cartão mesmo, e com tantas faltas qualquer um fica confuso. Ele ainda teve coragem de expulsar quem merecia.

 
Às 26/6/06 10:44, Blogger Pedro P; disse:

Consegui atingir níveis maiores de emoção assistindo o jogo pela Rede Glóbulo e ouvindo pela Rádio Itatiaia. Graças a Deus me livrei de Galvão Bueno.

 
Às 26/6/06 14:28, Anonymous Anônimo; disse:

Achei o juiz péssimo, terrível.
Faltou expulsar muito mais gente.

O Sneijder por exemplo que empurrou um outro jogador (que não era o Deco). Esse jogador português estava ajudando o holandês que sofreu a entrada. Aí o Sneijder foi lá e derrubou o cara no chão! Vermelho direto.

Outra, quando o Deco foi efetivamente expulso, o Cocu jogou ele no chão também, com as duas mãos. O Deco tinha que sair sim, mas o mesmo pro Cocu.

E o Beckham me fez lembrar os meus jogos do Bier Leverpielsen versus Winchester United aqui da computação. Encheu a cara e jucou em campo! Doidimais!

 
Às 26/6/06 17:03, Blogger Marcelo Morato; disse:

Giovanni,

como o Bob disse, a atuação do árbitro foi péssima não pelos cartões, mas pela demora de tirá-los do bolso. Se Boulahrouz tivesse sido expulso no lance em que arrancou um pedaço da perna de Cristiano Ronaldo, ainda no começo da partida, a história poderia ter sido outra. Se seria melhor ou não, aí são outros quinhentos.

No mais, fiquei emocionado em saber que nosso leitor Bob Pontes é jogador do Bier Leverpielsen. Sempre que ia no CEU achava doido aquele time. Junto com o Golo-Golo (e sua logo do índio chapando os melão) e o Surreal Madrid, eram os mais criativos.

 
Às 26/6/06 19:58, Blogger Pedro P; disse:

Discordo do lance do Cocu, jogador que segura a bola pra atrasar o jogo tem que apanhar mesmo.

E teve um lance antes da expulsão do Costinha que o fez merecer um amarelo, mas ele não levou.

 
Às 26/6/06 19:59, Blogger Pedro P; disse:

Parabéns Bob, camisa número não-revelado do Bier Leverpielsen.

Lívia,
Inglaterra? Onde?

 
Às 26/6/06 21:09, Anonymous Anônimo; disse:

Obrigado... Fico emocionado...

Giovanni, dada minha semelhança física ("a nível de" panceps) com Ronaldo Fenômeno, o número não poderia ser outro: 9

 
Às 26/6/06 22:07, Anonymous Anônimo; disse:

O árbitro russo errou ao parar o jogo para atendimento do português, que não era Paulo Ferreira - esse patrício nem entrou em campo, estava na reserva. Quem partia para o gol adversário, tendo um holandês apenas à frente era Deco e não Figo. O Sneijder empurrou o Petit e não o Deco. Além disso, quem contribuiu para perder a "batalha" foi Van Basten. Deixou Van Nistelrooy no banco e errou na substituição, deixando Boulahrouz no jogo e tirando o Mathijsen - que ainda não tinha amarelo, diferente do companheiro.

 
Às 27/6/06 00:32, Blogger Marcelo Morato; disse:

Gustavo,

obrigado pelos toques. Para não ser traído pela memória, acabei checando os nomes num site e embananei tudo.

No mais, também não entendi a alteração de Van Basten. Boulahrouz estava desde o início da partida pedindo para ser expulso!

 
Às 27/6/06 10:24, Blogger Costoli; disse:

Será que eu e o juiz de ontem somos as duas únicas pessoas não-italianas do mundo que dariam aquele pênalti?

 
Às 28/6/06 03:27, Blogger Marcelo Morato; disse:

Alguns comentaristas disseram que foi, ainda que nenhum tenha minimamente me convencido.

 
Às 28/6/06 03:28, Blogger Marcelo Morato; disse:

Em tempo: desde quando você não é um italiano, cáspita!?!?

 
Às 28/6/06 19:56, Anonymous Anônimo; disse:

Lívia Bergo, quer dizer que vocês puxam saco dos leitores? Imagina se não puxassem então...

 
Às 29/6/06 01:06, Anonymous Anônimo; disse:

Só o Morato escreve no montinho?
Cadê a rapa? (menos L. bergo)...
Moratão coke master!!

 

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