Morumtetra?
Que time fantástico é o São Paulo! A segunda partida das semifinais disputada ontem no Morumbi contra o Chivas Guadalajara nos dá vários motivos para afirmar que o tricolor paulista é, atualmente, o melhor time do Brasil.Para começo de conversa, o time tem, há vários anos, o melhor goleiro em atividade no nosso país: Rogério Ceni. Na partida de ontem, ele defendeu um pênalti enquanto o marcador ainda não havia sido aberto. Depois, ainda teve a chance de marcar o 63º gol de sua carreira e se isolar como o maior goleiro-artilheiro de todos os tempos. A falta ficou na barreira, mas a quebra do recorde certamente virá em breve.
O restante do elenco está à altura do grande goleiro, que já figura entre os mais importantes jogadores da história do clube. Dos onze jogadores que começaram jogando a partida de ontem, nove já tinham no currículo mais de 100 partidas com a camisa tricolor. O entrosamento do time é evidente. E os que não têm tanto tempo de casa são jogadores de qualidade inquestionável, como o atacante Ricardo Oliveira.
Para comandar tantos bons jogadores, um ótimo treinador: Muricy Ramalho, o técnico que não quer que esta geração seja comparada à de Telê, bicampeã da Libertadores, em 92 e 93. Mas como não ver semelhanças entre as duas equipes? O time de Telê chegou a três finais consecutivas. Obteve êxito nas duas primeiras oportunidades e, em 94, foi derrotado nos pênaltis pelo Vélez de Chilavert. Já a equipe atual chega pela terceira vez seguida ao Top 4 da América, pode bisar a conquista continental e sacramentar de vez o time do Morumbi como o melhor time brasileiro na competição.
Para tanto, o São Paulo precisará passar por Inter ou Libertad, do Paraguai, na decisão. Ambos serão adversários complicados, principalmente o Inter, que tem um elenco tão bom quanto o time paulista – basta dizer que os dois times são os atuais líderes do Brasileirão – e terá a vantagem de fazer a finalíssima no Beira-Rio, caso se classifique na partida de hoje. Esta, aliás, seria a segunda decisão de Libertadores seguida com times brasileiros e disputadas no Morumbi e no Beira-Rio, já que, no ano passado, o Atlético Paranaense foi obrigado a mandar seu jogo no estádio gaúcho. Mas agora a conversa é com os donos da casa.






5 comentário(s):
A principal estrela é a boa administração do clube, altamente profissional, de longa data.
Talvez seja essa a estrela que falta ser "revelada" no restante do futebol brasileiro.
Outro time de torcida cuja fama é similar, dizem, também é bem administrado, mas não chega perto do nível do São Paulo em termos de títulos conquistados.
Pois é, Ronaldo. Dando nome aos bois, existem quatro clubes no Brasil com administração altamente profissional: são eles São Paulo, Cruzeiro, Atlético Paranaense e, mais recentemente, Internacional.
O que difere o tricolor paulista dos demais é o mercado: com maior torcida e, pricipalmente, com maior poder econômico, o clube consegue criar um círculo vicioso de receitas e conquistas. Tanto que está entre os clubes que recebe uma das maiores fatias de direito televisivo, além de ter o maior patrocínio do país: US$ 800 mil anuais da LG.
É de dar inveja a qualquer torcedor de outra equipe!
E do Galo, então?
A tristeza profunda que esse post me causou me impede de comentar.
A diferença do São Paulo Futebol Clube para a maioria dos demais clubes brasileiros, é que o Tricolor do Morumbi, antes de ser um time, sempre foi um clube. Quando o futebol brasileiro viveu a transição fatal e inevitável do futebol romântico para o futebol do marketing e sifras astronômicas, o clube trabalhou para se adaptar a uma realidade eminente. A democracia conteve a corrupção e privilegiou os competentes, criando a filosofia da boa administração. Ao longo das últimas décadas, a superioridade do São Paulo frente os demais clubes do Brasil é flagrante. Um clube que administra um time e não o contrário. Prova da superioridade do tricampeão do mundo está no rival Corinthians. O alvi-negro de Parque São Jorge ainda sonha, com toda sua torcida, história e conquistas, com a construção de um estádio; já o tricolor paulista, faz parcerias com faculdades de administração e marketing, desenvolvendo junto ao meio acadêmico, a gestão empresarial do futebol, voltada para o nosso mercado.
Sem parcerias espúrias, sem gastos escandalosos.
Mas ainda assim, há o que melhorar. A desorganização na venda de ingressos para a peleja final da Libertadores contra o Colorado gaúcho é um desrespeito ao torcedor.
Para um grande clube, mesmo numa fase áurea, sempre haverá muito trabalho a ser feito.
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