sábado, agosto 26, 2006

A cruel lógica do mercado da bola

Clube pequeno sofre! Se, da noite para o dia, surgir um novo Pelé em um desses Américas da vida, o clube não receberá pelo atleta a décima parte do que ele vale.

É que um milhãozinho qualquer vale muito para quem não tem quase nada. E nunca tarda chegar um São Paulo, Cruzeiro ou Fluminense querendo tirar o craque do seu time de origem. Como, na grande maioria dos casos, a nova promessa está louca para mostrar seu futebol em um palco maior e mais bem freqüentado, o clube nanico terá sempre duas opções: pegar ou largar. Se optar por largar, o jogador fará corpo-mole até vencer seu contrato, e irá gratuitamente para o clube da capital.

Quando o cenário é o futebol internacional, o grande clube brasileiro passa a ser o miserável fornecedor de mão-de-obra barata, que troca seus artistas por um pequeno punhado de euros. Alguns, como o Grêmio, tentaram subverter a ordem. Em 2001, o clube gaúcho chegou a recusar uma proposta de 75 milhões de euros feita pelo Leeds United por Ronaldinho.

Mas o jogador acabou indo para o Paris Saint-Germain sem o consentimento do tricolor dos Pampas. O saldo do imbróglio foi o ódio da torcida gremista por seu ídolo – que até hoje não foi totalmente superado – e uma indenização de “apenas” 4,5 milhões de euros paga pelo clube francês. Em 2003, o PSG revendia o craque para o Barcelona por 27 milhões de euros.

Será que Ronaldinho melhorou em 500% seu futebol em apenas dois anos, como a valorização de seu passe pode sugerir? Respostas a essa pergunta retórica não são necessárias. A verdade é que o valor de uma transação no mundo do futebol maquia muita coisa.

No futebol de alto nível, como é o europeu, o jogador vale muito mais por seu papel em todo o contexto do esporte do que por sua relevância no time, seu futebol propriamente dito. Se sou dirigente de um clube de ponta, que conta com vários craques, por que vender algum “apenas” por seu valor de mercado, se ele me traz retorno, esportivo e principalmente financeiro, ficando no clube? Essa pergunta é que inflaciona todo o esporte. Quem já jogou Championship Manager uma vez na vida sabe bem disso.

Enquanto isso, o clube pequeno, com seu parco poder de fogo, fica a ver navios. Moral da história: mais vale um Gattuso no Milan do que um Ronaldinho – ou mesmo um Pelé – num desses Américas da vida.

3 comentário(s):

Às 27/8/06 00:40, Blogger Pedro P; disse:

Poxa vida, o Grêmio teve a manha de recusar essa fortuna toda. Sou fã desse time. Agora entendo porque os gremistas vão até a pé.

Não peguei a parte final. O Gattuso é ruim?

 
Às 27/8/06 11:09, Blogger Marcelo Morato; disse:

O Gattuso não é exatamente ruim. Faz bem o seu papel de cabeça-de-área cabeça-de-bagre. Usei-o como personagem para marcar a diferença entre o futebol feio e o futebol vistoso de Ronaldinho.

 
Às 28/8/06 23:38, Anonymous Anônimo; disse:

viram o ultimo jogo do ronaldinho na tv? ele ta caindo nao acham?

BrUnO RaMoS

 

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