quarta-feira, setembro 13, 2006

Sobre gandulas e árbitros

Eis o fato, ocorrido no último domingo: em partida válida pela Copa Federação Paulista de Futebol, se enfrentavam Santacruzense e Atlético Sorocaba, quando Samuel, do time de Santa Cruz do Rio Pardo, chutou uma bola na rede pelo lado de fora. Os atletas de ambos os times já se encaminhavam para o centro do campo, esperando a cobrança do tiro de meta. Porém, um gandula aproveitou que o mundo lhe dava as costas e, sorrateiramente, colocou a bola dentro do gol.

O problema é que o bandeirinha Marco Antônio Motta Júnior também se virou por um instante e, logo depois, sinalizou gol para a equipe da casa. Depois de conferir se havia furos na rede, restou à árbitra Silvia Regina de Oliveira validar o tento, que decretou o empate entre os lados.

O lance foi repetido a exaustão nos programas esportivos do início da semana. O maroto gol de gandula correu o Brasil. Foi divertido ver o lance sob a narração de um locutor de rádio que, assim que Silvia Regina confirmou a lambança, gritou gol a plenos pulmões, como se tivesse acabado de se deparar com uma obra-prima de Samuel.

Ontem, porém, o atrapalhado assistente esclareceu que ele fora enganado não pelo gandula, mas pelo chute do jogador do Santacruzense. “Tive a percepção que a bola entrou”, declarou Marco Antônio.

A desagradável situação em que a bola beija as redes laterais e o gol é equivocadamente assinalado é rara, mas pode acontecer. Mais incomum ainda é um gandula invadir o campo para colocar, de mansinho, a bola dentro do gol adversário, mesmo porque as chances de sucesso nessa empreitada são mínimas.

O pitoresco se dá quando ambas improbabilidades acontecem no mesmo lance, a ponto de nos fazer duvidar da versão do bandeira. Não é impossível que Marco Antônio esteja falando a verdade, mas o discurso parece querer encobrir a bobagem maior, o erro mais crasso, que é ser ludibriado por um reles gandula. Quem quiser que conte outra.

Para ler mais sobre o caso e ver o vídeo com a impagável locução, clique aqui.

10 comentário(s):

Às 13/9/06 12:23, Blogger Pedro P; disse:

Eu não consigo acreditar que vi isso.

 
Às 13/9/06 14:07, Blogger Costoli; disse:

Eu lembro desses outros dois exemplos. Se o goleiro pegasse, acho que seria uma das maiores injustiças se lhe impugnassem a defesa.

Eu achava que o lance do Arena da Baixada tinha sido suficientemente bizarro pra não ser superado em bizarrice. Impressiona ver que eu me enganei...

 
Às 13/9/06 14:28, Blogger Marcelo Morato; disse:

Fiz um upgrade no texto. É que havia me esquecido de citar a data do ocorrido: domingo último, a quem interessar possa.

Também me recordo dos episódios, Frango. Acho que o gol do Furacão foi lance de extrema infelicidade para a arbitragem. Mas eles têm menos culpa do que os da Federação Paulista.

Sobre o lance do Jean, à época goleiro do Guarani: creio que o lance não poderia ser invalidado. Mas não estou 100% certo disso.

 
Às 13/9/06 23:56, Anonymous Anônimo; disse:

Uma das coisas mais engraçadas que vi nos último tempos. Fato que me relembrou uma reportagem do globo esporte sobre invasões de gandulas e suas, muitas vezes, miraculosas defesas em cima da linha.

Está certo que esse lance é mais inusitado que a média, mas o povo não respeita as divisões de várzea mesmo não. Pelo menos, eu me divirto em dobro.

 
Às 14/9/06 12:22, Anonymous Anônimo; disse:

hehehe...
muito bizarro...

 
Às 14/9/06 15:04, Blogger Pedro P; disse:

Gandulas que invadem o campo pra salvar o gol são meus ídolos. Mas eu não faria algo assim, acho injusto.

 
Às 16/9/06 11:13, Anonymous Anônimo; disse:

"Sobre gandulas e árbitros" é o remake tupiniquim de Sobre meninos e lobos?

 
Às 16/9/06 12:07, Anonymous Anônimo; disse:

foi um golaço.
deu um cortinho seco no goleiro e um toque sutil para o gol.

gandula craque!

 
Às 16/9/06 12:49, Blogger Rakal D'Addio; disse:

Vá lá que a juiza erre, agora o bandeira não ter visto que a bola não entrou estando no mesmo flanco em que a ação ocorreu é estranhíssimo.

 
Às 20/9/06 12:22, Blogger Marcelo Morato; disse:

Ronaldo, você foi preciso. É isso aí mesmo!

Rakal, bem observado. O bandeirinha estar do mesmo lado do ocorrido é mesmo um agravante.

Giovanni, eles também são dignos de minha admiração.

Breiller, ele é de fato um craque.

 

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