quarta-feira, agosto 23, 2006

Não é nada pessoal

Às vezes fico imaginando como se sente um jogador contundido. Ver sua carreira prejudicada por causa de um lance, um momento em que o corpo se mostra frágil e “quebra”, trazendo dor e a impossibilidade de exercer a profissão.

Alguns casos são ainda mais complicados. Muitos atletas têm suas carreiras interrompidas e totalmente atrapalhadas por suas sucessivas contusões. Pedrinho, que começou sua carreira no Vasco, é um bom exemplo. Seu talento sempre foi grande, mas a gravidade das contusões que ele teve ao longo de sua carreira trouxeram inúmeros problemas.

Os jogadores são os produtos do mercado da bola e, como tal, não podem apresentar defeito sem que seu preço sofra alteração. Afinal, quem vai querer investir em algo “bichado”, que já teve que passar pelo conserto inúmeras vezes e sempre apresenta problemas? Essa é a lógica perversa do mercado. Não é nada pessoal, são apenas negócios.

O irônico é que os jogadores são valiosos e mesmo assim são expostos a rotinas de trabalho exaustivas, com calendários lotados de compromissos. Fica realmente complicado identificar dentro da estrutura mercadológica a dimensão humana dos atletas. Eles parecem seres distantes, com seus discursos prontos, seus carros importados e suas loiras siliconadas.

Um erro, e lá estão os devoradores, prontos para destruí-los. Um acerto, e os que antes devoravam passam a exaltá-los, criando heróis e reis. E assim eles seguem como produtos, atrelados a um pacto sombrio baseado na permanente exposição de suas imagens.

Alguns poucos emprestam sua imagem a produtos e se transformam em frequentadores assíduos dos intervalos da TV. A maioria segue a sina incessante da exposição passageira e descartável. Antes, eles se identificavam com os clubes por onde passavam. Hoje, passam por tantos lugares que fica até difícil citar todos sem exceder o limite de caracteres das páginas dos jornais.

Resta aos jogadores cuidar da sua forma física e jogar bem sempre, porque na máquina chamada futebol não existe peça insubstituível.

6 comentário(s):

Às 23/8/06 17:45, Blogger Pedro P; disse:

E viva o livre mercado!

 
Às 23/8/06 17:54, Blogger Pedro P; disse:

Tá faltando uma vírgula nessa parte aí, ó, Lívia: "não é nada pessoal são apenas negócios"!
Corrige os trem pros coco, dá nisso.

 
Às 23/8/06 19:42, Anonymous Anônimo; disse:

Se não quisessem investir em algo "bichado", o Cruzeiro não conseguia vender tão caro seus jogadores...

 
Às 24/8/06 00:10, Blogger Marcelo Morato; disse:

Era para ver se alguém percebia, Giovanni.

Parabéns, você ganhou. Seu prêmio? Uma salva de palmas!!!

Clap! Clap! Clap!

 
Às 24/8/06 10:12, Anonymous Anônimo; disse:

quer dizer que todo cruzeirense é meio "bichado"

hum...
será que eu entendi direito?

hehehe

 
Às 25/8/06 15:07, Blogger Pedro P; disse:

Lívia Bergo
(23, jornalista)
É a responsável pelas fotos, ilustrações e montagens do site. Além disso, corrige erros históricos para que não fique ridículo e erros ridículos para que não virem históricos.

Isso.

Ae, Morato, você acertou o negócio do Bruno. Tá ficando bom nisso, hein.

 

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